
O grande acontecimento do ano de 2024 que acaba de findar é o maior ataque feito em todo o mundo à democracia desde os tempos do nazifascismo pela plutocracia e pelo negócio daquilo a que Hannah Arendt chamou a “mentira organizada”, e a colaboração que lhe têm dado as chamadas democracias ocidentais.
Começamos pelo caso português.
O criminoso e desprezível Ventura tem vindo a utilizar, com o apoio dos meios de comunicação social, a velha tática nazi e fascista de construção de um inimigo externo para instituir uma ditadura interna, obviamente disfarçada de democracia.
Os inimigos de Portugal, para Ventura e a canalha que o apoia, são os ciganos e os emigrantes, que põem em causa a segurança e os postos de trabalho dos portugueses.
Quanto aos ciganos, ainda agora ergueu a voz a propósito de um assassinato, ocasional, em Viseu.
Para repor a verdade citamos os números do INE: em 2007 houve 185 homicídios, em 2023 houve 74 homicídios voluntários.
A diminuição do número de homicídios voluntários é enorme.
Sobre a criminalidade entre os emigrantes remetemos para esta informação do POLÍGRAFO SIC:
https://poligrafo.sapo.pt/politica/mentira-nacional-do-ano-sensacoes-de-ventura-perdem-contra-os-factos-sobre-os-imigrantes/
A mentira é o modo normal de agir do Ventura para causar sensação de insegurança e medo. Um criminoso desprezível.
O que sucede em Portugal tem sucedido em escala muito maior naquela que é a maior potência económica e militar do mundo, os ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA.
Este ano mostrou, como nunca aconteceu na América, o triunfo mais descarado da plutocracia. O maior plutocrata do mundo, Elon Musk, conseguiu eleger um desprezível e vulgar criminoso para presidente os EUA, investindo 200 milhões de dólares nessa eleição, que levou o seu cão de palha ao poder que, na realidade, é exercido por ele mesmo, Musk, pois o seu cão de palha logo o nomeu para Presidente sombra.
A finança americana detém cerca de 80 % da comunicação social da América, televisões, jornais e revistas. Somando a isso os meios de comunicação de Musk, esse domínio não andará longe dos 100%. A América será dominada, mais do que nunca, pelos interesses dessa plutocracia, que manipula a opinião pública e proíbe os meios de comunicação que lhe não são totalmente afetos, como é o caso do TikTok e meios de comunicação russos ou russófonos.
Edward L. Bernays, um autor americano que se debruçou sobre a propaganda, escreveu em 1928: “A manipulação consciente e inteligente dos hábitos e opiniões organizados das massas é um elemento importante na sociedade democrática. Aqueles que manipulam este mecanismo invisível da sociedade constituem um governo invisível que é o verdadeiro poder governante do nosso país [EUA].”
Com Musk e Trump, a América recupera a velha doutrina do “DESTINO MANIFESTO” criada para justificar a anexação do Texas pelos EUA e cujo conteúdo essencial era o seguinte nas palavras de um seu propagandista, o senador Albert Beveridge (EUA 1862-1927): “Ele [Deus] fez-nos os mestres organizadores do mundo para estabelecer uma ordem onde reina o caos. […] Ele fez-nos adeptos do bom governo para que possamos administrá-los aos povos selvagens e senis […] Ele marcou o povo americano como Sua nação escolhida para finalmente liderar no trabalho de regeneração do mundo. Essa é a missão divina da América […] Nós somos os depositários do progresso mundial, os guardiões da paz virtuosa”
A paz virtuosa de Musk e Trump poderá ser o holocausto nuclear, para o qual a plutocracia americana, secundada pelos seus lacaios europeus, está a conduzir o mundo.
A manipulação do que se tem passado na Ucrânia massacrada para servir, unicamente, os interesses americanos. A normalização dos crimes de guerra e de genocídio de Israel, a grande farsa da Síria, a anulação de eleições quando elas não lhes são favoráveis, como sucedeu na Roménia, são exemplos disso.
Termino com uma citação de Alexandra Lucas Coelho, num texto com o título “Israel acabou. O futuro é da Palestina.”
“ Esse horror não seria possível sem as bombas e os milhões dos EUA. Biden é um criminoso de guerra. Como Scholz, Ursula, a maior parte da UE (com três ou quatro países a fazerem a diferença). O mundo que permite que se extermine um povo em nome de Deus, e ainda se considera religioso…”
Só os nazis cometeram contra os judeus e os eslavos idêntico horror. Por isso não é de estranhar que Musk esteja agora a apoiar financeiramente e pelos meios de comunicação que domina os partidos neonazis em todo o mundo.
Como nos EUA com a vitória de Trump, ele poderá, em caso de vitória dos seus cães de palha, recuperar em triplicado o investimento que fez.
HENRIQUE DÓRIA
BIOGRAFIA: É advogado e colaborou no Diário de Lisboa Juvenil e nas revista Vértice e Foro das Letras. Tem quatro livros de poesia e três de prosa publicados. É diretor da revista online incomunidade.com, e da Rádio Transforma.










