
Canto
onde estiver,
sou
o que
canto.
Canto
as lágrimas
que não
posso chorar.
Canto
a voz
que
tentam
calar.
Canto
as palavras
que
fogem
de mim.
Tudo
canto.
Tudo
o que não
posso dizer.
Canto
a saudade,
canto a alegria,
canto a solidão,
canto as
vozes que habitam
em mim.
*
Quem
sou eu
nesta
terra?
Quem
sou eu
entre esta
gente?
Por
onde vou,
rostos
e vozes se
erguem.
Querem
saber
quem
sou,
porque
lá estou.
Quem
sou
eu?
Pergunta
outro
reflexo
do outro
lado da
rua:
Quem
somos
nós?
*
Escrevo as
mãos que
sangram
nos campos
áridos.
Sonho
a esperança
nos olhos
baços,
consumidos
pela escravidão.
Sou o punho
que se ergue
rumo
à alforria.
A alforria,
o sonho,
e a esperança
são utopia,
são o mantra
dos oprimidos.
HERA DE JESUS
[Maputo, Moçambique,1989]
Começou a escrever desde tenra idade. De 2013 a 2017, participou e foi distinguida em alguns concursos internacionais de poesia. Tem textos publicados nas antologias “Soletras Esse Verso” (2018); “Fique em Casa” (2020); “Linguagens e suas Tecnologias, Manual do professor” (2020); E ” No Cais do Amor” (2022).
Tem contribuído para as revistas Lidilisha, Soletras, Ómnira, Contioutras, Por Dentro de África, Escamandro, Avenida Sul, Mallamargens , Folhinha Poética, Cultural Traços/ Alta Cultura, Germinaliteratura, e Incomunidade. É membro da Confraria Brasil/Portugal.










