Política

Alô, Pedro! Fala, Satanás! I | Xico Simonini

Foto de Xavi Cabrera

Rogando a complacência de todos, não confundam, pelo amor de seus filhinhos, este Escriba com um Capitalista. Não se trata, pois, da exploração, espoliação e expropriação Daquela Tia Zanza e Daquele Sobrinho. Os três próximos textos pertencem aos seus acervos, porém, claro, lógico e evidente foram chupados, atualizados e ampliados com a anuência daqueles grandes Companheiros, Camaradas e Confrades. Em sendo assim e assim sendo…

 

E não é que a Tia Zanza, com autorização da República de Curitiba, aquela que julga sem provas, mas condena com convicção, grampeou um telefonema entre os Companheiros, Camaradas e Confrades Satanás e São Pedro?

 

Satanás: – Alô? E aí, Pedro? Como tá passando?

 

Pedro: – Alô! Quem fala? Alô! Alô! Aqui é o Pedro! Quem fala? Satanás: – Sim! Sou eu, Pedro! O Decaído! Há quanto tempo, hein, Cara, não trocamos uns parangolés daqui por uns parangolés daí?

 

Pedro: – Prazer, Satanás! Qualé as novas deste seu efervescent e ardente Domínio?

 

Satanás: – Ô Cara! Nem falo! O Temer-oso aumento dos combustíveis chegou até Nestas Bandas Minhas. Tragédia, Pedro! Além do aumento, o Cunha, encarregado do repasse, sumiu com a mala das nossas verbas. Assim, o racionamento tá brabo por aqui. As caldeiras? Capacidade mínima! Temperaturas baixíssimas! Um grupo de Almas, Pedro, acredita? A que ponto chegou minha moral. Uns Esquerdopatas convocando greve geral. Em comissão, aqueles Comunistas do Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo, Roberto Marinho e ACM, solicitaram audiência para informar de que este movimento grevista era coisa de Almas Infiltradas de Comunistas, Bolivarianos, Socialistas e Cubanos… Qual o quê! Tirando os deles da reta! Isto sim! Que Almas Infiltradas, coisa nenhuma, Cara! Tudo Comunista de carteirinha! Como bom mineiro, até Magalhães Pinto caiu no capinado!

 

Pedro: – É, Satanás! Cê tá lascado! Além do sumiço do Cunha com a mala das verbas… Racionamento… Baixas temperaturas… Ameaça de greve… Essa Tchurma da pesada… Quá! Quá! Quá! Quá! Me desculpe, Satanás, não aguento! Só rindo… E Ocê, além de engolir almas do quilate desta corja que gestou e pariu, além do Golpe, gente da laia de um Ustra, de um Fleury e de tantos e tantos outros vis torturadores…

 

Satanás: – Tá bom, Pedroca, pode tirar sarro… Minha vez há  de chegar! Ocê também num tá numa boa, não, Cara! Mas, aqui, ó, Amigão! Tão me chamando! Tenho que desligar! Tá chegando outra tralha pra mim! Tralha fedorenta, errante, vagando caminho adentro, caminho afora, desde quando abotoou o paletó… O Golbery, Cara! Tão ordinário que ganha de goleada da maioria dos meus discípulos… Pedro: – Ocê é, realmente, um Sujeito azarado, Satanás! Mas, acredite! Tudo nas mãos de Deus! Ele no comando! Deus sabe o que faz! Grande abraço! Tchau! Tchau!

 

Satanás: – Lespa! Nas mãos Dele? No comando Dele? Mas, Tchau! Tchau! Até o próximo, Amigo!

 

Fechando: Desconectados, Tia Zanza sai em disparada, pra contar os Infernais/Celestiais papos, pra Este Sobrinho, verrumando os miolos: PQP! Satanás é um Cara, realmente, infeliz. Ditadores e Eunucos da ditadura! Que amostragem! Nem Ele merece! Tadinho do  Decaído! Tá fu e mal pago!

 

In – Defini (Ções) Tivas Desta Tia Zanza e Deste Sobrinho. Silva, Francisco Simonini da (Xico Simonini), Viçosa-MG. Muzungu Comunicação, 2020. 260 páginas. Texto 267, página 159.

 

Fotografia de Xico Simonini

Francisco Simonini da Silva (Xico Simonini)  nasceu em Viçosa, MG, no dia 18 de novembro de 1941. Em sua cidade natal, em Belo Horizonte (MG), Florestal (MG), Pará de Minas (MG), Divinópolis (MG), Piracicaba (SP), Assis (SP), Primeiro de Maio (PR), Juiz de Fora (MG), Cataguases (MG), Ponte Nova (MG) e, recentemente em Santo Antônio de Pádua (RJ) construiu sua trajetória de professor e administrador do sistema educacional, além de marcante atuação na imprensa e na militância político-partidária. Aposentou-se como professor-adjunto na Universidade Federal de Viçosa (UFV), onde exercia suas funções no Departamento de Educação, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Vem atuando, há mais de cinquenta anos, no sistema educacional público e privado (da educação infantil à pós-graduação), no ensino, pesquisa, extensão e administração. Por iniciativa individual ou coletiva participou da fundação de uma dezena e meia de escolas e cursos em todos os níveis. Sua trajetória é marcada por vigorosa atuação política, partidária e sindical e em campos diversos, como músico, desportista, comentarista esportivo, escritor, poeta, chargista e responsável pela publicação do semanário viçosense “Muzungu”.




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