Sociedade

Conhecimento consciência | Xico Simonini

Foto de Siora Photography na Unsplash

É aterrador… É assustador… É apavorante…

 

Ou quem sabe? Uma tragédia… Uma catástrofe…Uma desgraça…

 

Algum pensador? Algum investigador? Algum observador?

 

Alguém teria uma resposta satisfatória para tal e qual questão?

 

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto e no entanto, deve-se divagar um tanto quanto antes de expor esta tal e qual questão.

 

Então… Depois de labutas tantas e de tantas labutas, aquela estafante, fatigante e debilitante eterna perseguição do Conhecimento.

 

Segundos… Minutos… Horas… Dias… Meses… Anos… Cansativos estudos produzem significativo acervo de saberes, um amontoado de sapiências, um acúmulo de sabedorias.

 

Graduação… Especialização… Mestrado… Doutorado… Pós-Doutorado… Resultado? Um respeitado Doutor… Um Cientista renomado… Um festejado Pesquisador… Um eficiente Extensionista… Um laureado Professor… Fama municipal, estadual, nacional e até, quem diria? Internacional!

 

Então, eis a questão: Algum pensador? Algum investigador? Algum observador? Alguém teria uma resposta satisfatória para tal e qual questão a seguir?

 

Conhecer seria tudo? Saber tudo seria? O domínio amplo, geral e irrestrito de determinada área? Não! Absolutamente, não! E que se coloque um rotundo não a esta questão! Conhecer não seria tudo! Tudo, jamais! Há algo mais no Reino do Conhecer. Algo muito além do que possa imaginar nossa vã imaginação.

 

Deslizando para o mundo infantil, é salutar lembrar a confissão do Joãozinho. Um fato extremamente didático. Trata-se da penitência imposta pelo Padre ao Joãozinho e sua resposta:

 

Padre: – Ide em paz, meu filho, ide em paz, o Senhor vos acompanhe! Mas, antes, faça, aqui e agora, meu filho, o Sinal da Cruz!

 

Joãozinho: – Chiii! Padre! Tô lascado! Falá o Sinal da Cruz eu sei! Eu num sei é ispaiá ele na cara e nos peito, Padre!

 

Conclusão? Conhecimento é uma coisa! É saber falar, competentemente, o Sinal da Cruz. Mas, jamais pode ser o tudo! O conhecimento necessita de algo mais. De muito mais! Algo este fundamental, qual seja o de saber, também, espalhar o Sinal da Cruz na face e no tórax.

 

E o que seria este saber espalhar o Sinal da Cruz? Quem sabe? Seria algo denominado Consciência – Composta por Sentimentos… Noções… Ideias… Concepções… Sentidos… Ter a competência de enxergar além do horizonte… Ou ter a competência de perceber que a estrada vai muito além do que se vê… Ou ainda, ter a competência de olhar com os olhos da consciência para poder divisar o Imperceptível, o Incompreensível, o Impenetrável.

 

A fusão Una! Única! Unida! A imprescindível unificação do Conhecimento + Consciência ou Falar + Espalhar!

 

Ao contrário, a dita Classe Pensante será composta pelo número esmagador de Idiotas Conhecedores sem Consciência e de uma minoria de Gênios Conhecedores com Consciência.

 

Os Gênios, os Conscientes, enxergam o visível e o invisível. Os Idiotas, os Conhecedores, tropeçam até no visível.

Fotografia de Xico Simonini

Francisco Simonini da Silva (Xico Simonini)  nasceu em Viçosa, MG, no dia 18 de novembro de 1941. Em sua cidade natal, em Belo Horizonte (MG), Florestal (MG), Pará de Minas (MG), Divinópolis (MG), Piracicaba (SP), Assis (SP), Primeiro de Maio (PR), Juiz de Fora (MG), Cataguases (MG), Ponte Nova (MG) e, recentemente em Santo Antônio de Pádua (RJ) construiu sua trajetória de professor e administrador do sistema educacional, além de marcante atuação na imprensa e na militância político-partidária. Aposentou-se como professor-adjunto na Universidade Federal de Viçosa (UFV), onde exercia suas funções no Departamento de Educação, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Vem atuando, há mais de cinquenta anos, no sistema educacional público e privado (da educação infantil à pós-graduação), no ensino, pesquisa, extensão e administração. Por iniciativa individual ou coletiva participou da fundação de uma dezena e meia de escolas e cursos em todos os níveis. Sua trajetória é marcada por vigorosa atuação política, partidária e sindical e em campos diversos, como músico, desportista, comentarista esportivo, escritor, poeta, chargista e responsável pela publicação do semanário viçosense “Muzungu”.

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