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Samsara | Rudá Ventura

Foto de Magnus Östberg na Unsplash

Sinto falta do que não me lembro,

Mas tão vívida é a noite

Que cintilam os sonhos.

 

Torna o vento que perpassa a campina,

E tornam as gotas que nomeiam a cheia…

 

Vejo flores povoando a estrada

E estrelas adentrando a laguna…

Ouço um canto a ressoar nas tardes

E o silêncio a ecoar das noites…

Sinto tudo o que eu não lembro,

E me consome um tempo

Que não concebe o fim.

 

Mudam os traços

Feito a pele da terra 

Ao percorrer-se a vereia,

E mudam as vestes

Feito os trajes da noite 

Que ocultam as ruas…

Mas há tanto que se retém

Que o infinito abarca o espelho.

 

Mesmo partindo tantas vezes,

Mesmo penetrando a bruma…

Acho que voltamos para o mesmo lugar,

Acho que sempre voltamos…

 

Sinto falta do que não me lembro

E sinto falta de ti.

 

* Termo páli e sânscrito referente à ciclicidade da vida.

Fotografia de Rudá Ventura

 

Rudá Ventura: poeta, músico e educador brasileiro, nascido em São Paulo.

Graduado em História, especializou-se em Ciências Humanas pela PUCRS.

Autor do livro Preamar (Laranja Original, 2017) e integrante da antologia Encontro de Utopias (Patuá, 2019), tem poemas publicados também em revistas literárias do Brasil, de Portugal e de Moçambique.

Buscando tornar a literatura mais acessível, realiza palestras e apresentações recitadas em instituições de ensino e eventos culturais.

Lançado em 2025 pela editora Patuá, Ária é seu novo livro de poesia.

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