Cultura

Poemas | Hera de Jesus

Foto de Etienne Girardet na Unsplash

Depois

Aquele

sonho,

dobrado

ao fundo

da gaveta…

depois dou-lhe

vida.

 

Depois,

dou-me

um banho

de autoamor.

 

Pintarei os

lábios

de vermelho,

vou aparar

as unhas,

desprender

a minha

carapinha

e fazer

uma coroa

à altura da rainha

que sou.

 

Depois,

escrevo

cartas de

amor.

Me apaixono,

desembaraço.

 

Depois,

direi o

quanto te amo,

o quanto aqui

pertenço.

 

Depois,

tiro o

poema

da bainha.

Sou artesã

das palavras.

 

Depois,

conto ao

mundo

o tanto

que tenho

a dizer.

 

Depois…

eu sou.

Depois,

eu vou.

Depois,

eu vivo.

 

*

Rio

como

amo

 

Choro

como

liberto

 

Doo

como

curo

 

Vivo

como

intensa

chama

da vida

 

*

Meu

amor,

às vezes

chove

primavera.

 

Outras vezes,

muitas outras

vezes,

flagela,

e derrama

todas as sombras

do céu nublado.

 

Queria

que o meu

amor

fosse porto

onde atracar

meu barquinho

assustado.

 

Mas sou

o sonho bonito

a abraçar-me,

quando o meu

amor

é névoa.

 

Hera de Jesus

HERA DE JESUS  [Maputo, Moçambique,1989]

Começou a escrever desde tenra idade. De 2013 a 2017, participou e foi distinguida em alguns concursos internacionais de poesia. Tem textos publicados nas antologias “Soletras Esse Verso” (2018); “Fique em Casa” (2020); “Linguagens e suas Tecnologias, Manual do professor” (2020); E ” No Cais do Amor” (2022). 

Tem contribuído para as revistas Lidilisha, Soletras, Ómnira, Contioutras, Por Dentro de África, Escamandro, Avenida Sul, Mallamargens , Folhinha Poética, Cultural Traços/ Alta Cultura, Germinaliteratura, e Incomunidade.  É membro da Confraria Brasil/Portugal.

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