Cultura

Despertando a consciência cósmica: parte II | Artur Alonso

Foto: Danny “Dannydraait”

A ÁRVORE DA VIDA

No início, tudo isto, na verdade, era só Atman, único e sem um segundo. Não havia mais nada que piscasse. Ele pensou consigo: “Deixe-me agora criar os mundos” (Rig Veda – Cap. 1).

Segundo referem estudiosos cabalistas, a Inteligência Universal – Omnipresente, Omnisciente, Omnipotente contraiu-se, gerando um espaço para criar o mundo. E nisso são condizentes com o pensamento que grandes teósofos de todo o mundo, como Dion Fortune especifica na sua “Doutrina Cósmica”. Imaginamos também assim a conceção druídica e outras cosmogonias do mundo, como a indiana, dos Vedas – devido às suas semelhanças explícitas. Foi, pois, que dessa contração inicial de Atman – O Todo-Uno, gerou-se a primeira dualidade cósmica. Dado o espaço anexo circular, construído na contração, corresponder já a um princípio feminino – útero, taça, onde se contém a semente masculina – injeção divina, energia, em expansão para criar os mundos. Sabiamente falam os Upanishad: “O Senhor dos seres meditou e produziu Prana, a energia primordial, e Rayi, a doadora da forma, desejando que eles, macho e fêmea, produzissem de inúmeras maneiras criaturas para Ele. Prana, a energia primordial, é o Sol; e Rayi, a substância que dá a forma, é a Lua”.

Na simbólica “Árvore da Vida” o contrate da dualidade inicial dá forma aos mundos. O poder espiritual por esta árvore desce à matéria, o humano ser por ela ascende…

 

O percurso humano se realizará pelos 32 caminhos da sabedoria – formados por 10 Sephiroth (Esferas) e 22 letras (Correspondentes 22 arcanos maiores).

Desta simbologia, nos fala o “Sepher Yetzirah” – ou “Livro da Formação”.

Trabalhamos dentro da essência de 10 Esferas – Sephiroth – contendo 10 Infinitos.

* A profundidade do Principio – e A profundidade do fim.

* A profundidade do Bem – e A profundidade do mal.

* A profundidade acima –e A profundidade abaixo.

* A profundidade do leste – e A profundidade do oeste.

* A profundidade do norte – e A profundidade do sul.

O Mestre Único – Deus fiel – domina sobre todas elas –

Desde sua Santa Morada – ate à Eternidade das Eternidades.

Em nosso transitar evolutivo pelos caminhos e as esferas, sempre, sem saber, estamos em contacto com a Fonte – através da Substância – que contém a Essência.

“Estas são as 10 Sephirah do nada: O Fôlego do Deus Vivo, o Fôlego do Fôlego, Água do Fôlego, Fogo da Água, acima, abaixo, leste, oeste, norte, sul”.

Com o Fôlego (Ar-Inteligência da Mente Una) – em seu aspirar e expandir o Amor (sístole – diástole) o universo foi criado – emanação a emanação (pressão – fluência) – Com as letras – nos cantos do círculo fechado: Com Aleph-Mem-Shim- selou 6 extremidades, Yod-Hê-Vau selou o alto, Hê-Yod-Vau selou o baixo, Vau-Yod-Hê selou ao leste, Vau-Hê-Yod selou ao oeste…

“Crann Bethadh”, árvore celta da vida – representa o equilíbrio, harmonia e interconexão de todo no mundo natural – com seus ciclos – de tornar e retornar – Sistemas – Cadeias – Rondas – Globos – Raças – Sub-raças – ramos-raciais… Perfazendo na via do 10 da unidade (1+0:1) O transitar do 1-3-7 DA LEI.

Os 4 Mundos Cabalísticos

Os mundos cabalísticos recebem a emanação da força vital criativa do Ain Soph ou Infinito Divino – através de progressivos “Tzim-Tzum” – ocultações, véus, condensações…

Nos mundos mais elevados, maior revelação da Luz Divina – (Ohr).

Expansão da Consciência Humana – em Consciência Cósmica – se dá ao ir, nossa mente, revelando o que estava velado. Dentro destes mundos – das suas respetivas árvores e das suas esferas e caminhos (letras, números, signos, símbolos e geometrias).

Atziluth – Mundo da Emanação – A luz divina irradia ainda unida à Original Fonte.

Esfera do Pai – Chokmah – Plano Mental da Inteligência Superior –1º TRONO – CAUSA.

Briah ou Beriah – Mundo da Criação – “Jardim Superior do Éden” – Mundo das Ideias de Platão.

Esfera da Mãe – Binah – dentro 2º Trono das Hierarquias criadoras – Anjos da posição mais elevada – Plano do Amor – Intuitivo – Barriga Alta da Mãe.

Yetzirah – Mundo da Formação – Mundo Mental – Psico-Emocional – “Jardim Inferior do Éden”.

Esferas de Chesed a Yesod – o Zeir Anpin – Segundo o Rabino Michael Layman – é a parte central do sistema que recebe (a luz – Ohr – emanação divina) desde acima e a transmite até todos os seus componentes : natureza inanimada, vegetativa, animal e humana – Plano Astral – eletromagnético – da substância plástica refinada de que falava Eliphas Levi. – Barriga Baixa da Mãe no 2º Trono – Hexágono místico – das 6 esferas centrais da árvore da vida.

Briah + Yetzirah (Barriga Alta e Baixa) Formam o 2º TRONO – LEI.

Composto por 2 Triângulos de energias – Que preparam a manifestação visível – contendo ambos o modelo arquétipo – Mundo da transformação de Israel Regardie –  O Logos da Cósmica Mãe.

Essa mãe, como deusa fértil – na esfera sefirótica de Netzach, lembra a Deusa Jovem. Como Deusa gestante – em conexão com a esfera Binah, dentro do Triplo Logos lembra a mulher grávida. Essa mãe nos fala do poder gerando a vida. Como Deusa velha, no aspeto da Sabedoria de Binah, fala do inverno espiritual. Eis aqui a Deusa Tripla celta (a Tonantzin nahualt, sincretizada com a Virgem de Guadalupe). Nestas Deusas, também converge a triplicidade do Logos, agora no aspeto evolutivo e cíclico.

A Deusa Soberana mostra também seu aspeto como Justa / Julgadora. Sendo que no mau governo, surge aspecto triste do desamor: escassez, luta, zona obscura da barriga baixa, da Mãe Cósmica, do plano da criação, mais vinculado com o plano físico em desarmonia, onde a velha deusa invernal (domínio da noite) novamente se nos apresenta.

No bom governo, a Deusa Fértil prepara o ventre da Deusa em Gestação, para que a semente solar frutifique. O Lugnassad, as bodas de Lugh com a Terra – colheita e abundância. O bom governante favoreceu a chegada do bom ciclo de paz, justiça, abundância. Trabalhando dentro do bom planificar do segundo Trono, ou segundo Logos, do Trisquel Universal – a Mãe Cósmica.

O inverno também é o descanso dos campos – a primavera, o florescer – a Deusa Cósmica na Deusa Natureza projetada cuida da Terra e do Céu – e das suas criaturas vivendo nos diversos mundos.

 

Assiah – Mundo Físico – Esfera de Malkuth – reino finito – incluído o universo cosmológico – mundo da manifestação visível. – 3º TRONO – EFEITO.

E a quinta-essência – acima – dentro do Homem Cósmico – Arquétipo Primordial do Macroposopos – ADAN KADMON – esfera de Kether – Coroa Suprema – Ponte entre o imanifesto e o mundo a ser manifestado no Microposopos (Ideal do macro contido no micro – do micro dentro do macro).

Conexão do Infinito no finito – com o finito contendo a essência do Infinito.

Os ciclos Astrológicos

Ano Cósmico – Sistema solar dando volta ao redor da galáxia – sob a eclíptica – Cada volta dura cerca de 25,920 anos.

Volta – 360º – Dividida em 12 sectores de 30º – Casas Zodiacais – Ao longo deste ciclo – o pólo magnético volta para diferentes regiões do céu.

A Estrela Polar – sinalizando polo norte – vária.

3.000 a.C – Alpha Draconis – hoje Polaris (Alfa da Ursa Menor).

A mudança destas Polaridades – traz movimentos de deslocamento hegemónico – Em seu momento oportuno, o poder do Cruzeiro do Sul marcará o deslocamento hegemónico para o Hemisfério Sul.

Durante essa volta do ano cósmico – o planeta recebe diferentes energias dos 12 signos zodiacais.

Marcando Eras de 2.160 anos de duração – com suas influências.

Mudança, agora, da Era de Peixes – a Era de Aquário – governada por Urano – com oposição de Leão.

Mudança de Era – mudança da Noosfera – mudança dos conceitos. Novas Ideias – transformação dentro da Egrégora – NOVA EGRÉGORA.

Novo Guia da Humanidade – aquele que os budistas chamam de Avatara Maitreya – Arquétipo da nova Consciência Evolutiva.

Era de Touro – Krishna – Baal o filho divino – simbolizado como o Touro – na cultura de Canaã – e nos descobrimentos de Ugarith (cultura ugarítica).

Era do Carneiro – Moisés (que mandou destruir o bezerro – da era de Touro – para abrir a mudança para a Era do Carneiro – Páscoa hebraica).

Era de Peixes – Yeshua – o Cristo (O Evangelho dos Pescadores – transformados nos 12 Apóstolos).

Avataras ou Filhos Divinos (dentro da Egregóra do Patriarcado) ligados à Estrela do renascimento – Marcando o caminho do herói da transformação.

Guia- como Quetzalcoalth – ligado como Lugh, Yeshua – à estrela da manhã. Todos lutam contra as forças da obscuridade – vencendo e obtendo a vitória sobre a Morte.

A estrela da manhã também ligada ao Quinto Senhor – e sua hierarquia caída que deve reintegrar-se.

Na Babilónia, na celebração do ano novo o filho Nebu era sacado do seu altar e do seu Templo e conduzido até ao Templo do Pai Marduk – situando-o debaixo deste- Simbolizando precisamente aquele ditado evangélico que diz que somente pelo filho se chega ao pai – Representada a procissão, a alegoria do filho como o caminho, a verdade e vida … o início, meio e fim…

No mundo celta – galaíco – ainda se mantém a ideia matricial do Arquétipo da filha – junto ao filho, que formam a parelha da transformação interna – externa (Brigantia – Lugh): ideia primordial dos Gémeos Espirituais.

Os Trabalhos das Hierarquias dentro dos planos e ciclos


OS SETE HOMENS CELESTIAIS – Segundo a “Doutrina Secreta” – o Sol Único ou o Oitavo Logos é a síntese dos Sete Logos Planetários, que são como Centros de Forças dentro do próprio Sol Central ou Logos Solar.

 

No 2.º Plano Cósmico, ou seja, no Anupadaka, estão presentes diante do Trono os Sete Seres Celestiais, cada um deles formado por uma aglomeração de estrelas ou Mónadas.

Estes 7 Entes Celestiais (LUZEIROS OU ISWARAS) têm a fonte da sua origem e a causa da sua vida no Plano mais elevado, mais espiritual da Manifestação do nosso Sistema Solar – Chamado ADI.

Mónadas – Todas as Unidades de Consciência têm a sua origem num desses Luzeiros – Durante todo o período da sua evolução conservarão para sempre esta Tónica ou Raio.

Esses  Luzeiros quando entram em atividade nos Mundos materiais passam a ter a designação de Planetários.

Segundo o professor brasileiro Henrique José de Souza, os Planetários apresentam-se com duas faces: uma Divina e outra Terrena. O aspeto terreno está sujeito a evolução, portanto, a cair e levantar no processo evolutivo.

Planetário, por sua vez, reparte-se, projeta-se “tulkuisticamente” em 7 Kumaras trabalhando em conjunto, com suas cortes – a favor da evolução humana nos 7 planos (do micro e macro) – simbolizados pelos 7 andares dos Ziggourat ou Torres dos Templos na Suméria.

Daí o Logos Triplo ser o centro do qual emanam, progridem também os 7 planos energéticos, em tudo presente: nas 7 cores do arco da velha, nas 7 notas musicais (com sua oitava acima, que não deixa de ser uma referência ao Logos – Uno – Trino); nos 7 dias da semana, nos 7 selos e 7 igrejas do livro do Apocalipse de São João, e nas 7 cabeças da besta; os 7 chakras, os 7 raios primordiais,  as 7 fases – anos do desenvolvimento humano…

O sete e seus ciclos naturais em nós, assim mesmo fazem presença: na fecundação do ciclo feminino da fertilidade, cada 14 dias (7×2). Até 7 horas após nascido, não sabemos se o novo ser é ou não apto para a vida; aos 7 meses nascem os primeiros dentes do bebé; aos 14 dias (7×2) os olhos da criança podem seguir a luz; aos 14 meses começamos a expressar pensamentos, por meio da voz e dos gestos; aos 21 meses (7×3) começamos a ter maior precisão no pensamento; aos sete anos começam a nascer os segundos dentes; 14 anos despertar da energia sexual; 21 anos (7×3) estamos fisicamente formados (daí antigamente muitos países fixarem a maioria de idade nesta franja)… 

E assim, pela frente, cada 7 anos uma restruturação do nosso corpo… completando aquele 1-3-7 individual e universal – LEI. Logos Uno Triplo e seus 7 planos energéticos.

A partir deste Logos Triplo e seus 7 planos cósmicos e seus 7 Arcanjos em presença do Trono, holisticamente, a emanação energética é produzida. Dessa emanação fluindo pelas 10 sefiras da árvore sagrada – cria-se nossa realidade física. Realidade material a todo este simbolismo bem interligada.

Esse número 7 sinalizando as 7 divindades simbólicas – ligadas aos trabalhos terrestres civilizacionais – está presente em muitas mitologias. No Anahuac, temos a divindade una polarizada em 2 e à sua vez multiplicada em 4 (1+2+4: 7).

O número 7 representava para os mexicas a ponte entre o céu e a terra… 

Segundo o Antropólogo mexicano Miguel León-Portilla – os mexicas acreditavam também na Unicidade dum Ente Eterno.

Ometeotl representa a manifestação do Deus Uno- Andrógino.

Também chamado de “in Tonan, in Tota, Huehueteotl” e dizer “Mãe a nossa, Pai o nosso, Velho Deus” – contendo dentro de si a dualidade em lactância. Representando unidade masculino-feminina primordial – antes da polarização.

Ometeotl reside em Omeyocann, aquele sagrado local “ Sítio da Dualidade“, ocupando o mais alto lugar no céu.

Ao polarizar-se para criar os mundos Ometeotl se divide em: Omecihatl e Ometecuhtli.

Omecihuatl – Representante da Deusa Cósmica do 2º Trono da Mãe- aquela essência receptiva da criação ou útero sagrado – Conhecida popularmente como Tonacacihuatl ou “Senhora da nossa carne”.

Ometecuhtli – Representante do Deus Cósmico do 1º Trono do Pai – aquela semente expansiva da vontade de criar.

A partir deste dualidade, nascem as 4 Divindades que dão origem a todo processo civilizador – correspondentes também com os 4 elementos primordiais: fogo, ar, água e terra.

Tezcatlipoca vermelho ou Xipe Tótec: divindade da morte e renascimento, ligada ao elemento Terra – Tezcatlipoca preto ou Tezcatlilpoca ligado à Água – Tezcatlipoca branco ou Quetzalcoatl, o mercurial deus do Ar e Tezcatlipoca azul ou Huitzilopochtli: o senhor da guerra externa e também da guerra interna ou transformação – Huitzilopochtli ligado ao elemento Fogo.

As divindades mitológicas, por sua vez representam arquétipos que também têm a ver com determinados estados de Consciência.

O caminho Druídico da Iniciação

Na tradição suméria Enki – o Criador – Fez o ritual e cerimonial final – dividindo a “argila” em 14 partes (lembra o homem nascido do barro – da tradição judaico cristã) – 7 homens e 7 mulheres (Os andróginos primordiais – Luzeiros – sendo que essa “argila” simbolizaria a Substância Primordial.

Substância nascida da Fonte Original – que contém a Divina Essência.

Enki se torna o guardião dos “Me” – decretos pré-ordenados e imutáveis da Lei Divina.

Os “Me” constituem a força impessoal que fundamenta toda a  civilização e todas as Instituições humanas -práticas religiosas, sociais, cientifico-tecnológicas – assim como todos os princípios individuas e coletivos.

Os ME são a essência da qual se forma toda a Noosfera – esfera do conhecimento humano – De acordo aos ME, se criam as Egregóras Principais dos Ciclos.

Segundo a evolução humana – dado os ME surgirem da FONTE PRIMORDIAL – IMUTÁVEL – esses Princípios – adaptados às fases evolutivas humanas – movimentam todos os processos dos cíclicos civilizacionais.

O caminho druídico consiste, pois, na procura deste conhecimento – através do qual se desperta a luz no nosso interior – centelha divina em nós.

Os ME formam a base do conhecimento da “Sabedoria Iniciática das Idades” – da Religião Primordial – da que falava René Guenón – Conhecimento que faz a Reconexão dos seres humanos e a coletividade com a Lei Universal – Divina – permitindo evoluir ate à fase final da Reintegração das mónadas na Unidade.

Seu conhecimento permite obter o despertar da Iluminação e aos Bodhisattvas manter seu juramento de ajudar ao despertar coletivo – para, no fim todo ser Glorificado.

Sabendo das luzes e sombras – no espelho das dualidades – e que o mal não pode ser destruído senão transformado – Os seres em trabalho na materialidade podem desviar-se e corromper-se, desviando e corrompendo o legado. Pelas eleitas do livre arbítrio.

Daí surge a diferença entre o Druída Ascensionado e o Nirmankaya Obscuro – pois o primeiro está em sintonia com o sagrado conhecimento e utiliza o mesmo para o serviço da humanidade – Enquanto o segundo, cegado na sua tónica egoísta, utiliza o conhecimento para servir-se da humanidade… Trazendo dor, miséria e corrupção a Terra.

Daí a importância do trabalho da transformação interna – dentro da Escola – Teatro – Templo.

A escola simboliza a entrada na “Sala do conhecimento” – O Teatro nos fala da inter-relação humana, cada ser como espelho e reflexo dos outros seres – neste espelhos, vamos observando a vida e obtendo informações precisas para ampliar o conhecimento com a prática. Cada conversa com os outros abre nossa consciência a novas formas de entendimento da vida. Quanto mais variado o convívio com o entorno e os diversos seres humanos, culturas, cosmovisões – mais enriquecedora a experiência.

Finalmente, o Templo – Dentro de nós – nos momentos íntimos de resguardo no silêncio – em meditação, oração, introspeção ou simples observação nos permite a conexão com o mais prezado que existe dentro de nós: a nossa Consciência mais elevada – latente e aguardando sua expansão – conexão com o Todo e a sua Unicidade.

O regresso à fonte sendo aqui o final do bom caminho – uma vez que a verdade da União na experiência vital ter sido concretizada – e a vida se tornar para nós Eterna – perdendo o sentido da morte como etapa final.

De momento aquelas faíscas de luz, que somos nós, ainda não voltaram à casa da Unidade – a conexão permanente com a fonte, da que foram abruptamente afastadas. Por isso, a humanidade vive num relativo exílio cósmico momentâneo, num divórcio condicionado com a Divindade. E também numa permanente, pelo menos agora, des-comunhão com o Divino em nós (com a nossa própria e elevada essência). À espera de completar nossa fase evolutiva final e de nos adequarmos ao nosso poder real, e tornar a reconhecer a luz em nosso coração, para ser de amor sempre presente. Disso precisamente fala o mito do Filho Pródigo.

Procuremos o bem para que o bem também procure encontrar a porta de volta à nossa poderosa essência. Pois, por cima de tudo, a LEI sempre prevalece: seus três alicerces: amor, por um lado; rigor por outro; e poder equilibrante, acima e no meio… Oscilam segundo nosso agir: mais ou menos ignorante. Sendo por desconhecimento, por insistência ou entendimento que nós criamos nossa própria realidade, junto com os nossos caminhos de liberdade, escravatura ou relativa penitência.

Mesmo se, por ignorância, entrarmos no labirinto da noite, ali, por Lei, poderemos encontrar, também, o caminho de retorno, carregados de um maior conhecimento. Pois, tal como afirma o Conto egípcio do Náufrago (Papiro descoberto pelo egiptólogo russo Vladimir Goleinischeff, no Museu Imperial de São Petesburgo, em 1881) : “Como é feliz aquele que pode contar aquilo que experimentou, (depois de) terem passado os maus acontecimentos”

“Oh ! Não deixeis apagar a chama ! Mantida
De século em século
Nesta escura caverna,
Neste templo sagrado!
Sustentado por puros ministros do amor!
Não deixeis apagar esta divina chama ! “

(Edward Carpenter – extrato poema do livro “O Caibalion”)

O maravilhoso livro “O Evangelho de Sri Ramakrishna”, nos mostra a seguinte parábola:

No Nirvikalpa samadhi Sri Ramakrishna havia concretizado que somente Brahman é real e o mundo ilusório. Ao manter a mente durante seis meses no plano de Brahman não-dual, havia atingido o estado de vijnani, ou de “conhecedor da Verdade”, num sentido muito especial e rico, aquele em que vê Brahman é não apenas em si e no Absoluto transcendental, mas em tudo no mundo. Nesse estado de vijnani, às vezes alheio à consciência do corpo, ele se olhava como uno com Brahman; às vezes, consciente do mundo dual, olhava-se como um devoto do Todo, servo ou filho. A fim de tornar o Mestre capaz de trabalhar para o bem-estar da humanidade, a Mãe Divina manteve nele um traço de ego, que descreveu – segundo seu estado – como o “ego do conhecimento”’ o “ego da devoção”, o “ego de um filho”, ou o “ego de um servo”. Em qualquer um desses casos, esse ego do Mestre, consumido pelo fogo do Conhecimento de Brahman, era apenas aparente, como uma corda queimada. Muitas vezes referia-se a esse ego como o “ego maduro” em contraste com o ego de uma alma apegada, que descrevia como ego “não maduro” ou “verde”. O ego de uma alma apegada identifica-se com o corpo, parentes, posses e o mundo, mas o “ego maduro”, iluminado pelo Conhecimento Divino, reconhece que o corpo, parentes, posses e o mundo são irreais e estabelece uma relação de amor somente com a Unidade. Através do seu “ego maduro”, Sri Ramakrishna lidava com o mundo e com a esposa. Um dia, enquanto massageava seus pés, Sarada Devi perguntou ao Mestre: “O que você pensa de mim?” Logo veio a resposta: “A Mãe que é adorada no templo é aquela que deu nascimento ao meu corpo e, aquela que está agora morando no nahabat; é aquela também que está massageando meus pés nesse momento. Na verdade, sempre considerei você a personificação da Bem-aventurada Mãe Kali”.

Eis aqui o plano superior da Unidade, com o qual ao exemplo do grande Ramakrishna podemos fundir-nos, naquele estado beatífico de Plenitude total. Mas também observamos aqui o segundo plano intermédio da Grande Mãe – como mediadora entre essa Plenitude total – Paz Completa e o necessário trabalho, a realizar no 3º Plano – Físico, seja para continuar o nosso percurso evolutivo até à obtenção desse poder unificador, que nos eleve à luz; ou, bem, para já tendo atingido esse poder, como o mesmo Ramakrisnha, servir de guia, caminho, exemplo, para ajudar a humanidade a percorrer o caminho certo.

Entre esse plano da Grande Mãe e o plano material físico dos filhos / filhas, trabalham também os arquétipos elevados e os Filhos Divinos ou Avataras como: Krishna, Horus, Baal, Quetzalcoalt, Lugh ou Cristo – cada qual marcando a tónica evolutiva superior para uma determinada civilização ou determinada humanidade… Para que a chama nunca se apague!

 

Fotografia de Artur Alonso Novelhe

Artur Alonso: escritor com vários livros editados de teatro, poesia, ensaio e romance… Ex diretor do Instituto Galego de Estudos Internacionais e da Paz. Ex secretario do Instituto Galego de Estudos Celtas. Membro do Conselho Consultivo do Movimento Internacional Lusófono. Membro de Honra da Associação de Escritores.Mocambicanos na diáspora. Membro do Conselho de Redação da Revista Identidades, etc.

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