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EDITORIAL: O Governo do Chega | Henrique Dória

Foto de Anthony Duran na Unsplash
O GOVERNO DO CHEGA

Desenganem-se os que acreditam que quem governa Portugal é a AD, com Luís Montenegro como Primeiro Ministro. Na verdade, quem governa Portugal é o Chega, e André Ventura é o Primeiro Ministro de facto. Com uma particularidade extraordinária: Ventura é, ao mesmo tempo,  Primeiro Ministro e líder da oposição e, como tal, pode dizer que o que lhe agrada e corre bem é de sua autoria, e o que lhe desagrada ou corre mal é da responsabilidade de Luís Montenegro.  

É assim que, na política de imigração, as medidas agora tomadas pelo governo, aliás claramente inconstitucionais, são as que  o Chega vinha propondo e, agora que estão propostas, Ventura diz que não chegam, tinham de ser de modo a impedir a imigração, a não ser por aqueles que os acólitos do Ventura escolhessem, e a impedir obtenção da nacionalidade por quem não fosse filho de portugueses.

Os fascistas faziam o mesmo. E, se conseguiam algo, exigiam ainda mais do que tinham conseguido.

 

O PS

O Partido Socialista acaba de escolher o seu líder. A direita portuguesa fica feliz: é o líder pela qual sempre se bateu e a comunicação social procurou impor. 

Mais uma vez, estamos num jogo de sombras: o secretário geral do PS foi escolhido para fazer, se um dia chegar a Primeiro Ministro, a política da AD, enquanto a AD, formalmente no poder, faz a política do Chega.

Receamos pelo futuro de Portugal e do PS.

 

O GRAU ZERO DA DIGNIDADE

A Europa bateu no fundo. Bem no fundo. Depois de chamar a Trump “paizinho”, o desprezível Mark Rutte,  formalmente secretário geral da NATO, na realidade um lobista do complexo militar industrial americano, gabou-se para o não menos desprezível Trump de que conseguira que a Europa pagasse “à grande”, isto é, que a Europa comprasse  à grande armamento ao complexo militar americano.

Na prática, com a aceitação de um orçamento para a defesa de 5% do PIB, a Europa irá suportar uma América falida e tornar os meia dúzia de imensamente ricos americanos ainda mais ricos. Isto à custa da saúde, da educação, da habitação, das pensões, dos salários, enfim, do que ainda resta nos países europeus do Estado Social.

A nova colónia americana chamada Inglaterra já deu o exemplo: tratou imediatamente de comprar aviões americanos por muitos milhões, quando tem o seu Serviço Nacional de Saúde, outrora o melhor do mundo, no caos e centenas de milhar de miseráveis caídos na rua.

O Portugal dos inenarráveis Montenegro e Rangel irá seguir o exemplo da sua aliada.

 

 

Foto: Henrique Dória

Henrique Dória é advogado e colaborou no Diário de Lisboa Juvenil e nas revista Vértice e Foro das Letras. Tem quatro livros de poesia e três de prosa publicados. É diretor da revista online incomunidade.com, e da Rádio Transforma.

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