Cultura

Saberes incertos | Coca Trevisan

Foto de Lysander Yuen na Unsplash

Eu quero absorver incertezas e Descartes que vá para…bem longe…

Não almejo remédios certeiros (no saber), muito menos receitas de bolos perfeitos.

    Gaston Bachelard disse certa vez que “toda descoberta real determina um método novo e, portanto, deve arruinar um método anterior”.

    Sim, é isso, dizer agora o contrário do que disse antes, Raul sabia das coisas…sem medo daquela ideia de que todo método deve, ou deveria ter um final feliz…

    Nietzsche, outro maluco beleza, reforça nosso time dizendo que “o método vem no final”.

    E para seguir o baile, o perfume fúnebre de Schopenhauer acrescenta que no final vamos religar os pontos.

    Confuso?

    Ainda bem…é o que quero, porém uma confusão sem necessidade de psiquiatras, preocupação, e medo de estar disperso.

    Quero apenas ressaltar a complexidade positiva de Edgar Morin, e unir as disciplinas para não ficar no “papo reto”.

    Tô viajando? Espero que sim, depois de reler teses de Morin 20 anos depois e rever (des)caminhos no livro “Educar na Era Planetária”.

    E viajar na quebra, na ruptura de simples pensamentos.

    Mas quem é esse que agora relê a mesma obra? Com certeza, e saudando incertezas, é outro, não posso retornar 20 anos…

    Morin garante, agora “quem retorna é outro”.

    As águas de Heráclito.

    As águas de Março.

    Sim, se o tempo é uma trapaça quero curtir uma vida de trapaceiro. Já disse, Descartes que vá procurar sua turma, agora estou de mãos dadas com Zigmunt Bauman.

    Quero realçar palavras dos autores da Era Planetária (Morin, Emilio Ciurana e Raul Motta) para diferenciar  complexidade de perplexidade.

    Estar perplexo significa confusão ou estar inserido em incertezas o que lembra complexidade, porém os mesmos autores lembram que a complexidade apresenta-se “assim, sob o aspecto perturbador da perplexidade, da desordem…de tudo aquilo que se encontra do emaranhado, inextricável”.

    E Niels Bohr acrescenta outra curiosidade, onde paradoxos podem terem segmentos complementares retirando definições e somando conceitos.

    Ah, os saberes incertos…

    Mas aí espero estar seguro com minhas incertezas que hoje tem formas mais convictas do que antigas certezas que achava que viviam em minha cabeça animal…ou humana…

    Evidente que me arrependo de burrices de adolescente ou daquelas de um jovem perdendo tempo, mas tudo o que achava que sabia na verdade não sabia…ou desconfiava que sabia…sabia?

    As discussões com amigos nos bares da vida continuam, ora, já disse, somos outros e às vezes eu digo o que ele dizia e ele por sua vez grita dizendo o que eu dizia.

    Os copos ficam pasmos, se olhando e não entendendo nada…o que está acontecendo aqui…

    Tá loko.

    Mas tem aqueles que seguiram a cartilha da família (apesar de estar no quinto casamento), vivem como um suposto patriota açoitando o pequeno, não aceitando quando perde, mas tudo é em nome de Deus…dele…

   Depois dessa viagem típica das Jornadas nas Estrelas, ou melhor, do Túnel do Tempo, estou pensando em dar uma espiada na “Arqueologia do saber” de Michel Foucault.

    Vou fazer melhor, comprar uma nova edição pois meu livro está acabado, amarelo e com folhas desgarradas…

    E Foucault merece páginas novas.

    Vamos ver o que outro maluco beleza(sim, mais um) como Foucault vai me revelar depois de mais de duas,  três décadas.

    Ah…os saberes incertos…saudando a unidade humana…

fotografia de Coca Trevisan

O jornalista Coca Trevisan nasceu em Santa Maria, RS. Atuou como repórter e redator nos jornais NH, de Novo Hamburgo; VS, de São Leopoldo e Jornal Alto da XV, de Curitiba. Como profissional freelancer assinou matérias em diversos periódicos. Participou de workshops e atuou em debates sobre a Indústria Cultural dos anos 1980/90. Mais recentemente, concluiu pela PUC-RJ o Curso de Extensão Origens do Existencialismo. Mantém e abastece o blog Violências Culturais. Atualmente mora em Florianópolis, SC.

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