
Em Sampa já é quatro horas da manhã,
Porque Novo mundo, Capão Redondo, Capela do Socorro, Jardim Pery e Jardim Brasil os despertadores despertam trabalhador em alerta.
Um Café preto seco, às quatro e meia, já no ponto de ônibus, enquanto isso jardim Europa, Itaim Bibi e Morumbi dormem pra não falar de Alfaville.
Às cinco horas da manhã, homens e mulheres dentro de um Ônibus brigando pra trabalhar.
Às seis horas outro ônibus, novamente empe apertado, calor, cheiros e disputa por espaço é só o início.
Às sete horas na caminhada, meia hora depois, o porteiro me recebe, vai ser o único durante o dia que me deu bom dia.
Agora elevador separado roupa e distintivos, o balde na mão, sabão e muita discriminação.
A história em curso a lei da terra me deixou sem terra a abolição me deixou sem chão sem comida sem teto e sem dinheiro.
O sistema só quer meu trabalho o sistema não quer pagar os anos trabalhados. São trezentos anos de exploração.
Quando percebo já é quatro da tarde e o serviço ainda não acabou e como sempre me chamam o copo caiu, onde está a calça que sumiu, mesmo encontrando é constrangedor.
Às cinco da tarde vai começar tudo de novo às oito da noite chegando em casa encontro a família tenho de fazer a comida que amanhã tem mais.
Quando pisca o olho já é dez horas da noite a chuva caindo forte o assoalho da casa gotejava água, tenho que dormir às quatro da manhã o despertador está aí.
Noites mal dormidas é dia de horror, nós não somos párias esperando o executou.
Os filhos ficam só o mais velho cuida do mais novo a comida, a escola ajuda, na creche ou na estrutura social.
Levantemos as cabeça só há uma solução: lutar por uma educação libertadora, por uma sociedade justa, por um mundo melhor.
A história em curso, a lei da terra me deixou sem terra, a abolição me deixou sem chão, sem comida, sem teto e sem cidadania.
O sistema só quer meu trabalho, o sistema não quer pagar os anos trabalhados. São trezentos anos de exploração.
Enfrentar é preciso, lutar é preciso, um outro mundo é possível.
Fernando Ferro Brandão é professor de História, começou sua militância no movimento estudantil. Criador do núcleo do PT Vila Medeiros, assim como das ONGs Acesso e do IEPA para educação de jovens e adultos. Foi diretor da CUT-SP por dois mandatos e coordenador da CUT-Guarulhos, trabalhou também no SDU – Secretaria do Desenvolvimento Urbano, também foi Secretário Adjunto de Educação de Guarulhos. Atualmente trabalha como professor na escola e com a formação de professores no programa PIBID-UNIFESP










