
Dai-me o espinheiro, o abrunheiro e a rosa
para que com eles perfume, no meu peito, o bom caminhar:
a viagem precisamente aí começa
no momento do primeiro ar – no instante do ser inspirar
Dai-me o espinheiro, o abrunheiro e a rosa
eles têm o segredo da eterna exalação
Dai-me o espinheiro, o abrunheiro e a rosa
eles me ensinam a ancestral canção
Sendo tempo de colheita
agora posso lembrar
dos caminhos trilhados na sombra,
dos planaltos ganhados ao andar
e cumes vencidos pelo esforço
de nunca desistir até avançar
Dai-me o espinheiro, o abrunheiro e a rosa
eles entendem que é preciso descansar
Dai-me o espinheiro, o abrunheiro e a rosa
para o amor do antigos hoje aqui manifestar
Sentes no sangue e nos ossos o alento dos ancestrais?
Podes ouvir entre o vento os espíritos do lugar?
Faz dos teus pés raiz na Terra,
caminha entre os mundos que te hão de inspirar
Lembra da rosa e do espinho, do abrunheiro
tecendo suas ramas no ar
e do tempo de vencer a morte,
sendo tempo já, de acordar!
Estamos na sombra que o horizonte espreita
estamos no crepúsculo que a alvorada há de anunciar
Dai-me o espinheiro, o abrunheiro e a rosa
eles entendem o nosso aguardar
Dai-me o espinheiro, o abrunheiro e a rosa
eles resguardam a voz do trunfar!
Onde indique o coração emergente
– sagrada copa armilar,
onde a marca do espírito invoque
as vitórias que ainda hão de chegar,
ali teus pés, até à gloria, aí te hão de levar
Dai-me o espinheiro e a rosa
o abrunheiro erguido para nunca se agachar
Dai-me no peito seus aromas
para nunca jamais, pelo medo, os povos se ajoelhar
Artur Alonso: escritor com vários livros editados de teatro, poesia, ensaio e romance… Ex diretor do Instituto Galego de Estudos Internacionais e da Paz. Ex secretario do Instituto Galego de Estudos Celtas. Membro do Conselho Consultivo do Movimento Internacional Lusófono. Membro de Honra da Associação de Escritores.Mocambicanos na diáspora. Membro do Conselho de Redação da Revista Identidades, etc.










