
Foto de Darren Halstead na Unsplash
Para conhecermos o tempo presente temos de conhecer o
tempo passado, pois só à luz do passado poderemos
compreender o presente. É assim para compreendermos o
combate atual entre o chamado Ocidente, antes constituído
pela aliança entre a Europa e os Estados Unidos da
América através da NATO, agora, ao que tudo leva a crer,
só através dos países de União Europeia e da Grã
Bretanha, após a “traição” de Trump aos seus aliados da
NATO.
Lembremos a história.
A 4 de Abril de 1949, os Estados Unidos e 11 países
europeus, entre os quais Portugal, então governado por
Salazar, assinaram o Tratado do Atlântico Norte, um
tratado que visava, alegadamente, impedir a agressão da
União Soviética de Estaline a qualquer país da aliança.
A esses 12 países fundadores, foram-se juntando outros
países, em número de 20, começando pela Grécia e pela
Turquia em 1952 e pela Alemanha em 1955.
À NATO respondeu a União Soviética com a criação do
Pacto de Varsóvia com os países do chamado bloco
socialista, em 1955.
A 1 de Julho de 1991, o Pacto de Varsóvia foi extinto, e foi
firmado um compromisso entre os Estados Unidos e a
Rússia em que os Estados Unidos se comprometeram a
não alargar a NATO para outros países do dissolvido Pacto
de Varsóvia.
Não foi cumprido esse acordo e a NATO foi-se expandindo
para os países do Pacto de Varsóvia, começando pela
Hungria e pela Checoslováquia em 1999, apesar de a
Rússia, o que restava da dissolvida União Soviética, não
representar qualquer perigo militar. Pelo contrário, assinara,
em 1997, o chamado "Ato Fundador NATO-Rússia", um
acordo para o bom relacionamento entre a NATO e a
Rússia, e, cinco anos mais tarde, formou-se o Conselho
NATO-Rússia para aprofundar essa relação. A Rússia foi
mesmo aceite com assento permanente na sede da NATO,
em Bruxelas.
Mas, em 2008, os EUA liderados por Bush filho, propõem a
adesão à NATO da Ucrânia e da Geórgia, duas antigas
repúblicas da União Soviética que se tinham tornado
independentes. Por parte da NATO era clara a intenção de
aumentar o cerco à Rússia, quer no flanco ocidental quer
no flanco sul.
É neste contexto que a NATO leva a cabo um golpe militar
que depõem Yanukovich, presidente da Ucrânia livremente
eleito que pretendia a neutralidade da Ucrânia, e colocou
na presidência da Geórgia uma antiga diplomata francesa
Salome Zurabishvili, que tem a dupla nacionalidade
francesa e georgiana e fora diplomata francesa. Zelensky,
colocado no poder em Kiev, pede a adesão à NATO que
não lhe é negado.
O que veio a seguir é conhecido: a Rússia, que a NATO
considerava impotente para retaliar, ocupa a Crimeia em
2014 e invade o Donbas em 2022. O sofrimento do povo
ucraniano e a destruição de parte da Ucrânia, na sequência
dessa invasão, é bem conhecido.
Mas, agora, o amigo americano, muda de ideias, abandona
Zelensky à sua sorte e dos aliados europeus, e exige
metade das terras raras da Ucrânia em pagamento de uma
ajuda que Zelensky e os europeus consideravam ser
gratuita. Claro que a paz é também conseguida com bons
acordos comerciais com uma Rússia cansada da guerra.
Entretanto, o complexo militar americano escoou material
de guerra que tinha dificuldade em armazenar, ganhou
muito dinheiro à custa, numa primeira fase, dos povos
americano e europeu, e, agora, do povo ucraniano. Mas
Zelensky e a clique ucraniana corrupta não ficarão
descalços.
Como dizem os americanos, é tudo negócio.
HENRIQUE DÓRIA
BIOGRAFIA: É advogado e colaborou no Diário de Lisboa Juvenil e nas revista Vértice e Foro das Letras. Tem quatro livros de poesia e três de prosa publicados. É diretor da revista online incomunidade.com, e da Rádio Transforma.
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