
nunca um espaço vazio foi assim
tão habitado
acnum os anjos entraram assim tão sós
nas portas da cidade
nunca tantos justos, tantos pecadores, comeram assim do mesmo pão
acnum uma guerra partilhou assim os mesmos paióis
nunca as sentinelas honraram tanto a mesma doença
acnum as mãos lavaram assim os males da terra
nunca o ar assim
tão falto, tão rarefeito acnum implorado, assim o nome da respiração
nunca a memória, o tempo do náufrago, assim pronunciados
acnum tanta nudez, antes do sono antes do fim
nunca assim o medo
a alucinação, a ocupação lenta da razão
acnum a morte tão só, tanta ausência tanta solidão
nunca tanta morte servida, assim
à mesa, na casa, na cama, no chão
acnum tão funda a marca da dor
na pele, na afeição
nunca tanto as paredes da casa foram assim o desespero das ruas
acnum tanto despojo, tanto grito, tanta morte assim
anonimata
nunca tão vasto, assim
o combate entre o homem e a sua invisibilidade
acnum a natureza, deus e os homens se confrontaram, assim
tão desiguais
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se formos sábios, se formos sábios, se formos sábios
nunca a explosão do amanhã nos foi assim tão anunciada
acnum.
Maria Adelina Amorim
Maria Adelina Amorim: (Investigadora Integrada do CHAM Investigadora Doutorada do CHAM- Centro de Humanidades da FCSH- Universidade Nova de Lisboa).
Nasceu em Coimbra, Portugal. Doutorada em História pela Universidade de Lisboa. Mestre em História e Cultura do Brasil pela Faculdade de Letras da UL-Lisboa. Bolseira da JNICT e da FCT, de mestrado e doutoramento. Investigadora Doutorada do CHAM- Centro de Humanidades, da FCSH- Universidade Nova de Lisboa e do CH – Centro de História da Faculdade de Letras de Lisboa. Licenciada em História. Formadora em História/ História de Portugal e História das Civilizações.
Foi Professora Associada na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia; Investigadora sénior do CLEPUL- Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da FLUL.
Pertence a várias instituições académicas e científicas nacionais e internacionais. Tem realizado conferências e palestras em instituições científicas de Portugal, Espanha, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Goa e Macau, e a organiza encontros científicos e de divulgação cultural nacionais e internacionais com actas publicadas, bem como diversas exposições científicas. Com livros e diversos artigos publicados em revistas nacionais e internacionais nas áreas da História e Cultura do Brasil, Missionação, Ordem Franciscana, História Colonial, Lusofonia, escravatura, artes, língua e património lusófono, literatura de viagens e mirabilia, Bestiário, entre outras, integra diversos projectos de investigação, com destaque para a História Colonial (Brasil e Atlântico), a Literatura de Viagens e a Lusofonia. Na ficção, destaca-se o livro de poesia HILUS.










