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Cemflores: poéticas políticas em BH nos Anos 80, de Clara Albinati | Clara Albinati, Myrian Naves

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Em maio deste ano, foi lançado no Brasil, em Belo Horizonte, “Cemflores: poéticas políticas em BH nos anos 80”, de Clara Albinati, ed. Fino Traço. Clara traz em livro a trajetória do coletivo Cemflores, formado por “trabalhadores em arte”, como se denominaram. O grupo nasceu no seio do Movimento Estudantil e atuou no cenário da contracultura belorizontina nos anos 80, durante a abertura democrática, levando poesia para as greves e atos pela anistia.

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Clara Albinati, escritora brasileira (Belo Horizonte, 1983), é formada em belas artes pela EBA-UFMG e em cinema pela EICTV, Cuba, com mestrado pela UCLM Espanha e doutorado pela EBA-UFMG. Sua mais recente pesquisa foi realizada em 2024, na Índia, quando  abordou a relação entre cinema e pintura através do Department of Film Studies da Jadavpur University, Calcutá. Integra a Red Conceptualismos del Sur (RedCSur) e o Comitê Mineiro de Solidariedade ao Povo Palestino. É professora do curso de cinema da FCA-PUCMINAS. É ativista, pesquisadora e cineasta independente.

 

Na ocasião do lançamento aconteceram recitais de poesia: os coletivos Cemflores e Fahrenheit 451; uma performance teatral com Ana Gusmão e direção de Rita Clemente; e apresentações musicais com Duzão Mortimer, The Night Glamour e Divergência Socialista no Instituto Helena Greco, com o apoio do Comitê Mineiro de Solidariedade ao Povo Palestino, Associação Cultural José Martí/MG, Sind-REDE/BH, Marreta e coletivo Metalpunk Overkill. Com a comida vegana da Casa de Angola. Estava posta a mesa farta da cena política e cultural da cidade de Belo Horizonte, capital do estado de  Minas Gerais.

 

Sim, uma comemoração da cena cultural da cidade que vivenciou os anos oitenta e que reverenciava a publicação como parte de sua história.

 

No resumo da tese apresentada ao Curso de Doutorado do Programa de Pós- Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Doutor em Artes. Área de concentração: Artes plásticas, visuais e interartes, o objetivo, a metodologia, 

 

Cemflores: poéticas políticas em Belo Horizonte nos anos oitenta busca recuperar a trajetória do grupo Cemflores, a partir de depoimentos de seus integrantes e do contato crítico-afetivo com o arquivo do poeta Marcelo Dolabela, que guardou por mais de quarenta anos os resquícios dessa memória. Formado por “trabalhadores em arte”, como se denominaram, Cemflores surgiu no seio do Movimento Estudantil e atuou no cenário da contracultura em Belo Horizonte, nos anos 1980, período marcado pelo processo de redemocratização no Brasil. Os cemfloristas tentaram repensar a práxis das esquerdas, por meio da realização de ações poéticas. Publicaram revistas e dezenas de livrinhos em mimeógrafo, distribuíram poesia em greves e atos pela anistia, realizaram recitais, exposições de arte postal e experiências sonoras que culminaram na criação das bandas de estilo pós-punk Sexo Explícito, Divergência Socialista e Último Número.

   

TRECHO DO LIVRO

 

(…) 

A partir de seu núcleo inicial – com Avanilton de Aguilar, Carlos Barroso, Luciano Cortez e Marcelo Dolabela –, Cemflores passou por diversas “dentições”. Com a expulsão do grupo do DCE-UFMG, durante a gestão Centelha, encontraram guarida na UMES, onde se uniram a estudantes secundaristas e a outros participantes. Os anos 1970 e começo de 1980, com suas fulgurantes lutas sociais, trouxeram a sensação de continuidade da estrutura de sentimento da brasilidade revolucionária. Os cemfloristas levaram poesia a greves e manifestações, pensaram-se como poetas operários e estabeleceram um complexo diálogo com o Movimento Estudantil. Na UMES, o coletivo experimentou uma fase intensa de criação, com a publicação de livrinhos, os primeiros recitais com experimentos sonoros e a realização de exposições de arte postal, que os conectou a uma rede internacional de artistas. Depois, na época do “tem que pirar”, da Onda e das Diretas Já, um subgrupo no interior de Cemflores, a ex-Cemflores, desviou-se para a música, sem abandonar a produção de livrinhos e os recitais.

 

Em meados dos anos 1980, o sentimento de derrota se avolumava com a frustração das expectativas alimentadas no início da década e o aprofundamento do projeto neoliberal. Urgia, então, refundar a utopia, através de ações micropolíticas caracterizadas por estratégias da alegria. (…)

 

CEMFLORES

 

(Imagens)

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Clara Albinati, autora brasileira (Belo Horizonte, 1983), é formada em belas artes pela EBA-UFMG e em cinema pela EICTV, Cuba, com mestrado pela UCLM Espanha e doutorado pela EBA-UFMG. Sua mais recente pesquisa foi realizada em 2024, na Índia, quando  abordou a relação entre cinema e pintura através do Department of Film Studies da Jadavpur University, Calcutá. Integra a Red Conceptualismos del Sur (RedCSur) e o Comitê Mineiro de Solidariedade ao Povo Palestino. É professora do curso de cinema da FCA-PUCMINAS. É ativista, pesquisadora e cineasta independente.   

Myrian Naves, poeta brasileira, escritora, editora. Publica em 2025 Monami, pela editora Literíssima e Ensaio Urbano, poesia, pela Inmensa Editorial. Organiza com Leida Reis a Antologia Internacional de Contos pela Literíssima Editora, brasileira, em que escritores homenageiam escritores da nossa língua portuguesa, em seu segundo volume em 2025. Faz parte do conselho editorial desta revista. 

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