
Não te maldigas tanto, Elena
Já tens as orelhas quentes de falarem mal
E auréolas rentes ao cacheado angelical
Um jeito que não cabe num poema
Tampouco incorra aos erros narcísicos
De exuberar-se parlapatona.
O tônus da átona vem à tona
E te esgota em declives sísifos
Nem te maldigas nem bendigas em exaustão
Porque os panfletos param na sarjeta, Elena
E depois de sentirem dó ou tesão
A brasa apagada não é mais poema
Queira o sem-querer com certo premeditar
Não saia sem guarda-chuva se trovejar
Mas se sair, dance sob a chuva, e em casa te aqueça
Se dê as próprias mãos por uns instantes
Existe um asilo pra alma que mora dentro da cabeça
Onde não há depois nem antes
(Apenas tempo de imanência
E espaço de transcendência)….
Cante sem se achar uma gota sequer
Dance no céu sem te rebaixar
Não te espantes com a pétala de mal-me-quer
Saibas que és inteira de caprichar e relaxar
Elena, já és expansão e umbigo
Coxas e galáxias
Lábios e estrelas
Não precisas de telescópios
Para aprovação alheia
Pedro Vieira Homem nasceu e reside em Florianópolis/SC, é autor do livro de poemas “Fora de mim, eu mesmo” e entrou em contato com a literatura no começo da pré-adolescência, quando descobriu a seu alcance adaptações infanto-juvenis de clássicos da literatura disponíveis ainda na biblioteca da escola. O contato mais aproximado com a poesia foi já um pouco mais tarde, depois de ingressar na faculdade de antropologia, que não leva ao fim, mas cuja atmosfera o fornece certo arcabouço literário-cultural-político e especialmente uma determinada inclinação literária. Acredita que a poesia é a modalidade mais propensa a edificar pontes entre o real, a imaginação e a utopia.










