Cultura

Cinco poemas | Diogo Cosmo

Foto de Marco Bianchetti na Unsplash

A Dor que me Une… ao Silêncio

 

É nas dobras do tempo, Que te encontro,

É um sussurro que ecoa, Um eco que dói.

 

A tua ausência,

É um vazio que me consome,

Todos os dias.

 

É um buraco negro, Que suga,

Toda luz do meu ser.

 

Mas é nesse silêncio,

Que te encontro.

 

Um silêncio que grita,

Que clama por ti.

 

É nesse vazio que me perco,

E me encontro de novo,

Todos os dias,

Diante dos teus olhos.

 

A saudade…

É o rio que me leva,

Um rio que flui,

E que me arrastra para o fundo.

 

Mas é nesse rio,

Que me estou a afogar, Que me insurjo,

De novo,

Nos teus braços.

 

A dor…

É um fogo que me queima,

Um fogo que arde constantemente,

Que me consome.

 

Mas é nesse fogo, Que me purifico,

E renasço,

De novo,

Nos teus olhos.

 

É nesse silêncio, Nesse vazio, Nesse rio, Nesse fogo…

Que te encontro,

Que me encontro,

Que nos encontramos, Todos os dias,

Sob essa cruz protetora.

 

É esse amor,

Que me une ao silêncio!

 

É nesse amor, Que encontro, Tudo aquilo,

Que ainda me dá a força,

Para resistir…

Para… Continuar,

A viver.

 

Diogo Cosmo ∞

Calouste Gulbenkian

12-01-2024

 

*

A Flor

 

A flor essa tão singela, Tão pura,

Essa tão bela, Como nunca vi,

Outra igual no mundo.

 

A sua pureza era imaculada, Até ao dia,

Sim até ao dia,

Que colhi parte das suas pétalas, Para as plantar nos meus sonhos, Que me visitam,

Todas as noites.

 

Creio que,

Em toda a minha existência, Nunca mais chegarei perto, De algo parecido ou,

De um sonho igual.

 

A cada vez que venho ao mundo, Penso…

 

Penso,

Na Flor que existia dentro de ti,

E replantaste-a dentro de mim

E eu que quase a ia deixando morrer.

Hoje por vezes, Tenho vontade,

De a colher e a levar até ti. Mas proibiste-me…

Posso abraçá-la, Posso beijá-la, Posso acariciá-la

Mas nunca… colhê-la. 

A nossa Flor Secreta.

A flor nasceu em ti, Pura e intocada,

Como no primeiro dia.

 

Eu a vi,

E a colhi com cuidado, Sem saber,

Que a levaria para mim.

 

Agora,

Cresce dentro de mim, Uma semente de amor, Que não pode morrer.

 

Quero devolver, Mas não posso,

Pois agora,

É parte de quem sou.

 

Podes tocar, Beijar,

Acariciar,

Mas não a colhas, Deixa-a florescer.

 

Pois essa flor,

É o que resta de ti em mim, 

E eu quero que ela viva,

Para sempre.

 

Diogo Cosmo ∞

Caís de Sodré, Lisboa

03-03-2026

 

*

A linha do Tempo… Sem Tempo

 

A linha do tempo, Não tem… tempo,

Para se preocupar com,

Os que partem.

 

O tempo não tem tempo.

 

Vivemos sobre a linha do tempo,

Mas o tempo está sempre,

Muito à frente no seu próprio tempo.

 

O tempo,

É como um elástico,

 Sob os nossos pés.

 

De repente, Zás…

Dispara… E nós…

Ficamos pelo caminho.

E ele nem olha para trás, Continua no seu…

 

Sempre indiferente, A quem caí.

 

Diogo Cosmo ∞

20-01-2026

Lisboa

 

*

A Minha Epopeia

Acordo de madrugada,

Sobressaltado por uma melodia,

E uma que eu bem conheço,

É ela que apela por mim.

 

Saio à rua,

Em alta velocidade,

Na ânsia de a encontrar, Seja onde for,

Tenho a certeza que a irei encontrar.

 

Subirei todas as montanhas que forem necessárias, Correrei pelos seus vales que nem um louco,

Nadarei nos rápidos,

Contra as correntes mais fortes,

Nem a tempestade mais forte me deterá.

 

Nada me travará,

Pois este amor tão puro, Tão forte,

Tão único,

Vale toda esta odisseia.

E continuarei…

A minha resiliência,

Será a minha força, O meu ânimo,

Para nunca desistir.

 

Se necessário,

Mergulharei nas profundezas dos oceanos,

Em busca do teu rasto,

Que me será indicado, Por seres luminescentes,

Alados que me segredaram, O sítio onde estás,

Sob a sua eterna proteção.

 

Diogo Cosmo ∞

Parede – Pequeno Eden 15-06-2025

 

*

A Paixão

 

A Paixão é,

Um sussurro no vazio,

Um eco sem origem,

Um rio que flui sem leito, Sem direção.

 

A paixão está,

Entre sombras que se movem,

E os reflexos que se perdem,

É a luz que se faz.

A Paixão é,

É um murmúrio que ecoa,

Dentro de ti,

Um silêncio que fala,

Um silêncio…

Que te diz… Estou aqui!

 

A Paixão,

Anda com asas de fumo, Tateia o invisível,

Com o sonho,

Na pontas dos seus dedos.

Desconfias das certezas,

Como quem desconfia da noite, Escura…

Que te envolve. A Paixão…

É aquela que gira,

No eixo do indizível,

E fala em silêncios, Polidos pelo tempo.

 

A Paixão,

É aquela chama invisível, Que põem a nu,

A montanha coberta de neve.

 

A Paixão, Não sente,

Mas pressente,

Que algo aí vem.

 

Ela,

Não sonha… Mas desenha,

O contorno do sonho.

 

E depois, Segue…

Mesmo sem saber se existe, Algo mais,

Além do que,

O coração sente.

 

A paixão, É efémera,

Ou talvez não…

 

Diogo Cosmo ∞

Coimbra

16-08-1985

 

*

Se eu fosse alquimista_1”: fotografia de Diogo Cosmo

Diogo Cosmo é escritor, poeta e declamador. Tem por hábito declamar no espaço cultural “Bota”, no evento “Doidos Diversos”, ambos em Lisboa, no Templo da Poesia em Oeiras, além de outros pontos de declamação espalhados pelo país, de Norte a Sul. É membro activo do site LusoPoemas e tem seguidores um pouco por todo o mundo.

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