
Ao saber do terrível fato histórico e político em que quatro mulheres cristãs foram covardemente executadas por gendarmes a serviço do Fascismo, na Espanha, durante a guerra civil, em 1936, eu, movido pela condição de cristão professante e escritor, deparei-me ante o dever moral, ideológico e literário de me manifestar sobre a matança, através desta crônica onde narrei o trágico acontecimento mediante uma proposta poética cuja evidência consiste no emprego de elementos como o ritmo, a rima, a aliteração e o mais sublime destes, ou seja, o contraposto entre o dado material, temporal e físico do episódio, e o imaterial, atemporal e metafísico representado pela Palavra de Deus e por Jesus Cristo, reverenciado pelos cristãos como Senhor e Salvador da humanidade. Portanto, aqui, apresento a grafia desta tragédia, conforme escrevi e sustento.
No dia 9 de junho de 1863, em Ontoniente, na província de Valência, nasceu Crescencia, a bordadeira de Deus, que sustentava a família, com fé oração e bordados; que elevava a família, suas três irmãs a seu lado. E a crença cresceu Crescencia, que empregou a Palavra de Deus e os trabalhos paroquiais contra o Fascismo. Todavia, acobertados pelas trevas, os fascistas vieram e a levaram com suas irmãs ao porto de Canals, onde dispararam quatro vezes em suas nucas; um balaço em cada uma. Foram quatro tiros; quatro tentativas de calar mulheres que sempre serão ouvidas , porque a n t e s dos tiros ouviu-se um grito: morremos por Cristo! Em seguida, outro grito mais forte: viva Cristo Rei!
Nota do Autor: Crescencia Valls Espí e suas irmãs foram asassinadas em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola.
Couto Corrêa Filho
Ilha de São Luís
Dezembro de 2019.
Couto Corrêa Filho é poeta, ensaísta, crítico de artes visuais e ator de cinema. Doutor em Filosofia, é autor, entre outros, de Por Espanha, livro de poemas vencedor do quase centenário Prêmio Literário Cidade do Recife.










