
E se é certo que os Estados Unidos da América nunca exportaram a democracia para o mundo, bem pelo contrário, sempre derrubaram governos democraticamente eleitos para instalarem ditaduras que defendessem os seus interesses e permitissem a rapina das riquezas desses países, como sucedeu com o governo democrático de Mosaddegh, no Irão, substituído pela ditadura facínora do xá Reza Pahlavi, testa de ferro dos interesses americanos, em 1953, porém, nesse tempo, os EUA ainda mascaravam as ditaduras e a pilhagem que impunham a países terceiros com a defesa da democracia e o combate ao comunismo. Hoje, não há qualquer disfarce. Os EUA intervêm na Venezuela para pilhar o seu petróleo e estão a levar a cabo esta guerra criminosa contra o Irão também para pilharem o seu petróleo. E confessam esse propósito.
É certo que existem outras razões para a intervenção dos EUA como ajudante de Israel na tentativa de Natanyahu de destruir o último reduto defensor dos direitos dos palestinianos para avançar com o projeto do Grande Israel. Para isso arrasou Gaza e está a tomar conta da Cisjordânia, onde os soldados israelitas são o suporte das ações de colonos judeus que expulsam palestinianos de suas casas e de suas terras, matam e agridem, instalando o terror, afirmando abertamente, perante as televisões, que a Cisjordânia é parte de Israel.
Trump está nas mãos de Natanyahu que tem nas sua posse os ficheiros do caso Epstein que provam que Trump, além de violador de crianças e abusador sexual, era um drogado e vendia segredos de Estado. É esta, certamente, a principal razão da aventura criminosa de Trump que a justificou, perante as reservas da CIA e do Pentágono, com as vantagens do saque do petróleo iraniano que, à semelhança do golpe levado a cabo contra a Venezuela, lhe permitiria pagar a guerra e aparecer na visita à China, marcada para o final de Março, como a maior potência militar, vencedora de um importante aliado Chinês, e apresentar-se perante Xi Ji-Ping com trunfos para negociar a divisão do mundo.
Esperava um golpe de força rápido e arrasador, com a decapitação da cúpula do poder iraniano. Mas o Irão tem um milhão e seiscentos mil quilómetros quadrados, noventa milhões de habitantes e uma orografia que não facilita a conquista. Tem ainda uma sabedoria de séculos e uma experiência de luta recente contra o Iraque e Israel que o levou a descentralizar o poder de modo que a queda de uma chefia não implica a queda de outras, antes a sua substituição imediata.
O drogado e ex-alcoólatra Peter Hegseth, apresentador televisivo na Fox, Ministro da Defesa ou, como ele se intitula, da Guerra, incita Trump na sua loucura. Outros loucos, como Robert Kennedy, ex-drogado e combatente contra as vacinas fazem, com Trump, um circo na Casa Branca.
O mundo sofre. Mas é o preço da criação do Grande Israel, que Deus aos Judeus, segundo o seu Livro, e que vai do Nilo ao Eufrates. É uma ambição de fanáticos e um pretexto para uma guerra que, para Natanyahu, tem a vantagem de impedir a sua prisão por vários crimes, nomeadamente de corrupção.
O circo de Trump é apenas um auxiliar desse desígnio.
HENRIQUE DÓRIA
Henrique Dória é advogado e colaborou no Diário de Lisboa Juvenil e nas revista Vértice e Foro das Letras. Tem quatro livros de poesia e três de prosa publicados. É diretor da revista online incomunidade.com, e da Rádio Transforma.










