Cultura

Meu país | Morgado Mbalate

Foto de Farah Nabil na Unsplash

Meu país,

Ai, ai, meu país,

Ai do meu país,

coitado do meu país.

 

Meu país,

hoje é terra de ninguém,

terra sem lei e direitos humanos.

 

Meu país,

País das dores.

Sinto as dores de Cabo Delgado

em meu corpo.

Carregado o luto das

vidas ceifadas na minha alma.

Sinto as dores do país inteiro,

Sinto a dor do povo.

 

Meu país é muito rico

em recursos naturais,

 

Mas o povo é muito pobre.

 

Meu país

está dividido.

Entre os muito ricos e os muito pobres,

os protegidos e os perseguidos.

 

Meu país 

perdeu a sensibilidade

pela vida humana,

perdeu o espírito patriótico e a tolerância,

perdeu o amor ao próximo.

 

Barricadas nas estradas,

dísticos empunhados, gritos e cânticos,

essa é a voz dos injustiçados, desempregados, abandonados,

marginalizados.

 

Pneus em chamas,

corpos sem almas,

protestos e manifestações por todo o

lado,

esse é o grito de socorro 

do povo.

 

Meu país,

País das matanças,

País dos raptos e sequestros,

aqui gritam mais alto

a violência e as armas,

uma criança baleada,

uma senhora baleada,

um senhor baleado,

um jovem baleado,

meu coração apertado

pelas balas disparadas das armas da polícia.

fotografia de Morgado Mbalate

Morgado Henrique Mbalate, mais conhecido por Morgado Mbalate, o Anjo das Palavras, nasceu em Maputo, no dia 6 de Setembro de 1993. É um premiado escritor moçambicano, activista cultural, filósofo, e poeta. Um dos maiores expoentes da Literatura jovem Africana e moçambicana de expressão portuguesa. É membro da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), graduado em Filosofia pela Universidade São Tomás de Moçambique (USTM, 2018). Estudou Electrónica e Telecomunicações na Escola Nacional de Aeronáutica (ENA, 2012). Especialista em Comunicação e Marketing, em Relações Públicas e Linguística. É autor dos livros: Odisseia da Alma (Edições Esgotadas, 2016), A Arte Suave da Palavra (Chiado Books, 2020), Co-autor do CD de Literatura Negra O que nos a Bala (Comunidade do Tambor, 2018). De entre Prémios e Distinções: destaque para o Prémio Bicentenário de Dostoiévski (2021), menção honrosa no Premio Mondiale di Poesia Nosside (2014), menção honrosa no Prémio Fernanda de Castro do IV Concurso Internacional de Poesia e Prosa (2017). Colabora com diversas revistas a nível nacional e internacional. Seu poema “Africanizando” foi reproduzido em diversos livros didáticos do ensino fundamental brasileiro, e seus textos foram traduzidos para francês, inglês, espanhol, italiano, e são estudados em escolas e Universidades em Moçambique e no Brasil.

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