Cultura

Lochia rubra e serosa no engaste de uma voz | Luís Serguilha

Foto de Elias Bauer na Unsplash

uma excripta cava o rosto insolente com sons recompostos por uma língua desarvorada pela divulsão da voz, extraindo lascas dos blefaros que fenecem com a morte do olhar do outro que ousou e se atraveu: uma excripta a cerzir-se com a pertinácia e a paciência de uma agulha na gordura supurante da dor em alastramento, voltando agudamente e varicosa dentro do inescrito: uma excripta coexiste nas visões que a excriptam, redimindo estivas do pousio de uma intimidade terrífica onde vacúolos musicais das línguas rearranjam fundos de um trajecto por fazer nas estases crípticas de um anatomista: extrair ressalvas do silêncio ao afinco supremo da existência em dádiva irreconhecível, relembrando para tramar encalços das purgações sobre franjas das bestas:  uma voz não termina de desaparecer, tensiona bordas da secura de uma boca que a desconhece, profanando-se entre faíscas de reminiscências do engasgo a refazer curvas das palavras nos proémios mais boleados de um vislumbre: palavras a sumir e a ofuscarem-se da insustentável excripta para morrer eternamente no próprio dilaceramento com sons das arrepsias, espessuras das artimanhas, atritos dos escaninhos e ritmos das cruezas entre fugas imediatas da lucidez: o inomeável converte-se no saber do desejo de uma voz, bordejando impaciências e o indescritível com obscuridades por inverter sobre as ruínas mais rudimentares das palavras: há saliências intraduzíveis de uma voz drapejada por rabiscos de esperas vindos do ranger das cisternas, dos garrotes das perfurações e dos precipícios em mitigação sobre solmizações das incúrias: dizem: cegueira desamparada pelo inapreensível faz da agudeza do desconhecido uma enciclopédia do fracasso a carregar dicções sobre o inviável que abre uma voz indecisa ao redobramento da visão: eis, uma excripta a resguardar-se irrefreavelmente nos hemisférios do inactual que se esculpem no silêncio sem que este saiba: dizem: revelia dessecada à volta de balbucios e de cicios enrolados uns nos outros a fundar imprevistos rasgos da vida da morte nas interrogações de um engenho primevo a ascender e a restaurar respiráculos pelos fios à-toa de uma tempestuosa mudez da voz: há uma voz ininterrupta pelo inconsciente da excripta, escutando-se por meio dos vestígios desamparados que nunca se interpretam e não se decifram, entrosam-se na ignomínia, na desonra e na vergonha com argúcia da fé no arquivo dos remorsos, das penitências e das vinganças: vectores se misturam na excripta lida pelo surgimento imanente das letras em flutuação e a re-excriptar ao redor de uma voz alta perdida e labiríntica, irrompendo de um tubo fracturado e de uma coluna teátrica a prolongar-se por cavidades granulares para levar uma cabeça pulsátil e o desengano do corpo para a luxúria, puxando simultaneamente para baixo, raiva, alguns receios, amputações e desesperos diante do dínamo dos motejos com alguns cincerros carregados de aporias: ainda dizem: gravar no mangue da histeria pronúncias gretadas à espreita de um destinatário com aleivosias indeléveis no alto de uma insubmissão: uma excriptura-feminina-do-aliorsum  com tegumentos lenhosos, radículas, micélios, cortes nasais, oralizados e laríngeos a respirar delirantemente por meio da passagem anónima de uma placenta em esporulação: outros dizem: seiva voluteada a rebentar nos saltérios e nas ciniras onde lambeduras em rosca se electrizam até à renúncia e temperança: um plexo muscular já cheio de ar raspado contra uma boca a acolher timbres pulmonares e peristalses acústicas pelo meio anamórfico do vivo atravessador do vivo: uma voz catada pelo vozeamento dos grafemas, deglutindo escalpelos de uma fala com a injunção de outra fala alofónica: borras das palavras dirimadas pelo batimento de um lastro abjecto entre artérias faciais, tonsilas, angulações maxilares, veias das línguas e sangrias carotídeas que se alçam e descendem em torno de vigilâncias dos nervos vagos: aqui-agora: apêndices de um todo-único se tornam constritores e espaços revolitados com inserções, hâmulos e rafes onde uma voz em linha fendida religa a hebra à calaza: uma voz com  válvula higroscópica a jorrar drupas vindas do caos persistente dos tubérculos ósseos, dos ligamentos oblíquos, das cartilagens em lâmina, das bordas do palato, das aponeuroses e das inervações geométricas a rebrilhar pelas anastomoses: há um pescoço alongado e africano de Modigliani com veias jugulares plenas de ar insonoro e de nervos criadores de sonoridades alucinantes: amígdalas atritam com ar passando estreitamente, adenoides espelham uma vibração vagarosa das pregas mais ulceradas, uma epiglote fricciona-se com sons, um esófago incha quase bloqueado por pontos alveolares, uma traqueia consonantal deslumbra-se pelos desvios do nariz, uma língua desvozeada bate tremendamente nos diastemas dentais e das queilites  bilabiadas: lábios continuam a bater nos dentes com escórias e vitualhas, por vezes, o ar atravanca nos nódulos refractivos e uma explosão desponta pelas cordas vocais em grito:  há um espasmo mutante nos garavatos dos respiros com minúsculas estilhas acumuladas pelas aparas das imprecações onde incertezas sucedem entre estirpes em rebate junto às quebras de um juramento: no alto, um pesar entra pela escolha alógica de quem passa  banha de galinha pelo bojo e arremessa  rezas e afrontas contra a rancidez de outro vexame carregado de indutores de um sintoma da ascensão: uma verdasca dos aguardos e das minúcias esmera-se pelo livramento de uma cabeça: curvaturas açuladas elidem nas látegas recaídas pela parturição com carvões de amuletos a aglutinar  intumescências de lóquios e a lobrigar um leito de embira à volta de tenazes atmosféricas:  dizem: lochia rubra e serosa nas mãos espessas de uma confidente e de uma guardiã com expirações voluteadas a embater nos núcleos dos  vitrais: uma força bucinadora sorve, sibila, pateia, vaia, sopra e toca elevando o orbicular da boca, enviesando-o sobre a flamância mandibular: bandas platismais ardem pelos pulsos ainda palpáveis e com pontos de uma comissura oral no trajecto de um canto do olho a escovar redúvias que voltam dos levantadores de véus palatinos: uma voz pelas vias procelosas no sentido do eixo principal arrasta aortas dorsais pareadas contra ductos cardíacos mostrando os cumes da petrificação do crime, às vezes,  tecidos enxertados fervem nas aplasias e o sangramento da artéria continua a realçar uma obstinação do vivente: felpas dicoriônicas e algumas partes decíduas se atritam com toda a ciência imediata da histeria pelos flancos de uma borda astrífera: cóleras metabólicas contra uma parede uterina e apurada, córions rebrilham e superfícies fetais das placentas bilobadas, acretas e prévias incandescem-se vagarosamente com membranas amnióticas, ampliando pupilas de quem as escuta com objectos ocultos e com pendores ignívoros: há cordões umbilicais caóticos e cósmicos a inclinarem visivas sobre o fundo sumptuoso de óleo de prímula com folhas de framboesa: septos exorreicos brotam freneticamente entre dedos infusos a escoarem-se para dentro das réstias do furor e das liças da desumanização: vidas exodantes não se permutam, constelam-se, antecipam pariduras sísmicas, confundem as conchas univalves e as rocalhas dos partos com redes de capilares fetais a jorrar sangue interviloso pelo névoa letal da excripta: uma anciã com a destreza da orfandade, recusa a episiotomia, a manobra de Kristeller, enemas e qualquer ocitocina, aceita sofregamente ayahuasca, daturas, salvias e peyote, dilata-se, contrai, cresce, alarga-se e grita silenciosamente, superando distócias, eclampsias e hemorragias, tentando parir sentada sobre os joelhos de um neófito, lacerando-o com as unhas expulsivas, escarrando em qualquer absolvição: uma membrana subleva-se intacta e desfaz-se pelo alvoroço de um prodígio, lavrando olhos aturdidos com a trança pura da crueldade:  há empenhos das punções dispostas pelos coágulos em relapso, há uma brotadura cefálica, uma amostra pélvica, há ainda a possibilidade de uma posição invertida e de uma atitude transversa pelo instinto mais lanhado da carne: dizem: pressentimento turbilhonar de uma abrasadura maternal na preciosa pedra cheia de oferendas incoercíveis junto a uma fieira de lenhos viscerais: existências se insinuam, apavoram, fazem o encaixe, descem como harpas inóspitas, progridem febrilmente, desprendem-se pelas labaredas abaixo, restituiem-se, arrebatam-se em torno de inocências violentas de uma cratera mucosa:  há uma pressão tremenda sobre espumas diafragmáticas e  contra abdómens em contracção vertiginosa, soltando respiros-lamazes: há uma evacuação de fetos, de crenças severas e de secreções placentárias sobre as mãos cársticas de uma parteira que nunca conseguiu mensurar o colo do útero: um hematoma palpita com flancos ferinos, um alarme do prolapso rés ao pulso escarlate do espírito, há um movimento hemostático na vernação crepuscular, dores espessam-se e diluem-se, abrindo testemunhos nas réstias de crenças de uma anciã nulípara: dizem: sobressalto ósseo a incidir nos rebentos de uma mão com estrias rubras  e restos de bofes escutam-se ao lado da cegueira dos animais: um poço ocre acende-se pela gravidade do cio e pelo desenlace tremendo das  grelinas da fome: um toque mais íngreme da visão arrebata-se pelas manchas ancestrais das citocinas do colostro canino: outros dizem: uma voz demorada pelo terror a fixar-se na fímbria de uma combustão maternal e um elo de longas gotas fagocita-se, invade uma bandana com pérolas barrocas e entoa nas trevas por detrás dos párpados ignescentes de uma anciã: noutra angulação: uma anciã com a cria fissurada no avental recolhe macrófagos que relumbram nos cruzamentos velozes das mãos de Liszt: uma abençoada e sacrossanta ardência na subtileza incoercível de uma língua vingadora a experimentar-se na flutuação da deriva de um veio tenebroso: uma língua nos vagões distantes a ressoar euforicamente, alucinando pela esgarçadura do delito, por baixo, uma voz emudece com movimentos násticos: ardem manilhas liquenizadas em forma de úvula contra o inaudito de uma voz a inacabar-se, perturbando o imediato rastejante de uma mão, levando-a para o embaraço voraz da subtileza: desvio da voz a escutar-se no intermezzo convulsivo de um salto da carne: há uma fragmentação verbal onde uma fissura implode na própria ressonância das sínteses inconclusas a oscilar pela presença cruel do desdobramento de uma cabeça:  rumor gérmico na rachadura da voz a entregar-se aos estilhaços da boca e um osso de ar desaba-se no derrocada da dor: uma fala ainda muda, irrompe cifrada pela deformação e pelas nesgas  das mutações de um exilado a detalhar transparências das fugas por meio de gestos aracnídeos diante da catástrofe: às vezes, uma voz camufla-se com glândulas sedosas, arrojando peçonhas necrosantes através de quelíceras e de palpos para se hibernar na escópula de uma excripta: sartas de palavras vibram nos estojos das aranhas cursoriais à volta de pulmões foliáceos, elevando sensilas sobre larvários de jejuns cheios de apostemas: outras vezes,  traqueias perfuradas acolhem resíduos das bolsas pegajosas de uma voz sobre uma cutícula seca onde ainda pousa uma visão aguçada: uma quase-fala arranca o esquecimento de um espaço imensurável, cria eternidade no confronto com a vida e com a morte, altera-se labirinticamente e faz do vazio a ceratina do seu resvalo pelo disforme de um sigilo animalizante: dizem: mudas das cerdas: uma voz a vibrar no incapturável, intumescendo à volta de um nódulo sacrificial que se bifurca com golfadas de ecos por dentro da vigília contígua à mão vitiligada: ao lado: uma teia orbicular, noutro vértice, uma teia vertical a fender a precisão assombrosa de uma fóvea: aqui-agora: uma voz ressuscitada pelos esgotamentos dos equívocos, escava fracassos dentro dos excessos em colisão com sangraduras emigrantes e exuviais: uma voz assimétrica busca flabelos na virulência de uma excripta: uma palavra desarrimada habita sons caóticos e sentidos inapreensíveis nas batidas do infinito sempre por adivinhar nos impasses da loucura a dançar o infernal: uma voz dilacera a própria imaginação, resgatando-a: uma voz em risco-lahar defronte à voz colossal e cerzida a rebentar de chanfro no arco faríngeo de um ancião: uma voz não responde, expele ácido úsnico, há algo acósmico que a faz diferir, uma liça ínfera com dores ocultas, uma voz com revestimentos rimosos brota densa e quase-solta entre propágulos de outras vozes carregadas de saliências circulares a esbranquiçarem-se pelas folioses: um ancião coleccionador de lecanoras arremessa lóbulos cinza-oliva contra rizinas a cobrir uma excripta que se escortica com restos de lâminas, mostrando esporos, manchas e pruínas entrelaçadas pelo córtex rugoso de uma mão vitiligada cheia de escomas: golfadas de excípios de pó  cingem uma voz  a capturar o distante para seu septo junto aos escombros respiratórios: aqui-agora: uma voz se torna endolítica e crostosa e se volta para um fundo fúngico inacabado e com traçaduras únicas: uma voz fiandeira curva-se  e torce-se por dentro de um azulejo majólica, mudéjar, alicatado, de corda-seca e de aresta, rebrilhando entre vermes de praia, colorações brancas, cobalto, cobre, manganésio e estanho, embaixo, um ancoradouro de vidros opacos com óleo de linhaça dourada, quartzos e salgas plenas de colagens e de cortes de puzzles sobre excertos elipsados a dilacerar extratos divinatórios com fragmentos augurais onde trechos de jogos da insânia  oculam  retalhos de idiogramas: uma voz falada pelo ensejo do acaso que esboça a fuga ao devolver-se sem retornos, mas com repercussões de uma agudeza do impossível: é o sentido da eiva e da laiva do silêncio fora da visão a pervagar pelas desdobras de uma voz sempre por chegar, recaindo no influxo caleidoscópico: ver a movência da voz impulsionada por palavras, sem palavras e com palavras por vir e em desaparição irretorquível: dizem: traços, resquícios e restos de sintomas de uma reminiscência a envolver forqueaduras de uma voz em atrito com tempos intersticiais, durações suspensas, imagens laceradas e lampejos da sua génese por desvendar na flutuação das vímulas verbais: uma ferida aberta com perda de tecido na mucosa da excripta, embatuca a língua já com pústulas a reluzir pela necrose e pelas chagas de uma proeminência óssea do excesso: um defeso sistólico da imolação da voz que tenta superar o horror, enfrentando-o com a experiência profusa de erotizar-se com a carnagem tumefacta e esquiva do infinito: dizem: uma vazadura de ócios, de perigos e ameaças a hibridizar palavras que se desviam espasmodicamente da glândulas salivares, alvoroçando-se diante da escassez e da morte: uma cavidade cicatricial embate nos assoalhos das ruínas e nas paredes laterais das testemunhas que se abrem na adivinhação de um rosto através da fissura das errâncias, dos receios e das cismas de uma visiva: uma faringe escava-se com palavras escorchadas pelos ângulos de uma passagem estreita: dizem: istmo da visão a rasurar-se com a área posterior aos dentes de uma tremenda penumbra, secretando enzimas do que vê entre o reboado de uma voz desconhecida e imagens pulverizadas pelas cegueiras de um instante de uma mão a resgatar-se e a purgar-se pela carne estraçalhada da excripta: tentar excriptar com  tentivas de uma voz sempre em liça com o que brota do abandono, do desespero, das ruínas e das caças a um sustento de uma mão já escoriada pelas brechas de viés de uma procedência dupla e incontrolável: uma voz exercita o inomeável, o anómalo e o insofrível com suas lacunas a defrontar o obscuro estonteante onde tempos da excripta se dissolvem, baldeando  abaladuras  e divergências com línguas emigrantes e exiladas, por vezes, verbos rasgam a memória já em lacuna e gestos irremovíveis e insanáveis entram pelos jogos espectrais, sacrificando-se diante de cabeças seviciadas por si mesmas, cabeças desesperadas por se levantar, baixar, estender, flectir com tanta exorbitância rés à penúria da visão que tenta capturar o que lhe é estranho e informe: uma voz a olhar para seu acesso, esculpindo-se com a própria passagem espiralada que ecoa o vozear-se na abertura que a oculta, a refaz e a incita para uma transmutação, extraviando-se intermitentemente como um sopro a demandar uma espreita do estorvo na sua transbordância ainda por guarnecer: uma voz sobre voz entre vozes na voz a esgrafitar-se com estiletes da infâmia entre cercaduras, arabescos e frisos carregados de amarelo Nápoles e vermelho ferrugíneo: uma voz  brota de um mosaico com tesselas de vidro, de pedra, cerâmica e fundos quiasmáticos a surgir de pontos inapreensíveis: uma voz a rasgar balaústres em recomeço escandaloso: uma voz homotálica rouba-se e  faz do seu inverso um arrasto atroz a entrelaçar cores, visões e tactos que perambulam pela presença devoradora de uma mão vitiligada: uma voz haustórica percorrida por biláteros impregnados no vazio em anástrofe, cavalgando na própria dilatação e demora: uma voz bissóide e escamífera a ocultar suas ressonâncias e a exigir uma exploração lúbrica com o rigor labiríntico de uma nuance ofídica: uma voz esfomeada pela trebouxia de uma língua, intrinca-se, regermina, lanha-se para esponjar o informe, encarna o acto de escutar o escutar, enrijece a carniça, coagula, e com toda a sede flagelante de uma cimitarra, recolhe restos de carvão fóssil, se torna cerne muscular em ardência, leprosando-se com o não saber dizer: uma voz vozeia-se a si-mesma, ensurdece, encalça seu próprio absurdo, e o rumor da deriva a faz flutuar em tremuras intocáveis, devolvendo o vazio à rachadura alógica do seu corpo, aluindo com uma dor que permanece, parasita e a deforma como se atingisse o incompreensível por meio das batidas das cissuras de uma carapaça: aqui-agora: o ínfimo mais veloz é já um roubo dos detalhes a lançar uma voz esgarçada para o silêncio dos anatomistas do desmedido, emancipando-a juntamente com a plenitude do seu rasgo, do seu espiráculo, da sua tremura impronunciável e críptica: dizem: uma voz encara, defronta o ar rotativo, a ponta mais cortante e o talhe da morte: um ancião diz: uma voz é escutada no aro azul, na peça de metal em que um idioma prodigioso é fincado por meio do vinco da loucura a embutir-se na carnagem: uma anciã rediz: uma voz a esbarrar exultada na blindagem de metal, se transforma em pingente violáceo-alaranjado sobre uma ruga em gravitação: uma voz atinge o precioso estilo de uma cravadura na tremenda joalharia: um coro grego ressoa no engaste devorador de uma pedra…

Fragmento da Obra Poética

 

Luís Serguilha, poeta, ensaísta

Fotografia de Luís Serguilha. Autor da foto: Márcia Charnizon.

Luís Serguilha nasceu em Portugal e nos últimos anos percorreu algumas geografias da América do Sul. É poeta, ensaísta e curador de arte ibero afro americana. Publicou 17 livros de poesia e ensaio: Kalahari, Plantar rosas na barbárie, Falar é morder uma epidemia, os esgrimistas de Á-peiron, Hamartía e ACTRIZ ACTRIZ – o Palco do Esquecimento e do Vazio são os títulos de alguns dos seus livros. Em 2022 publicou o 1 volume da sua obra poética no Brasil. Em 2024 e 2025, publicou os volumes 1 e 2 da obra poética em Portugal pelas Edições Húmus.  Radicado no Recife, criou a estética batizada como Laharsismo, estudada em Universidades. Recebeu os prêmios Hermilo Borba Filho e Júlio Brandão ambos da área de Literatura. Tem sido convidado por institudos e várias universidades ibero-americanas para conversar e ministrar conferências sobre os seus ensaios-criativos,  envolvidos por atractores estranhos, que atravessam corpo-arte-pensamento-poesia.

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