
Dai-me um exemplo
Imaculado de realidade.
Dai-me uma palavra
Que possa anular
Vaidade.
Dai-me uma casa
Que abandonada
Se acabe.
Dai-me
O pássaro.
Dai-me
A falésia ou um estrondo.
Para o amor?
Basta a salina pálida, a veia a soro.
E, tu devoção querida,
(meu amor)
Abençoada sejas.
E, tu crueldade,
Declaração de princípios,
Mais claros –
Menos o novo.
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Parece que chove
Nas tuas pestanas negras
Como chove
Na orla do bosque.
Ouço as tuas pestanas negras
A rugir de medo
No mar.
Escamosas e ácidas,
As tuas pestanas negras
Já são giesta, zimbro,
Porque amam
As bagas dos teus olhos.
Gilda Nunes Barata nasceu em Lisboa (Portugal), em 1973.
É licenciada em Direito pela Universidade Católica de Lisboa (UCL).
É mestre em Literatura pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL).
É doutorada em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa (UNL).
Livros de poesia publicados: Quando o Rio e a Maré Confluem (1999), Vertigem Velada, Universitária Editora (2000), A Última Ceia Invadida pelas Ondas, Edições Alma Azul (2006), A Luz Negra no Seu Roxo Amanhecer , Portugália Editora (2009), O Esplendor de uma Coisa Inocente Editora Licorne (2014), Deixa-me Ser no Final Como os Anjos, Lupa Design Editora (2016), As Catedrais Nascem no Mar, Livraria Lello Editora (2019), edição bilingue (português e inglês), nomeado como finalista do Prémio Literário Casino da Póvoa, entregue no âmbito das Correntes d`Escritas, na sua 22.ª Edição, 2021, Fragilissimamente, Urutau Editora (2021).Apagão, Urutau Editora (2022), Gilda, 25 Anos de Poesia, Alêtheia Editora (2024).










