Política

O coroné | Xico Simonini

Um Coroné, talqualmente, outros tantos Coronés que por aí marcham, em ordenadas ordens unidas, no verdadeiro Ordinário, marche! A incessante busca de interesses mis e vis – seu e dos seus apaniguados. 

 

     De São Paulo para o Ceará ou, mais precisamente, de Pindamonhangaba para Sobral. 

 

     Ciro, uma triste História! Ah! História, Mestra da Vida, jamais contestada, pois ela, a História não mente jamais! Inda que ingênuos seguidores se afoguem em fanicos, faniquitos e fricotes, nada mais, nada menos, que chiliques nascidos da inocência, arrivismo e incoerência.  

    

    Coroné membro das oligarquias que sempre deitaram e rolaram explorando a seca nordestina. Filhote da ditadura, oriundo do PDS/Arena e, como tal e qual, direta ou indiretamente, conivente com as barbaridades cometidas durante os chamados Anos de Chumbo. Umas tantas e quais torturas, uns assassinatos tais e quantos, uns tais e quais sumiços e sequestros.    

     

     Oportunista, individualista e contraditório, marcha de acordo com as idas e vindas das ondas dos Verdes Mares Cearenses, saltando de sigla em sigla. Até o momento, oito. Quais? PDS/Arena, PMDB, PSDB, PPS, PSB, Pros e PDT. Uma pergunta: O Coroné, por obra da obrigação, leu, estudou e entendeu os Estatutos e os Regimentos de cada qual de seus ocasionais, temporários e passageiros oportuníssimos vôos e pousos?

 

     Como diria a ironia, Ciro, o Coroné do Sertão, lembra bem o violino: Apoia no ombro esquerdo e toca com a mão direita, misturando compassos, atravessando o ritmo, desafinando tonalidade. Em verdade, em verdade, nunca foi de esquerda, nem nunca o será. Ciro é da direita raivosa, colérica, raiventa.

 

     Agora, fantasiado de trabalhista, conspurcando as memórias e as lutas de trabalhistas autênticos. Trabalhistas históricos. Dignos, honrados, cassados, exilados, presos, torturados e assassinados pela ditadura. É de se imaginar Leonel de Moura Brizola, o Estadista Contemporâneo do Futuro, como deve estar, no Plano em que se encontra, assistindo um Coroné deste usando e abusando das históricas lutas, a duras penas desenroladas, em prol do trabalhador e do trabalhismo.

 

      Um Coroné e uma triste História. Poderia ter mudado o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2018, mas qual o quê! Navegando nas ondas da birra, do capricho e da teimosia, fugiu para Paris. Aquela zarpada… Aquela batida d’asas… Aquela perna pra que te quero… Quão bela la Tour Eiffel! Quão luzente l’Arc de Triomphe! Quão arrebatadora la Notre Dame.

  

     Dizem as boas línguas que o Ciro está escrevendo novo livro. Em contrapartida, as más línguas dizem que o novo livro traz o título de Fugindo para Paris.

 

     Aquelas mesmas boas e más línguas espalham pela aí que ele acaba de contratar os bons serviços de um Fonoaudiólogo. Objetivo? Assimilar o tradicional carioquê, outro item para ser somado ao oportunissmo do Coroné. E, nesste essquema, outross cursos esstão programadoss: E quando é mesmo, Coroné, vai se matricular no curso de Minerês, uai? E no de Gauchês, tchê? E vai por aí afora, por enquanto, dobrando sss e mais sss… 

 

     E como se não bastassem as conhecidas pérolas do oportunismo, individualismo e contraditório do Coroné Ciro, agora procura se transformar no Salvador da Pátria*, a terceira opção para as próximas eleições. Sua estratégia? Como um louco, aloprado e maluco disparando contra Lula. Como um desvairado, lunático e biruta atirando contra Bozovírus. Tramoias do Coroné! Coroné que se sustenta, se apoia, se escora em tramoias! Ontem… Hoje… E, ao que tudo indica, se deixarem, Amanhã…

 

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* Salvador da Pátria? De poleiro em poleiro, agora, encontro com Lula! Cuidado, Lula, muito cuidado mesmo! Faça acordo, como é de praxe na Política, mas lembre-se do grande Leonel de Moura Brizola, o Estadista Contemporâneo do Futuro: “Vamos engolir o Sapo Barbudo, sim, porém, nós temos luz própria.”

 

 

Francisco Simonini da Silva (Xico Simonini)  nasceu em Viçosa, MG, no dia 18 de novembro de 1941. Em sua cidade natal, em Belo Horizonte (MG), Florestal (MG), Pará de Minas (MG), Divinópolis (MG), Piracicaba (SP), Assis (SP), Primeiro de Maio (PR), Juiz de Fora (MG), Cataguases (MG), Ponte Nova (MG) e, recentemente em Santo Antônio de Pádua (RJ) construiu sua trajetória de professor e administrador do sistema educacional, além de marcante atuação na imprensa e na militância político-partidária. Aposentou-se como professor-adjunto na Universidade Federal de Viçosa (UFV), onde exercia suas funções no Departamento de Educação, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Vem atuando, há mais de cinquenta anos, no sistema educacional público e privado (da educação infantil à pós-graduação), no ensino, pesquisa, extensão e administração. Por iniciativa individual ou coletiva participou da fundação de uma dezena e meia de escolas e cursos em todos os níveis. Sua trajetória é marcada por vigorosa atuação política, partidária e sindical e em campos diversos, como músico, desportista, comentarista esportivo, escritor, poeta, chargista e responsável pela publicação do semanário viçosense “Muzungu”.

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