
Ceci n’est pas une pipe (Isto não é um cachimbo), do artista belga René Magritte [Exposição La Trahison des Images (A traição das imagens), 2017]
Eduardo Ferreira em suas “traduções” na Rascunho (ed. Julho/2025) reforma conceitos.
Sim, as palavras são traiçoeiras, Eduardo, poderosas e…escorregadias.
E além de escorregadias, dúbias.
Formam, como ele diz, “significados, mas não os definem exatamente”.
Somos convidados, induzidos e pior, impostos por palavras deles, sempre eles…
A música clássica de Wagner tenta com sua aura musical insinuar a “Chegada dos Convidados”…pena que estão cegos e não enxergam as palavras…
Se os convidados de Wagner sugerem uma entrada triunfal para um concurso de canto com suas vozes, o homem pós-moderno fica submisso diante de conceitos pré-estabelecidos.
Dureza.
É, as palavras são escorregadias, e estão todas lá, na cultura das massas, na indústria cultural, nas mídias malditas, nas violências culturais e agora os indivíduos já não sabem se são voluntários ou involuntários.
Bom, não é difícil separar conceitos, o problema são suas “traduções”.
Que agora inovam com versões evangélicas, pentecostais e com a turma da Bíblia (qual Bíblia não sabemos) menosprezando palavras onde a fé não é prioridade.
O dízimo engole o inocente que engole palavras…escorregadias.
A boiada segue palavras que não possuem o Esclarecimento de Kant e enquanto a menoridade superar a maioridade, as traduções miram-se em tradições.
As cavernas de Platão escurecem ainda mais a menoridade onde suas sombras além de inexatas distorcem verdades.
Como Brizola dizia, ahh, os interésses…
O reverendo de George Orwell é definitivo, “sabem porque a Igreja perdeu o poder sobre a população? Devido aos porcos ateus como Bertrand Russell e suas palavras…”
E para o querido religioso Russell é um imundo, “não é esse que é um matemático inteligente?” grita o reverendo que quer apagar as sábias palavras do filósofo.
Porém as traduções resistem e as palavras censuradas deslizam em subterfúgios, escorregam e “apesar de você”, driblam idiotas censores.
É, às vezes nem dízimos malditos seguram as palavras escorregadias onde seus fakes não seguram suas mentiras por muito tempo.
A semântica dá risadas enquanto o orador distribui ordens com desordens.
Wittgenstein disse que nossa linguagem revela nossos limites, ora, evidente que não posso falar o que não sei ou não compreendo e portanto o filósofo finaliza “não ouse falar sobre o que não conhece”.
Simples, o problema são as palavras escorregadias que proliferam nas redes sociais.
Agora todos (inclusive esse blogueiro), pensam saber de tudo um pouco, mas na verdade sabemos um pouco de tudo.
Bom, estou seguindo as desordens ordenadas de Edgar Morin.
Não almejo ser especialista em nada, quero apenas deslizar meus paradigmas cuidando para não ultrapassar os “limites” de Wittgenstein.
Bom, isto é, alterar o limite…
E não podemos esquecer que palavras são, às vezes, “representações”.
Vejam só, se num quadro de um cachimbo está escrito abaixo, “isto não é um cachimbo”, você logo diz como assim? claro que é um cachimbo.
Foucault esclarece, “não vamos confundir representações com a própria realidade”.
Sensacional.
Os problemas recrudescem quando as palavras escorregadias…aquelas… giram em estranhas semânticas, conceitos, polissemias, contextos…
O jornalista Coca Trevisan nasceu em Santa Maria, RS. Atuou como repórter e redator nos jornais NH, de Novo Hamburgo; VS, de São Leopoldo e Jornal Alto da XV, de Curitiba. Como profissional freelancer assinou matérias em diversos periódicos. Participou de workshops e atuou em debates sobre a Indústria Cultural dos anos 1980/90. Mais recentemente, concluiu pela PUC-RJ o Curso de Extensão Origens do Existencialismo. Mantém e abastece o blog Violências Culturais. Atualmente mora em Florianópolis, SC.
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