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Não te maldigas tanto | Pedro Vieira Homem

Foto: @gettysignature

Não te maldigas tanto, Elena

Já tens as orelhas quentes de falarem mal

E auréolas rentes ao cacheado angelical

Um jeito que não cabe num poema

 

Tampouco incorra aos erros narcísicos

De exuberar-se parlapatona.

O tônus da átona vem à tona

E te esgota em declives sísifos

 

Nem te maldigas nem bendigas em exaustão

Porque os panfletos param na sarjeta, Elena

E depois de sentirem dó ou tesão 

A brasa apagada não é mais poema

 

Queira o sem-querer com certo premeditar

Não saia sem guarda-chuva se trovejar

Mas se sair, dance sob a chuva, e em casa te aqueça

Se dê as próprias mãos por uns instantes

Existe um asilo pra alma que mora dentro da cabeça

Onde não há depois nem antes

(Apenas tempo de imanência

E espaço de transcendência)….

 

Cante sem se achar uma gota sequer

Dance no céu sem te rebaixar

Não te espantes com a pétala de mal-me-quer

Saibas que és inteira de caprichar e relaxar

 

Elena, já és expansão e umbigo

Coxas e galáxias

Lábios e estrelas

Não precisas de telescópios

Para aprovação alheia

Foto: Pedro Vieira Homem

 

Pedro Vieira Homem nasceu e reside em Florianópolis/SC, é autor do livro de poemas “Fora de mim, eu mesmo” e entrou em contato com a literatura no começo da pré-adolescência, quando descobriu a seu alcance adaptações infanto-juvenis de clássicos da literatura disponíveis ainda na biblioteca da escola. O contato mais aproximado com a poesia foi já um pouco mais tarde, depois de ingressar na faculdade de antropologia, que não leva ao fim, mas cuja atmosfera o fornece certo arcabouço literário-cultural-político e especialmente uma determinada inclinação literária. Acredita que a poesia é a modalidade mais propensa a edificar pontes entre o real, a imaginação e a utopia.

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