Um projeto de desmanche
meu retrato em aquarela
esquecido na chuva
cabelos emprestados
aos pássaros
como matéria-prima
de ninhos efêmeros
meu sangue
vai colorir algum rio
que nos livros de escola
se chamará Rio Vermelho
mas as crianças não
saberão o porquê
as unhas vão adubar
canteiros de flor
na abadia das carmelitas
descalças
a pele será pergaminho
para poetas obscuros
escreverem versos de amor
e morte
que ninguém vai ler
minha arcada dentária
jamais será identificada
antes confundida
com a de uma mulher estrangeira
que morreu grávida
calendários do futuro
não reconhecerão meu sobrenome
sumirei no vento
DNA perdido
como um lenço
Daniela Pace Devisate nasceu em São Paulo, capital, em 20 de julho de 1971. Vive atualmente em Iguape. é professora de arte, poeta e artista visual. Teve poemas publicados em diversas revistas literárias digitais, como Germina, Mallarmargens, Literatura&Fechadura, entre outras. Em 2018, participou da coletânea da antologia Voos Literários, pela editora Essencial. No mesmo ano, participou de feiras de publicação independente, onde vendia seus livros artesanais de poesia, editados por sua editora cartonera, a Verso Livre. Em 2019, lançou Haikai Tupy, edição independente com tiragem minúscula. Em 2020, participou da plaquete As luas e suas variações, organizador Cláudio Daniel; participou da antologia Simpósio dxs poetxs bêbadxs; publicou um poema na revista portuguesa T¨lön, editada por Luiza Nilo Nunes e nesse mesmo ano, publicou seu primeiro livro individual, Tantos Quartos lunares, pela editora Urutau. Em 2021, saiu no livro As mulheres poetas na literatura brasileira, editora Arribaçã. Lançou um livro pela editora Kotter, Véus de Alethea. O seu último livro publicado é Berço de lírios, pela Editora Cloe, 2023.










