Política

Câmaras de eco | Coca Trevisan

Foto de Jaime Lopes na Unsplash

Atualmente vivemos pré-moldados.

 

Aliás, há muito tempo.

 

Se por um lado as mídias malditas, em todas as eleições, criam seus caçadores de marajás, vampiros, mitos (e agora coachs), por outro, sistemas financeiros ditam normas e crenças.

 

Como o capitalismo, sempre agindo com fórmulas antigas e inovadoras.

 

A internet chegou com seus fakes e agora a verdade não é uma essência.

 

Líderes religiosos são proprietários de redes de comunicação enquanto influenciadores fazem a festa com seus milhares de seguidores.

 

Suas câmaras de eco garantem suas “construções” ideológicas. 

 

Como Wittgeinstein dizia em seus jogos de linguagens, vamos até nossa língua permite.

 

Para a filósofa Nancy Fraser o capitalismo não é um sistema econômico e sim uma ordem societal institucionalizada.

 

Como é que é?

 

Sempre pensei que capitalismo, socialismo, etc, eram sistemas econômicos…

 

Sim, de certa forma, mas para “funcionar” precisa de uma ordem societal, deve existir o explorado não é mesmo?

 

Ahhhhh…

 

Ciclos se repetindo como câmaras de ecos onde a boiada segue obedecendo quem? As mídias malditas, Malafaias, ah tem o Banco Central (bah, nem moro no centro), o mercado (que não é do meu amigo Valdir)…

 

Ah, como vou esquecer, as indústrias culturais ditando regras, valores e modas. 

 

Enquanto isso os papagaios repetem conceitos sem entender suas “ordens societais”, sem perceber que são os próprios explorados.

 

E quando o alerta vem, são os comunistas e terroristas querendo…querendo o que?

 

Ah, o sonho do oprimido ser o opressor amanhã.

 

Tolos.

 

Assim apenas garantem os ciclos das tais ordens societais.

 

As câmaras de eco são implacáveis. 

 

E batem palmas para Pablo Marçal (ufa, escapamos por pouco), mas não se preocupem as mídias malditas vão providenciar “O Patriota Evangélico” ou pior, o “Mito II”.

 

Pequeno Príncipe me leve com você para seus planetas.

 

Dostoiévski, me faça sonhar como o homem ridículo.

 

Eu quero partir no trem das sete horas.

 

Pode ser o das 11 horas…

 

Ou ser teletransportado pela nave Enterprise para o planeta dos orelhudos.

 

Velocidade máxima…

 

fotografia de Coca Trevisan

 

 

O jornalista Coca Trevisan nasceu em Santa Maria, RS. Atuou como repórter e redator nos jornais NH, de Novo Hamburgo; VS, de São Leopoldo e Jornal Alto da XV, de Curitiba. Como profissional freelancer assinou matérias em diversos periódicos. Participou de workshops e atuou em debates sobre a Indústria Cultural dos anos 1980/90. Mais recentemente, concluiu pela PUC-RJ o Curso de Extensão Origens do Existencialismo. Mantém e abastece o blog Violências Culturais. Atualmente mora em Florianópolis, SC.

 

Legenda “Câmaras de eco_1”: fotografia de Coca Trevisan

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