
Num de seus livros Leandro Karnal cita o escritor argentino Alberto Manguel que disse certa vez que existem três tipos de leitores.
O viajante, a torre e a traça. Identifiquei a torre que entre laços de conceitos me levou à Indústria Cultural.
Lá vem ela, sim, a poderosa, velha e atual indústria cultural.
Pois a torre do argentino se refere ao isolamento reflexivo onde o “ser ou não ser” está de olho.
Na Dinamarca e…nas mídias malditas. Karnal insere seus termos dizendo que nas tais torres podemos pensar melhor ou como ele próprio diz, “pensar sozinho”.
Será?
Não é o que viviam os desgraçados nas torres medievais em suas celas do horror.
Não é o que parece ao ouvir os velhos(mas atuais) formadores de opiniões destilando suas preferências na sociedade atual em suas torres imperiais.
A verdade pouco importa, e o pior, milhões seguem os verbos repulsivos e interesseiros.
Alerto aos desprevenidos que, pelo menos, eu acho melhor pegar em palavras do que se subjugar com as pedras rolantes. Se essa é a questão, estou definido.
Eis a questão…
Armas reais ou conceitos demolidores(no bom sentido), sim, ah, e forçando meu empirismo a ser corajoso, pois eles, sempre eles, vão dizer que suas culturas são superiores.
Se as masmorras medievais e pós-modernas calam os oprimidos, talvez as torres de Alberto Manguel revelem resiliências ao propor “pensar sozinho”.
É o que os frankfurtianos alertavam com suas teorias esclarecedoras onde armadilhas das indústrias culturais passeavam sorrindo.
Prefiro as torres de chopp que na metade do caminho fazem minhas teses desfilarem com certa arrogância.
O empirismo é salutar, ora, como diz o outro, quando dois indivíduos encerram a leitura de um livro, nunca haverá um consenso final.
O meu passado não é o seu, aliás, nem entendo muito bem o que já passou.
E muito menos o que pode vir, ora, como antecipar o que vem (cuidado com a ansiedade) se não tenho controle nem com o passado.
Se o trem das Sete horas do Raul Seixas leva às nuvens eternas, um amigo acreditava que esse mesmo trem levava ao sertão que um dia viraria mar.
Que viagem.
Cada um com seu caminho nos trilhos de ferros.
Assim como suas vilas de Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez nunca serão as minhas…ah, as torres empiristas…
Elas, as torres empiristas são essenciais, são nossos mundos, o que conhecemos. Nada vai me servir sem meu empirismo.
Mesmo sabendo de coisas que existam, como imaginamos, convenhamos, será apenas uma imagem.
Porém, mesmo essa imagem tem limites e dependem do meu empirismo.
Repito, do meu empirismo, do meu trem, da minha vida a rolar…
Que viagem.
Não, não é complexo, é simples, como vou rebater com palavras de algo que não conheço?
O irritante é ouvir alguém preso na torre, em sua masmorra, encarcerado e gritando suas teses absurdas.
O jornalista Coca Trevisan nasceu em Santa Maria, RS. Atuou como repórter e redator nos jornais NH, de Novo Hamburgo; VS, de São Leopoldo e Jornal Alto da XV, de Curitiba. Como profissional freelancer assinou matérias em diversos periódicos. Participou de workshops e atuou em debates sobre a Indústria Cultural dos anos 1980/90. Mais recentemente, concluiu pela PUC-RJ o Curso de Extensão Origens do Existencialismo. Mantém e abastece o blog Violências Culturais. Atualmente mora em Florianópolis, SC.










