Sociedade

Inda a ir… racionalidade | Xico Simonini

     Que doideira! Que loucura! Que maluquice!

 

     Boca quente desde o princípio dos passados tempos até estes tempos chegados.

 

     Afinal, seriam cinco… Ou seriam três?

 

     Segundo seguidores dum tal de Whittaker, bem mais moderninhos, são cinco. Cada nome mais complicado que o outro: Monera… Protista… Fungi… Plantae… Animália… Tudo Reino. Tão, então, aí os cinco Reinos.

 

     Segundo outros, como nós, bem mais caretas que a Galera do Whittaker, são três os Reinos: Cada nome menos complicado que o outro: Mineral… Vegetal… Animal…

 

     Pouco importa se importa o que apregoam Entendidos… Tarimbados… Calejados… Cinco são ou são três os Reinos!

 

     Toda essa celeuma, todo esse escarcéu, toda essa arruaça… Por quê? A quê? Para quê? A tentativa, a esperança e o desejo de sanar uma dúvida cruel, a origem destas bem traçadas linhas…

 

     Neste ponto, como caretas, fiquemos com a careta segunda divisão dos Reinos! Mineral… Vegetal… Animal…

 

     Características de cada qual e de cada um?

 

     Mineral? Dizem ser aquele formado por tudo enquanto Pedras… Rochas…  Águas… Solos… Gases… Minérios… Tais e quais… Tudo mineral da melhor espécie, nascidos daquele processo também batizado pelos Entendidos… Tarimbados… Calejados… De contínuo e, como tal, pleno de movimento.

 

     Entendeu, Cara Pálida? Nem eu!

 

     Vegetal? Formado pela galera verde/aquarelada, de múltiplos tons, organismos autótrofos e clorofilados ou capazes de produzirem seu próprio alimento, a partir do aproveitamento de uma fonte de energia e de compostos inorgânicos. Tudo batizado por aqueles mesmos Sabichões, acima enumerados.

 

     Entendeu, Cara Pálida? Nem eu!

 

     E o Animal? Ah! Dizem que esse é o Bicho! O Reino formado por organismos pluricelulares, eucariontes e heterótrofos ou aqueles incapazes de produzirem seu próprio alimento. Exploradores, espoliadores e expropriadores como se Capitalistas fossem. Ah! E multicelulares também nominados pelos Bambambãs do pedaço.

 

     Entendeu, Cara Pálida? Nem eu!

 

     Nesta altura do campeonato, vale a frase gasta, velha e cansada, uma pergunta que não quer calar! Onde é mesmo que se quer chegar? A razão deste enche linguiça? Essa enrolação… Essa embromação… Essa conversa toda pra animal dormir ou essa conversa toda pra Mineral, Vegetal e Animal dormirem?

 

     Não! Uma importante conclusão!

 

     De toda aquela Galera – Mineral – Vegetal – Animal – Racional e Irracional, destaque para o Animal Homem… O único batizado de Racional!

 

     Mas, porém, contudo, todavia, entretanto e, no entanto, revendo as páginas da História, contrariando a Ciência e abraçando a Realidade, chega-se à conclusão de que deram uma enorme vacilada, enganada e bobeada ao nominarem o Homem de Racional!

 

     Ao contrário, definitivamente, Minerais… Vegetais… Animais… Noves fora, o Homem, são, sim, todos eles os Racionais. E com a palavra ou seria com a escrita, Hubert Reeves: “O homem é a mais insana das espécies. Adora um Deus invisível e mata a Natureza visível… Sem perceber que a Natureza que ele mata é esse Deus invisível que ele adora.”

 

     Fácil… Muito fácil… Facílimo… Alguém já presenciou um Cavalo ou Rato… Rocha ou Água… Cedro ou Capim… Deitando e rolando no Tráfico… Roubo… Assassinato… Traição… Golpe… Estupro… Latrocínio… Extorsão… Ou em alguma outra qualquer outra atividade criminosa? Fala-se em Atividade Criminosa! Em Criminosas Atividades. Entendeu, Cara Pálida? Nem eu!

 

Fotografia de Xico Simonini

Francisco Simonini da Silva (Xico Simonini)  nasceu em Viçosa, MG, no dia 18 de novembro de 1941. Em sua cidade natal, em Belo Horizonte (MG), Florestal (MG), Pará de Minas (MG), Divinópolis (MG), Piracicaba (SP), Assis (SP), Primeiro de Maio (PR), Juiz de Fora (MG), Cataguases (MG), Ponte Nova (MG) e, recentemente em Santo Antônio de Pádua (RJ) construiu sua trajetória de professor e administrador do sistema educacional, além de marcante atuação na imprensa e na militância político-partidária. Aposentou-se como professor-adjunto na Universidade Federal de Viçosa (UFV), onde exercia suas funções no Departamento de Educação, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Vem atuando, há mais de cinquenta anos, no sistema educacional público e privado (da educação infantil à pós-graduação), no ensino, pesquisa, extensão e administração. Por iniciativa individual ou coletiva participou da fundação de uma dezena e meia de escolas e cursos em todos os níveis. Sua trajetória é marcada por vigorosa atuação política, partidária e sindical e em campos diversos, como músico, desportista, comentarista esportivo, escritor, poeta, chargista e responsável pela publicação do semanário viçosense “Muzungu”.

 

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