Política

Comunista! | Xico Simonini

COMUNISTA!

 

     Ô Achavascado! Ô Bronco! Ô Tosco! 

 

     Vai estudar, vai! Pare de ficar, por aí e pela aí, vomitando, defecando, assoando e transpirando insciências, ignorâncias e insipiências. Vai estudar, vai, Babaca! Panaca! Basbaque! 

 

     Chega de encher o saco, ô Lambe-botas das botas que o espolia, expropria e o esbulha! Entenda, de uma vez por todas e de todas por uma vez! Lacre esta bocal cloaca bucal! Não vou lhe mandar tomar nalgum lugar, pois, se você for, pode gostar. O que seria uma punição, num orgasmo se transformaria. Em assim sendo e sendo assim, fico no trivial mesmo: Vai à merda, intratável! Quanta falta fez um Preservativo! Camisinha! Diafragma… Pílula ou Vasectomia… Uns ou Outros… Ou, até mesmo uma Estrangulada no Careca ou uma Esfregada na Xereca… Que falta fizeram! Ah! Se fizeram! 

 

    E, entre tantos outros pensamentos… E, entre tantas outras ideias…  Desponta, em um só vocábulo ou em uma só expressão, a obra-prima daquele que desconhece o mínimo do mínimo de uns tais e quais ensinamentos de Sociologia, História, Política, Filosofia, Geografia e outros tais e quais ensinamentos de, com quantos saberes se faz uma sapiência… Ou, no popular, com quantos paus se faz uma canoa! Portanto, ei-las: Comunista! Vai pra Cuba, Comunista! Isso é papo de Comunista!

 

     Ô Achavascado! Ô Bronco! Ô Tosco! 

 

     Comunista, segundo Érico Veríssimo, no Incidente em Antares, “É o pseudônimo que os conservadores, conformistas e os saudosistas do fascismo inventaram para designar simplesmente todo sujeito que clama e luta por justiça social.”

 

     Ô Achavascado! Ô Bronco! Ô Tosco! 

 

     Sabe o que são conservadores, conformistas e saudosistas? E fascismo? Ou justiça social?  Vive gritando Comunista! Já leu O Capital, a obra integral, composta por três volumes, mas que podem ser cinco, com umas, mais ou menos umas 2.500 páginas? Sabe o que é Mais-Valia? Força-de-Trabalho? Teoria da Abstinência? Acumulação Primitiva? Manifesto do Partido Comunista? Não leu, né, Mané? Sabe o que é Infraestrutura? E Superestrutura? 

 

     E, para terminar, concluir e findar, Achavascado, Bronco e Tosco, que vive gritando Comunista!,  além do Tio Marx, o Barbudinho, já leu Hegel, Engels, Lukacs, Gramsci, Trotsky, Lenin, Rosa Luxemburgo, Mao, Guevara? Leu ou nunca ouviu falar desta Galera, ô Cara de repugnância, náusea e nojo? 

 

     E, para acalmar os nervos já à flor da pele deste Escriba, de bom alvitre, ampliar estes riscos, garatujas e rabiscos, com uma estória que tem tudo a ver:

 

     O Cenário? Uma Instituição Educacional. O Corpo Docente? Consciente e Competente. A Missão? Educar disseminando Conhecimento mais Conscientização. O Problema? Eles, os de sempre, os Achavascados, Broncos, Toscos. A Plateia? Aplaudindo ou Vaiando. O Clima? Tenso ou Calmo, muito mais tenso do que calmo. Alguma Baixaria? Mais baixa do que alta. Destaque das Baixarias? Slogans criados pela Galera dos Achavascados, Broncos, Toscos daquela Instituição Educacional: 

 

     Departamento de Comunista! Tudo Comunista! Só o Capitão Ferreira* pra dá jeito nessa Cambada Vermelha! Esquerdopatas destruindo a Instituição!

 

     E a Ironia… Irreverência… Insolência… Dos Comunistas, cria e divulga, aos quatro cantos e ventos quatro da Instituição, a máxima que viria virilizar e calar, para todo o sempre e do sempre para o todo, as bocas dos ditos cujos Achavascados, Broncos e Toscos, talqualmente, a sua. 

 

     Qualé mesmo a máxima? 

 

     Nós não somos Cumunista! Nós somos Bucetista!

 

_____________________

 

* Capitão do Mato, o então chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI) do pedaço ou seria do Serviço Nocivo de Infâmias (SNI)?

 

Fotografia de Xico Simonini

 

Francisco Simonini da Silva (Xico Simonini)  nasceu em Viçosa, MG, no dia 18 de novembro de 1941. Em sua cidade natal, em Belo Horizonte (MG), Florestal (MG), Pará de Minas (MG), Divinópolis (MG), Piracicaba (SP), Assis (SP), Primeiro de Maio (PR), Juiz de Fora (MG), Cataguases (MG), Ponte Nova (MG) e, recentemente em Santo Antônio de Pádua (RJ) construiu sua trajetória de professor e administrador do sistema educacional, além de marcante atuação na imprensa e na militância político-partidária. Aposentou-se como professor-adjunto na Universidade Federal de Viçosa (UFV), onde exercia suas funções no Departamento de Educação, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Vem atuando, há mais de cinquenta anos, no sistema educacional público e privado (da educação infantil à pós-graduação), no ensino, pesquisa, extensão e administração. Por iniciativa individual ou coletiva participou da fundação de uma dezena e meia de escolas e cursos em todos os níveis. Sua trajetória é marcada por vigorosa atuação política, partidária e sindical e em campos diversos, como músico, desportista, comentarista esportivo, escritor, poeta, chargista e responsável pela publicação do semanário viçosense “Muzungu”.




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