
Xico Simonini
Péssimas conselheiras a amizade e a admiração,
quando a tarefa é falar de um líder e amigo. Admiração
pelo imenso repositório de atitudes desassombradas,
em prejuízo das legítimas demandas pessoais…
Representante d’Os Cocada Preta… Representante da Classe Média Baixa… Representante dos Descrentes na Burguesia… O Analista do Jogo – crítico ferrenho do injusto e louco Esquema de Jogo da Sociedade Capitalista. O Súdito que prega com discursos inflamados e subverte com escritos gritados…
Zemaria é a figura arquetípica do exilado. Um exilado que se viu em Reinos estranhos para garantir a própria segurança e a integridade da família… Reino de Bolívar… Reino dos Andes… Reino da Gália…
De qual exilado se fala aqui?
Do desassombrado Jornalista que esbofeteou o esbirro-símbolo da intrusão imperialista, relegando às páginas escusas da História o nome de um Gorila Cinco Estrelas?
Do persistente Repórter, que não se intimidou e soube desbravar pioneiro o caminho para o Jornalismo-Verdade da imprensa alternativa, apesar das dificuldades e até do empastelamento de seu semanário, O Binômio?
Do engajado Intelectual que, visionário, pensou ser possível concretizar, noutras plagas, o Sonho adiado em seu Reino e tentou, noutras longitudes, igualmente Espoliadas, viver a magia da Construção de uma Realidade quase Utópica nas sofridas Infernálias, mais precisamente, nas chamadas Latinoaméricas?
Do frustrado Reformador nos devaneios de sua busca e luta, vendo, no Reino dos Andes, o sublime Imperador Allende cair com uma vez mais, o projeto de novo Reino de Nova Ordem, sob a carga dos mesmos Gorilas, Xerifes, Delegas e Carabineiros a serviço do Setentrião que antes lhe tolhera os passos?
Do pragmático Homem das Letras, que soube fazer a ponte para os outros, prodigalizando abrigo, informação e, sobretudo, a aragem da Liberdade, em uma livraria-entreposto para os Sonhos, liame umbilical de tantos com seu Reino distante?
Do intimorato Guerreiro, que jamais se conformou com seu Reino submetido ao terror e ao obscurantismo, imposto por parcelas Dominantes das Legiões Armadas que não tiveram o pejo de se tornar instrumento d’Os Donos da Cocada Preta?
Do incansável Militante que, em nome de um Projeto Político, ofereceu o próprio nome para a luta, em memoráveis campanhas eleitorais?
Por estas e por tantas outras… Apesar de tudo exposto, fala-se de um Súdito que soube ir além, transformando-se na expressão fiel de um Fundanguense exemplar, que permanece exilado até o Presente…
Em sendo assim… Está no exílio, pois seu verdadeiro Reino é diferente do que buscou e do que se constrói nesta quadra, neste Reino destas Fundangas Varonis.
Com tudo isto e por tudo isto… Exilou-se para o Reino Soberano e Independente, que não foi submetido às imposições d’Os Donos da Cocada Preta, cordéis do Capital Predatório da Humanidade, a quem não importam as misérias e privações das Multidões Excluídas.
Pouco importa, se importa… Exilou-se para o Reino onde o ensino é universal, gratuito, de qualidade e de tempo integral, garantindo um direito básico da Pessoa Humana.
E, assim, por assim dizer… Exilou-se para o Reino que soube garantir, a todos os seus Súditos, emprego, saúde, moradia, transporte, cultura, lazer, segurança e outros requisitos fundamentais a que todos têm direito.
Concluindo… A conclusão final… Definitiva… Exilou-se para o Reino que soube fazer Realidade os Direitos da Coletividade, garantindo o mínimo para que os Súditos possam viver com Dignidade e não apenas subsistir. Onde é possível acreditar no Futuro e, principalmente, onde é possível constatar que o Sonho não está desfeito, quando as janelas se abrem para o Sol de todos os dias.
Apesar deles…
Dos Poderosos de Plantão… Imperadores, Condes, Alcaides – Bruxos, Cartolas, Bate-Paus e Assemelhados…
Francisco Simonini da Silva (Xico Simonini) nasceu em Viçosa, MG, no dia 18 de novembro de 1941. Em sua cidade natal, em Belo Horizonte (MG), Florestal (MG), Pará de Minas (MG), Divinópolis (MG), Piracicaba (SP), Assis (SP), Primeiro de Maio (PR), Juiz de Fora (MG), Cataguases (MG), Ponte Nova (MG) e, recentemente em Santo Antônio de Pádua (RJ) construiu sua trajetória de professor e administrador do sistema educacional, além de marcante atuação na imprensa e na militância político-partidária. Aposentou-se como professor-adjunto na Universidade Federal de Viçosa (UFV), onde exercia suas funções no Departamento de Educação, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Vem atuando, há mais de cinquenta anos, no sistema educacional público e privado (da educação infantil à pós-graduação), no ensino, pesquisa, extensão e administração. Por iniciativa individual ou coletiva participou da fundação de uma dezena e meia de escolas e cursos em todos os níveis. Sua trajetória é marcada por vigorosa atuação política, partidária e sindical e em campos diversos, como músico, desportista, comentarista esportivo, escritor, poeta, chargista e responsável pela publicação do semanário viçosense “Muzungu”.










