
Patrick MEINHARDT / AFP
Tem sido conturbada a história recente do Brasil e da Guiné Bissau. Ditaduras, golpes e tentativas de golpes, domínio do poder por cliques corruptas que impedem o normal exercício da democracia e
condenam à miséria a generalidade da população.
Quanto ao Brasil, a eleição do Presidente Lula da Silva, em 2002, parecia ser o sinal de que este grande país, o mais rico do mundo, iria, finalmente,
conhecer uma democracia estável que tirava a generalidade do povo da miséria. Mas não. Os criminosos poderes que dominam e minam o Brasil
derrubaram Dilma Roussef, sucessora de Lula, para colocarem na presidência o corrupto Temer, impedirem a candidatura de Lula e, logo a seguir,
fazerem eleger o corrupto e fascista Bolsonaro.
Tendo este perdido para Lula a segunda eleição, Bolsonaro, o poder económico, o mundo do crime e a claque que o rodeava tentaram o golpe para
voltarem a instalar a ditadura de má memória e que Bolsonaro sempre exaltou. O golpe falhou, e um poder judicial forte e incorruptível, em que pontifica o Ministro (Juiz) Alexandre de Morais, acabou por
julgar e condenar a penas de prisão os fautores do golpe. Bolsonaro e os seus tiveram um julgamento justo, com todos os direitos de defesa que negavam
aos outros. Finalmente, Bolsonaro e os que com ele tentaram o golpe, vão para a prisão. E o Brasil entrará num período de normalidade democrática,
de progresso e elevação à classe média de milhões de pobres, como sucedeu nos dois primeiros mandatos de Lula da Silva. Apesar da violência e do
crime, e esperando que o progresso económico e social e o combate sem tréguas a este flagelo vá tendo êxito, o Brasil será, finalmente, o pais do
futuro, como augurou Stefan Zweig.
Pelo contrário, a Guiné Bissau, um pequeno país com cerca de dois milhões de habitantes, sensivelmente o mesmo número que a região da
Grande Lisboa, parece não ter saída. Dominado por militares corruptos, traficantes de armas e de droga, a Guiné é um estado falhado. Desde que Nino
Vieira, a 4 de Novembro de 1980, afastou da Presidência Luís Cabral, através de uma golpe de Estado, a opressão, a violência e a corrupção tomaram conta do poder e os golpes de Estado veem-se sucedendo. Tendo perdido as eleições
presidenciais, o também golpista Umaru Sissoco Embaló encenou com os seus generais de opereta um golpe para impedir a proclamação da vitória
eleitoral do seu opositor, Fernando Dias, apoiado pelo PAIGC.
A CPLP e a União Africana condenaram o golpe. Mas não chega. O que Portugal e o Brasil devem e podem fazer é recusarem qualquer auxílio
económico à Guiné e reduzirem ao mínimo as relações diplomáticas, enquanto não regressar à normalidade democrática.
HENRIQUE DÓRIA
Henrique Dória é advogado e colaborou no Diário de Lisboa Juvenil e nas revista Vértice e Foro das Letras. Tem quatro livros de poesia e três de prosa publicados. É diretor da revista online incomunidade.com, e da Rádio Transforma.
Qual é a sua reação?
Gostei
1
Adorei
1
Sem certezas
0










