Cultura

Cinco poemas | Diogo Cosmo ∞

Foto de The Cleveland Museum of Art na Unsplash

Vamos meu amor,
Já podemos abrir,
Em segurança as nossas asas.

Chegou a nossa altura perfeita,
Vamos fazer da nossa história,
Uma história interminável,
Neste castelo sem fim,
Onde só,
O verdadeiro amor pode entrar.

Seja qual o caminho que escolhermos,
O próprio sonho não nos deixará enganar,
Guiar-nos-á para além da eternidade.

Aqui,

As nossas asas já não derretem,
Aqui

Já ninguém as consegue sabotar,
Nem os sonhos,
Nem o amor verdadeiro.

Agora meu amor,
Vamos aventurar-nos neste,
Lindo sonho multicolor sem fim.

Nem o arco-íris tem tanta cor,
Acabaram-se as nuvens negras.

Meu amor,
Temos finalmente,
Tudo o que sempre desejamos,
O amor incondicional,
Que sempre nos uniu,
Sem sabermos,
Para toda,
A eternidade…

                                                         Diogo Cosmo ∞                                                                                                             

                                                                                                            03-08-2024

 

*

 

A Dor… não tem dono!

 

A dor não tem dono,

Mas tem por aí,

Muita gente que a explora,

E que a transforma num palco,

E a dor alheia em espetáculo,

Para deleitamento,

Dos que não têm coração.

 

A indiferença, 

É um silêncio,

Que legitima a dor,

Que cala a voz,

Que sufoca o grito.

 

O sangue não tem cor,

Mas tem história,

De vidas ceifadas,

E sonhos interrompidos,

De promessas não cumpridas,

De amores não vividos.

 

A memória…

É um refúgio,

Onde a dor se esconde.

 

A dor é um grito,

Que ecoa sem fim,

Ao sabor do vento,

Vindo… 

Do âmago do seu lamento,

E viaja…

Pela memória, 

Pelo tempo.

 

A violência é um rio,

Que transborda e mata.

 

A vida é um dom,

Que se perde tão facilmente.

 

E a morte sempre à espreita.

 

É o sinal,

É o aviso,

De quão

A vida é frágil,

E que…

 

Cada momento,

Cada segundo que vivemos,

É o presente mais precioso,

Que nos é dado,

Não pode ser desperdiçado. 

 

A vida é um dom!

 

A vida é um dom,

Que se perde,

Entre um breve, 

Piscar de olhos.

 

Finalmente…

Compreendi…

 

Aprendi,

O quão és,

Preciosa para mim! 

 

                                                                  Diogo Cosmo ∞

                                                                     15-12-2024

*

A Nostalgia do Poema

 

Hoje não falo sozinho,

Hoje… 

Falo com o Poema,

Olhos nos olhos.

 

Neste momento,

Ele é o único,

Que me entende…

 

Ele é o único,

Que me escuta… 

 

Atentamente,

Ainda que…

Com os seus olhos, 

Marejados de lágrimas.

 

O poema…

É o único que,

Ainda vai resistindo,

A tanta dor.

 

Como se ele fosse,

Um poço sem fundo

Vai engolindo,

Cada palavra minha.

 

E eu cá vou,

Dividindo a minha nostalgia,

Unicamente com ele.

 

É com ele

Que vou falando,

Contando-lhe coisas

Que me fazem sofrer,

Contando-lhe coisas,

Que só ele sabe ouvir,

De alma aberta. 

 

Jamais me passou pela cabeça

Que um poema,

Fosse capaz de chorar,

Mais do que eu.

 

Foi aí…

Que realmente me percebi,

De que o poema,

Sofria muito mais, 

Do que alguma vez,

Eu sofri.

 

Eu por vezes,

Nem dou por mim,

Não sei onde estou,

Onde me perdi.

 

Apenas…

Existe ele.

Sempre ele…

Onipresente.

 

O poema,

Inacabado…

 

 

                                                        Diogo Cosmo ∞     

                                                        10-03-2026

 

*

 

A nostalgia do silêncio…

 

A nostalgia do silêncio,

De não estares aqui,

De não poder apanhar as tuas lagrimas,

Antes de elas tocarem no chão.

 

E com elas saciar a minha sede,

De um pouco de ternura,

De um pouco de amor.

 

É verdade,

Continuo nesta amargura,

Mas… 

Porque raios, 

Sofro eu sozinho.

 

Vamos lá,

Vamos deixar,

Que o amor nos encontre,

Se for capaz,

Mesmo que nos traga um pouco de sofrimento.

 

Mas…

Que seria da vida,

Sem a aventura, 

Sem a incerteza,

Sem a ternura do momento,

Do sim… 

Ou…

Do não?

 

Encontramo-nos na hora errada, 

Mas com hora marcada.

 

Tu para um lado, 

E eu…

Para o outro.

 

Eu para ficar,

Tu para embarcar.

 

É tal e qual… 

Como nos filmes românticos, 

Alguém fica sempre,

Com uma lagrima bailarina,

Sempre que alguém.

Querido parte.

                                                                                                                     

 

                                                                                                         Diogo Cosmo ∞

                                                                                                                                          

                                            22-07-2024

 

*

Contigo para desconhecido?

 

Meu amor,

Estou sempre a sonhar,

A sonhar …

Como se a eternidade,

Me puxasse pela mão,

Para a montanha,

Onde se fabricam… os sonhos.

 

E se eu um dia acordar, …

Se eu descer à terra, …

Por favor não me deixes cair,

Do meu sonho,

Pois quero ir,

Para a nossa terra prometida,

Onde os sonhos não são proibidos.

 

Por favor apanha-me,

No teu regaço, 

Entre os teus braços esguios, 

Como se faz a um recém-nascido,

E embala-me ternamente,

Para o próximo sonho,

Que se avizinha.

 

Por favor,

Meu amor, 

Deixa-me sonhar, 

Nem que seja,

Só mais um pouco. 

 

Mas desta vez,

Vem comigo também,

Não fiques nesta terra de ninguém,

Onde há guerras e invejas, 

Por tudo e por nada.

 

Vem sem medo, 

Acredita que ninguém te verá,

Eu esconder-te-ei, 

Muito bem, 

Mesmo debaixo da minha pele.

 

Agora vem,

E aventura-te comigo, 

Entre estas nuvens, 

Feitas de lençóis de esperança,

Onde o sonho se passeia sem chão.

 

Meu amor,

Senti a tua mão,

Tocar-me levemente já por várias vezes,

Porque não me puxaste,

Porque não me resgataste, 

Deste sofrimento atroz,

Que constantemente me embarga a voz,

Fazendo este rio inundar mais uma vez,

As minhas enrugadas faces.

 

E aqui continuo,

Neste mundo, 

Cada vez mais sombrio,

Porque mais uma vez não me levaste

Contigo para essa aventura,

Para além do desconhecido.

 

Eu não queria …

Mas sei,

Meu amor, 

Que as promessas são para se cumprir…

 

Mas nem imaginas,

O quão é, difícil estar preso…

Vinculado,

A esta promessa.

 

Para sempre …

É mesmo muito tempo …

Não sei se vou conseguir,

Esperar tanto tempo assim. 

 

Os ciclos vão-se repetir, 

Indefinidamente,

Mesmo para além, 

Da própria,  

Eternidade…

 

                                                                         Diogo Cosmo ∞                       

                                                                          16-03-2023

 

*

fotografia de Diogo Cosmo

Diogo Cosmo é escritor, poeta e declamador. Tem por hábito declamar no espaço cultural “Bota”, no evento “Doidos Diversos”, ambos em Lisboa, no Templo da Poesia em Oeiras, além de outros pontos de declamação espalhados pelo país, de Norte a Sul. É membro activo do site LusoPoemas e tem seguidores um pouco por todo o mundo.

Qual é a sua reação?

Gostei
0
Adorei
0
Sem certezas
0

You may also like

Comments are closed.

More in:Cultura