
Depois
Aquele
sonho,
dobrado
ao fundo
da gaveta…
depois dou-lhe
vida.
Depois,
dou-me
um banho
de autoamor.
Pintarei os
lábios
de vermelho,
vou aparar
as unhas,
desprender
a minha
carapinha
e fazer
uma coroa
à altura da rainha
que sou.
Depois,
escrevo
cartas de
amor.
Me apaixono,
desembaraço.
Depois,
direi o
quanto te amo,
o quanto aqui
pertenço.
Depois,
tiro o
poema
da bainha.
Sou artesã
das palavras.
Depois,
conto ao
mundo
o tanto
que tenho
a dizer.
Depois…
eu sou.
Depois,
eu vou.
Depois,
eu vivo.
*
Rio
como
amo
Choro
como
liberto
Doo
como
curo
Vivo
como
intensa
chama
da vida
*
Meu
amor,
às vezes
chove
primavera.
Outras vezes,
muitas outras
vezes,
flagela,
e derrama
todas as sombras
do céu nublado.
Queria
que o meu
amor
fosse porto
onde atracar
meu barquinho
assustado.
Mas sou
o sonho bonito
a abraçar-me,
quando o meu
amor
é névoa.
HERA DE JESUS [Maputo, Moçambique,1989]
Começou a escrever desde tenra idade. De 2013 a 2017, participou e foi distinguida em alguns concursos internacionais de poesia. Tem textos publicados nas antologias “Soletras Esse Verso” (2018); “Fique em Casa” (2020); “Linguagens e suas Tecnologias, Manual do professor” (2020); E ” No Cais do Amor” (2022).
Tem contribuído para as revistas Lidilisha, Soletras, Ómnira, Contioutras, Por Dentro de África, Escamandro, Avenida Sul, Mallamargens , Folhinha Poética, Cultural Traços/ Alta Cultura, Germinaliteratura, e Incomunidade. É membro da Confraria Brasil/Portugal.










