
No auge de sua carreira, Nelson Gonçalves gravou uma canção com letra de Adelino Moreira chamada Escultura, que marcou uma época de nossa juventude. Reunia os predicados de uma mulher perfeita, sintetizando aquela que seria o modelo desejado pelo autor, ou, quem sabe, por todos os homens do mundo. O erotismo sugerido nas palavras e ambientação dessa canção, tornou-a peça indispensável nos bordéis e salões de luxo, que promoviam as relações amorosas como o maior evento e prazer da vida mundana.
A escultura reunia as mais marcantes características de algumas mulheres famosas da história, ora pela beleza, personalidade e sensualidade, ora pelas virtudes, assim como pelos exemplos de uma vida plena de prazeres: para começar, “a voz de Dulcinéia”, “a malícia de Frinéia” e, em brusco contraste, “a pureza de Maria”; em seguida, “o sorriso e o olhar de Gioconda”, “o glamour de Du Barry” e “o porte de nobreza de Madame Pompadour”, completando a obra.
Um poema que quisesse seguir a mesma linha da canção de Nelson e Adelino teria um manancial muito mais amplo para se inspirar: a vastidão literária e a infinidade de poemas eróticos, que os poetas da humanidade já nos proporcionaram até hoje. E não só de poemas eróticos: também de poemas pornográficos, o que é um pouco diferente. Estes últimos até mereceram recentemente uma antologia, organizada pelo poeta carioca Alexei Bueno, a demonstrar que eles não são de somenos importância e que o mundo do sexo não tem limites. E não se trata de poesia barata, vulgar, entulhos das milhares de tentativas inúteis do fazer poético que assola a humanidade, mas de poesia inspirada e bem construída.
O poeta baiano Florisvaldo Mattos foi fisgado por uma imaginação similar. Digamos que uma imaginação igualmente tresloucada, porém autónoma. Ao conjugar a vivência erótica, no entanto, preferiu outro caminho, muito mais amplo e difícil que o de Adelino. Escreveu um extenso poema, com sessenta estrofes de três versos cada, num total de 180 versos, o que daria para construir entre dez e quinze canções, se fosse o caso. Mas esta não é a diferença principal, mesmo porque a linguagem da poesia não é a mesma da canção popular. Para começar, ele se guiou por uma linha de “erotismo exposto”, como iremos ver. E ficou muito preocupado se o poema não seria visto como pornográfico, daí sua dúvida em divulgá-lo como obra sua ou usando um pseudônimo. Na dúvida, se apresentou como Honorino (Ioiô) Rial, funcionário aposentado do Instituto Brasileiro de Grafologia. Seu poema recebeu o nome provisório de Ponteio com Tercetos Sensoriais, que ao meu ver é uma espécie de conjuminância das sensações eróticas já expressas por diversos poetas do mundo.
Antes de tudo, é preciso dizer que, embora possa sugerir, seu poema não é um estudo, um ensaio sobre o tema do erotismo, reunindo sinteticamente a lembrança dos autores mais expressivos do mundo poético sobre o tema. Muito mais que isso, reflete um momento único em sua vida: a visão momentânea de uma mulher que surge, repentinamente, diante dele, e aflora seus sentimentos de amor e de desejo. Ou seja, seu poema é a história de um sonho.
Este momento único ao mesmo tempo lhe remete ao imenso mundo da literatura e da poesia erótica, daí estender-se em lembranças, citações, argumentos e paralelismos sobre diversos autores que sua memória então desencava. É a descrição de um deslumbramento mágico, que nos envolve numa trama erótica que parece não terminar, com um misto de beleza e infinitude.
Seu poema eterniza o erotismo dentro de nós, estendendo-o a horizontes que somente os sonhos conseguem, a nos dizer que ele é o único sentimento que sobreviverá dentro de nós até nosso último dia de vida, como um incipit sem fim, numa visão freudiana. Uma espécie de imagem que paira e depois nunca se apaga dentro de nossa alma.
Mas não há dúvida de que o bolero de Nelson Gonçalves e Adelino Moreira tem uma pontuação marcante no contexto do poema. Tanto que uma das cinco epígrafes usadas pelo poeta em sua obra é o trecho de outra canção, de visão similar e paralela: a Valsa de Benedito Lacerda e Aldo Cabral, na qual os autores descobrem, em sua particular escultura mental, as mãos, braços, corpo e pés pequenos de uma mulher, num conjunto que configuraria uma “perfeita Vênus”. Não é isso, afinal de contas, o que todos os homens almejam em suas esculturas imaginárias? Uma mulher perfeita como Vênus? Vê-se que Florisvaldo Mattos poderia, se fosse do seu agrado, usar uma sexta epígrafe, com versos de Escultura, de Adelino Moreira e Nelson Gonçalves.
As referências à canção popular brasileira e à música em geral aparecem ainda na lembrança de Amélia, do samba Ai que saudades da Amélia, de Ataulfo Alves e Mário Lago, sendo que, no glossário, é citada ainda a marchinha de carnaval de 1934, A História do Brasil, de Lamartine Babo, numa alusão a Ceci, personagem de O Guarani, de José de Alencar, que virou ópera homônima de Carlos Gomes e que também desponta num dos versos.
A sutil identificação da música com a mulher, várias vezes sugerida no poema, remonta à tradição órfica, que tem no verso de um famoso soneto de Vinícius de Morais a sua revelação mais sublime: “…uma mulher que é feita / de música, luar e sentimento / e que a vida não quer de tão perfeita”. O que fica claro é que é impossível referir-se à mulher sem se referir à música. Mas nem todas as citações elegem os padrões que o poeta desenha na súbita mulher surgida em seu caminho. Às vezes é o contrário:
Tu nada tens de Laura, nem de Ofélia;
Nada de flor, bem mais tens de bromélia.
Não és Cíntia, nem Lia, jamais Amélia.
Assim, a imagem visualizada pelo poeta deve prescindir dos traços de Ofélia, Cíntia, Lia e Amélia, talvez porque as “virtudes” características dessas mulheres não sejam essencialmente modelos de erotismo, que é o forte fator de sua atração. Nesse caminho, que o poeta rejeita, Nelson e Adelino incluem até Maria, já que a mulher dos seus sonhos, embora escultural, não deixa de ser também um símbolo de pureza.
As referências do poeta são mais ácidas: Marie Mennassier-Nodier, Salomé, Kiki de Montparnasse, Lolita, Ninon Sevilla, Vênus, Hebe… Imerge no mundo delas e se entrega à ambientação das vidas que lhes marcaram; e se uma delas envolve um verso ou um poema, ele o expõe e exalta. E acaba se descobrindo num labirinto, onde o lúdico e o erótico guiam seus passos para uma saída inexistente.
O poema começa falando de Marie Mennassier-Nodier, a musa inspiradora de Félix Arvers (1806-1850), poeta francês que nos legou um soneto antológico, dos mais lindos que já se escreveu em língua francesa, traduzido para dezenas de idiomas, e que ficou conhecido no mundo inteiro como Soneto de Arvers. Nele, Félix Arvers se equipara a seus compatriotas Charles Beaudelaire e Pierre de Ronsard, que nos legaram outros dois sonetos imortais: À une passante e o Soneto de Ronsard, cujas temáticas são paralelas.
Se este começo é para lastimar que o poeta nunca será Félix Arvers, nem a sua musa será Marie Mennassier, é como se os dois lhe abrissem uma porta secreta para a ocorrência de sua grande surpresa: ele avista um “corpo nédio”, que surge para “sepultar seu tédio”. Nesse momento, começa então o seu processo de desvendamento dessa criatura, que trapaceia com deus e o diabo e lhe escraviza corpo e espírito. Sente logo que seu destino “é sem remédio”. Ele a deseja intensamente ao vê-la exposta à “cobiça de um sol devasso”, num dos versos mais bonitos do poema. Mas não deixa de ficar alucinado, diante daquela “ave na tormenta”.
Divaga. A mulher é uma “diva sonhada”, que aparece inexplicavelmente, vinda não se sabe de onde, “gasta de noites do sem-fim”, enfeitada de “silêncios” e de “lendas”. Enfeitiçado pela beleza da repentina musa, o poeta logo declara sua incapacidade de dizer o que sente, como se a beleza lhe ferisse a alma tão loucamente que o imobilizasse de inércia. Nem o absinto é capaz de salvá-lo. Delira:
Até penso que és mito, deusa ou fada.
Vontade de deixar-te embriagada,
Hoje, não amanhã, diva sonhada!
Não sabe quem é aquela mulher, talvez nunca descubra, e assim ela vira poesia. E como no soneto de Arvers, se perguntará, nos seus versos tão carregados dela:
“Quelle est donc cette femme? et ne comprendra pas”…
(“Quem é então esta mulher? E não compreenderá”…)
A partir daí, abundam as lembranças ou autoreferências: Ceci, Laura, Ofélia, Cíntia, Lia, Amélia… Ninon Sevilha, Salomé, Kiki de Montparnasse… Ou ainda Lolita e Madame de Mennessier… E pode-se negar que além dessas mulheres muitas outras são sugeridas, ora sutilmente, como uma “estátua de Rodin”, ora nas entrelinhas? Esta suposta “estátua de Rodin que o sol não veda” está deitada numa praia deserta, sobre areias brancas e quentes, sugestivamente nua:
Quando da areia branca vinhas tu,
Eu, pasmo, a desvendar o seio nu,
Pensava que outra fosses e eras tu.
O sonho de amor começa então a se realizar. Os dois amantes se buscam, se atraem, se beijam, se unem. A ardência do sol se confunde com a ardência do tato. Finalmente, eles entregam as suas almas e os seus corpos para as delícias do sexo. Mais adiante os dois se separam. Mas nunca esquecem um do outro. O tempo passa. O reencontro é inevitável. O episódico se torna infinitesimal. Eles se buscam. E se reencontram, agora num quarto confortável.
No quarto, como num lance de dados,
Eu, com meus olhos vãos, arregalados,
Irrompes tu, de peitos derramados,
De coração aberto qual um mar,
Eu, só espanto, sentado, a te mirar
Os seios, duas bolas de bilhar…
Tudo se repete: beijam-se, lambem-se, sugam-se, amassam-se, consomem-se. O amante se precavém, o êxtase não deve se consumar tão cedo, pois o momento é infinito. Prolonga-o, como se para torná-lo eterno.
Entre lençóis ou no sofá da sala,
És a luz que me espera. A Lua fala.
Sonoro vento sopra em céu de opala.
Subo e chego ao pedestal dos seios;
Percebo lentamente os teus gorjeios.
Se desço em disparada, perco os freios.
Neste momento há um lugar para o non sense. No auge do amor, quem sabe um intervalo lúdico para aumentar a expectativa do interminável? Pois é a isso o que o amante conduz: simplesmente, uma dança; “um mambo”:
Mordes-me e, de teus antes ternos
Olhos, ora de fogo e brasa internos,
Fluem ardências semelhando infernos.
Beijo-te. Tu me lambes, eu te lambo
Sexo e pernas, e os seios cor de jambo.
Dali saímos para dançar um mambo.
Os amantes voltam à praia, andam, circundam por aí, não têm pressa. O desejo é inesgotável, e segue com eles:
Sentamo-nos à beira do caminho.
Hebe nos serve taças de áureo vinho.
Brindamos. Eu te cubro de carinho.
De repente, um verso irretocável e forte abre um terceto que leva o impudente leitor a também alcançar o êxtase:
Tens uma lua de ouro dentre as pernas.
Levas-me a ela, com mãos leves e ternas.
Rasgam-me o corpo sensações eternas.
Mas o momento se amplia e pastoreia os pensamentos do leitor, que já se perde em longos devaneios:
Súbito, deste-me a rosa, e eu beijei-a.
A rosa rubra de uma vã sereia,
Estendida na minudente areia.
Eu, de novo, te lambo e tu me lambes, (…)
E o poeta, despovoado de qualquer censura, volta a assombrar os que acham impossível poetizar o sexo:
De cima a baixo, ó tempora, ó mores!
E eu, a sentir que vem de teu clitóris
Uma doçura de ambrosia… Ó flores!
Para concluir, adiante, com esta imagem sedutora:
Pele em brilho auroral de sóis amenos,
Os seios fartos de florais acenos,
Cubro-te, como as águas cobrem Vênus.
Depois de dedicar alguns versos ao corpo da amada-musa, o poeta nos surpreende, novamente, com outro non sense. Dessa vez, é uma súbita viagem:
Para aplacar o caos que me atordoa,
Saímos os dois e vamos para Goa,
Com caravela e mar de sorte boa.
Mas, o que fazer em Goa? — logo nos perguntamos, com certa aflição. E descobrimos que o amante não consegue se separar da poesia em nenhum momento; para ele, sexo também é poesia. Quer ouvir de Camões uns sonetos de amor, para embalar seus sonhos eróticos. Este tempero lhe é absolutamente necessário e indispensável:
Camões estará lá com seus sonetos,
De almas gentis, sonhos e amor repletos,
Sem que ventos e céus imponham vetos.
É a partir desse ponto que o amante-poeta ou o poeta-amante começa a pressentir que apenas sonha. A própria musa perguntará; “Que mulher será essa?” e ele responde: “Descobrirás!”. E continua a desvendar o próprio sonho erótico:
Não podes ser Marie Mennessier,
Porque beleza hoje é só mais de ver.
Não é de imaginar, não é de ser.
E o poeta pergunta à musa o porquê de tudo aquilo:
Oh! Musa de um sonhar primaveril,
Por que acendes em mim furor viril,
A enredar-me em lascívias cor de anil?
e ele próprio se responde:
Ah, tudo igual a ter-me um amanhã,
A me lembrar o canto da cauã,
Que me tirava o sono de manhã!
Ao responder, se tranquiliza e se entrega à realidade:
Aspiro que, no final desse ponteio,
Tudo que de alegria e amor me veio
Seja navegação de farto enleio.
E assim, pode concluir o poema com chave de ouro:
Deste sonho varonil me despeço.
Acordo. Vou à estante, leio e meço:
Não se resume a vida em ter sucesso.
À tarde, como se mirasse o mar,
As cortinas abro, de par em par.
Não há nada melhor do que sonhar! (grifo nosso)
A descrição dessa relação amorosa, desse coito imaginado, quase explícito e aparentemente interminável, tem suas sutilezas e seus descontroles lúbricos. O ato sexual é exposto, ora familiar e docemente, ora cru e sem pejo, voraz e selvagem. A poesia o enriquece. As palavras não escondem o ardor do momento. Os verbos explodem: beijar, lamber, morder, trepar, cobrir, gozar, sugar e tantos outros, ponteiam ao redor de um “clitóris exuberante”, manancial de mel e de essências exóticas: “ambrosia”.
Se os verbos são explícitos, os substantivos e adjetivos os acompanham; seios, lábios, carne, sangue, braços, coxas, peitos, clitóris, sexo, virgindade, nua, mel, ambrosia, ardências, rosa rubra, gozo em lava, furor viril, lascívia cor de anil… E as palavras não soam independentes; as expressões nas quais elas entram ampliam os seus significados, num fenômeno contínuo de apelo ao subtendido:
Eu te ofereço mel, em tardes calmas.
ou
Nada de flor, bem mais tens de bromélia.
Ou ainda
Abres-me o sonho em púrpura de flor,
De fruto mesmo, doce e multicor;
De canto em ramos, vésperas de amor.
O “mal-intencionado” também está presente. Como no momento em que o poeta vê sua musa com um livro na mão e pergunta:
(…) A mente aflita,
Curiosa, indaga: “Não será Lolita?”;
Mas não há como não destacar, ao lado desse aspecto, um outro de igual importância: a candura com que a musa é tratada em alguns versos, de um lirismo apaixonante, levando-nos a lembrar dos numerosos poemas de amor imortais que a literatura mundial nos legou.
Desse modo, esta pequena abordagem final é necessária para demonstrar que o poema de Florisvaldo Mattos, embora erótico na essência, jamais descamba para o vulgar ou o puramente pornográfico. Sua raiz poética floresce a cada estrofe, como essa abaixo, de puro lirismo, bem à moda de um terceto dos grandes sonetos de amor:
Já te queria, quando a mão me deste,
Na praia azul voltada para o Leste.
Eras só luz; em mim amanheceste.
Assim, o poema pode ser lido como um buquê de metáforas, embelezadas pela rima contínua dos tercetos, técnica de difícil consecução.
Resumo: Ponteio com Tercetos Sensoriais é o poema do mais belo sonho de amor, de um sonho universal.
A abordagem do vocabulário usado também serve para situar o poema no contexto de nosso momento histórico. Não tenho conhecimento de uma antologia que tenha reunido exaustivamente os poemas eróticos de nossos grandes poetas, que, tenho certeza, são abundantes. Não seria o momento de organizá-la?
Mas essa duplicidade de elocução – ora amorosa ora pornográfica – acaba por exorcizar o poema e o poeta, livrá-los de qualquer pecado mortal. Viemos dizer a Florisvaldo Mattos que fique tranquilo. Não será queimado na fogueira das novas inquisições. Seu poema é feito de poesia pura, limpa e verdadeira. E também impura, por que não?
Pois sim, desde que o li pela primeira vez, o poema me fez lembrar da Antologia de poesia portuguesa erótica e satírica, organizada e publicada pela grande poeta lusófona, nascida nos Açores, Natália Correia, ela mesma também participante da obra, porque grande poeta erótica. Naqueles tempos salazarentos, essa publicação valeu à poeta uma perseguição cruel e contínua da famigerada PIDE. Natália teve praticamente todos os seus livros censurados, sua Antologia foi apreendida e durante 7 anos ela respondeu a um processo covarde, misógino, politicamente tendencioso e injusto, vindo a ser condenada a pesadas multas, junto com alguns poetas participantes da obra ainda vivos na época, como Mário Cesariny e Luiz Pacheco, assim como seus editores. Acatando as alegações da PIDE, a justiça de Salazar considerou a obra um “atentado ao pudor e à decência pública”. O mundo literário se levantou contra essa ignomínia.
E olha que na Antologia figuram os poetas de maior relevo da literatura portuguesa, que são Camões, Bocage e Fernando Pessoa, além de Eugênio de Castro, Mário de Sá- Carneiro (lembrado por Florisvaldo em Salomé), Almada Negreiros, José Régio, Cesário Verde e outros. O poema de Fernando Pessoa incluído na Antologia, o Epithalamium, não é muito conhecido, pois se trata de um de seus “poemas ingleses”, até aquela época sem tradução portuguesa. Natália Correia o descobriu, e precisou traduzi-lo. Vale a pena citar aqui pelo menos um de seus versos, na versão dela, a título de reflexão:
Já o pensamento da mão do noivo a apalpa
vede! mesmo onde se intimida a sua mão.
Que maravilha! Não é mão do noivo que apalpa a provável noiva, é seu pensamento! Eis um mecanismo hoje universal, e que não está muito distante dos usados pelo poeta Florisvaldo Mattos.
Se vivêssemos situações similares às do salazarismo, ou da recente ditadura militar brasileira Ponteio seria impublicável. O autor estaria sujeito a sérias perseguições. Ainda bem que vencemos a censura ditatorial e não há sinais de que ela possa retornar tão cedo ao nosso país. Ó tempora! Ó mores!
Paulo Martins, escritor e poeta, 09/11/2024
(Continua na próxima edição)
Paulo Martins nasceu em Ipiaú-Bahia, e morou em Jequié, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Pequim, Paris, Salvador, Porto Seguro e outras cidades. Reside atualmente em Lisboa, Portugal.
É poeta, letrista de canção popular, romancista, cronista e ensaísta, autor dos romances Glória Partida ao Meio (7 Letras 2010); Adeus, Fernando Pessoa (7 Letras, 2014); História de Roque Bragantim – Olhares do Campo (Cultura Editorial, 2017); e do ensaio Jacques Brel – A Magia da Canção Popular (7 Letras, 1998). Os seus livros mais recente são As Diabruras de Orfeu – Cantorias sem fim (Editora Lacre, 2020) e Até breve, poeta (Kotter Editorial, 2022). Divide-se, desde a adolescência, entre as duas maiores paixões de sua vida: a política e a literatura.










