
O GOVERNO DO CHEGA
Desenganem-se os que acreditam que quem governa Portugal é a AD, com Luís Montenegro como Primeiro Ministro. Na verdade, quem governa Portugal é o Chega, e André Ventura é o Primeiro Ministro de facto. Com uma particularidade extraordinária: Ventura é, ao mesmo tempo, Primeiro Ministro e líder da oposição e, como tal, pode dizer que o que lhe agrada e corre bem é de sua autoria, e o que lhe desagrada ou corre mal é da responsabilidade de Luís Montenegro.
É assim que, na política de imigração, as medidas agora tomadas pelo governo, aliás claramente inconstitucionais, são as que o Chega vinha propondo e, agora que estão propostas, Ventura diz que não chegam, tinham de ser de modo a impedir a imigração, a não ser por aqueles que os acólitos do Ventura escolhessem, e a impedir obtenção da nacionalidade por quem não fosse filho de portugueses.
Os fascistas faziam o mesmo. E, se conseguiam algo, exigiam ainda mais do que tinham conseguido.
O PS
O Partido Socialista acaba de escolher o seu líder. A direita portuguesa fica feliz: é o líder pela qual sempre se bateu e a comunicação social procurou impor.
Mais uma vez, estamos num jogo de sombras: o secretário geral do PS foi escolhido para fazer, se um dia chegar a Primeiro Ministro, a política da AD, enquanto a AD, formalmente no poder, faz a política do Chega.
Receamos pelo futuro de Portugal e do PS.
O GRAU ZERO DA DIGNIDADE
A Europa bateu no fundo. Bem no fundo. Depois de chamar a Trump “paizinho”, o desprezível Mark Rutte, formalmente secretário geral da NATO, na realidade um lobista do complexo militar industrial americano, gabou-se para o não menos desprezível Trump de que conseguira que a Europa pagasse “à grande”, isto é, que a Europa comprasse à grande armamento ao complexo militar americano.
Na prática, com a aceitação de um orçamento para a defesa de 5% do PIB, a Europa irá suportar uma América falida e tornar os meia dúzia de imensamente ricos americanos ainda mais ricos. Isto à custa da saúde, da educação, da habitação, das pensões, dos salários, enfim, do que ainda resta nos países europeus do Estado Social.
A nova colónia americana chamada Inglaterra já deu o exemplo: tratou imediatamente de comprar aviões americanos por muitos milhões, quando tem o seu Serviço Nacional de Saúde, outrora o melhor do mundo, no caos e centenas de milhar de miseráveis caídos na rua.
O Portugal dos inenarráveis Montenegro e Rangel irá seguir o exemplo da sua aliada.
Henrique Dória é advogado e colaborou no Diário de Lisboa Juvenil e nas revista Vértice e Foro das Letras. Tem quatro livros de poesia e três de prosa publicados. É diretor da revista online incomunidade.com, e da Rádio Transforma.










