
Meu país,
Ai, ai, meu país,
Ai do meu país,
coitado do meu país.
Meu país,
hoje é terra de ninguém,
terra sem lei e direitos humanos.
Meu país,
País das dores.
Sinto as dores de Cabo Delgado
em meu corpo.
Carregado o luto das
vidas ceifadas na minha alma.
Sinto as dores do país inteiro,
Sinto a dor do povo.
Meu país é muito rico
em recursos naturais,
Mas o povo é muito pobre.
Meu país
está dividido.
Entre os muito ricos e os muito pobres,
os protegidos e os perseguidos.
Meu país
perdeu a sensibilidade
pela vida humana,
perdeu o espírito patriótico e a tolerância,
perdeu o amor ao próximo.
Barricadas nas estradas,
dísticos empunhados, gritos e cânticos,
essa é a voz dos injustiçados, desempregados, abandonados,
marginalizados.
Pneus em chamas,
corpos sem almas,
protestos e manifestações por todo o
lado,
esse é o grito de socorro
do povo.
Meu país,
País das matanças,
País dos raptos e sequestros,
aqui gritam mais alto
a violência e as armas,
uma criança baleada,
uma senhora baleada,
um senhor baleado,
um jovem baleado,
meu coração apertado
pelas balas disparadas das armas da polícia.
Morgado Henrique Mbalate, mais conhecido por Morgado Mbalate, o Anjo das Palavras, nasceu em Maputo, no dia 6 de Setembro de 1993. É um premiado escritor moçambicano, activista cultural, filósofo, e poeta. Um dos maiores expoentes da Literatura jovem Africana e moçambicana de expressão portuguesa. É membro da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), graduado em Filosofia pela Universidade São Tomás de Moçambique (USTM, 2018). Estudou Electrónica e Telecomunicações na Escola Nacional de Aeronáutica (ENA, 2012). Especialista em Comunicação e Marketing, em Relações Públicas e Linguística. É autor dos livros: Odisseia da Alma (Edições Esgotadas, 2016), A Arte Suave da Palavra (Chiado Books, 2020), Co-autor do CD de Literatura Negra O que nos a Bala (Comunidade do Tambor, 2018). De entre Prémios e Distinções: destaque para o Prémio Bicentenário de Dostoiévski (2021), menção honrosa no Premio Mondiale di Poesia Nosside (2014), menção honrosa no Prémio Fernanda de Castro do IV Concurso Internacional de Poesia e Prosa (2017). Colabora com diversas revistas a nível nacional e internacional. Seu poema “Africanizando” foi reproduzido em diversos livros didáticos do ensino fundamental brasileiro, e seus textos foram traduzidos para francês, inglês, espanhol, italiano, e são estudados em escolas e Universidades em Moçambique e no Brasil.










