
Legenda “Os cães azuis de Chernobyl_1”.
Esta é uma história fantástica que mistura mito, impacto visual e um facto real mal interpretado, tornando-se uma das narrativas aliadas à tragédia de Chernobyl certamente mais curiosa que circula até aos dias de hoje.
Depois do acidente nuclear de 1986, começou a falar-se de mutações estranhas nos animais causadas pela radiação. Alguns cães teriam ficado com o pelo azul por efeito directo da contaminação!! A ideia encaixava bem no imaginário popular, pois Chernobyl passara a ser encarado como um lugar “anormal”. Mas seria realmente a radiação a provocar a mudança de cor do pelo dos cães? Perante a falta de base científica que explicasse a alteração, mantinha-se o rumor. Os “cães azuis” existiam! Sim, existiam, mas não por causa da radiação.
Vamos à explicação: a partir de 2010, equipas de veterinários e voluntários iniciaram a esterilização, vacinação e a monitorização dos cães de rua que viviam na Zona de Exclusão de Chernobyl, abandonados em 1986, bem como os seus descendentes. Para identificar rapidamente os cães já tratados, alguns foram marcados com tinta em spray azul, não tóxica, na cabeça. A tinta, por factores atmosféricos, como a chuva, espalhou-se por todo o pelo. Então, quando surgiram fotografias desses cães na Internet, fora de contexto, a explicação simples perdeu-se e o mito ganhou força. Se a calamidade de Chernobyl já estava associado a mutações, imagens de cães com manchas azuis, visualmente impactantes, ganharam reputação. Na verdade, uma explicação real é menos “sensacional” do que uma imagem trivial.
Ainda assim, torna-se interessante saber como conseguiram sobreviver os cães naquele lugar. Quando a população foi evacuada, muitos cães foram abandonados. Alguns militares chegaram a abater animais, mas nem todos, claramente, e os que ficaram formaram os primeiros núcleos reprodutores após o desastre, alimentando-se de restos, no início, depois de caça de pequenos animais ou carcaças deixadas por animais selvagens. Consequentemente, alguns conseguiram sobreviver à fome, a doenças e a Invernos rigorosos, até à intervenção humana de 2010.
É de enaltecer a capacidade de resistência e de adaptação a um meio ambiente desfavorável daqueles cães – animais domésticos – na ausência dos tutores.
Alice Caetano
Alice Caetano: Formação académica: Curso professores do 1º ciclo pela Universidade de Aveiro.
Licenciatura em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e de ciências da Educação de Lisboa.
Profissão – professora do Primeiro Ciclo.
Livros publicados:
Poesia: “Depois do Ninho, a Água”; “Transmutações”.
Prosa poética: “Maçã de Zinco”.
Poesia, teatro e conto – “Espelho Convexo” (recomendado por Francisco Louçã).
Histórico-Biográfico: “Palco Sombrio – Guiné – Guerra Colonial e Actos Cénicos” (recomendado por Francisco Louçã).
Livros em coautoria:
“Arranja-me um Emprego – crónicas e poesia para salvar o dia” – Editora Versbrava.
“Orgânico – Cinco Poetas, a mesma causa” (livro com carácter social) – Edição de autor.
“Xafir e a Feiticeira do Pântano” (infantil) – Alfarroba Publicações.
Participação na Antologia da Moderna Poética Portuguesa.
Participação em iniciativas do Movimento Democrático de Mulheres – MDM – com textos temáticos.
Membro do júri do Concurso “Aveiro Jovens Criadores”.
Poemas traduzido para italiano e publicados nas revistas Emergenza Climatica e Articoli Liberi.
Publicada pelo Jornal literário “RelevO” de Curitiba.
Realização de programas de rádio local de âmbito literário.
Escrita de prefácios em diversos livros de poesia.
Colunista na imprensa regional com artigos de opinião e crónicas políticas.
Segunda vencedora do 1º concurso de literatura polaco-português.
Distinguida pela Direcção Regional de Cultura do Centro como mulher de destaque no panorama cultural da Região Centro.
Elemento da Direcção do Grupo Poético de Aveiro.
Elemento do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal Manuel Alegre em Águeda.










