
Me vendem liberdade,
mas me entregam exaustão.
Chamam de escolha,
mas é só pressão.
Sociedade disciplinada,
não com chicote, não com prisão,
mas com tela brilhante,
metas, prazos, produção.
A violência é neurológica,
se infiltra na mente,
grita: “Você pode mais!”
e mata a gente lentamente.
O tédio profundo já não existe,
foi enterrado pelo feed infinito,
não há silêncio, não há vazio,
só dopamina barata, clique por clique.
Vivemos a sociedade do cansaço,
uma corrida sem linha de chegada,
a culpa é privatizada,
o fracasso, terceirizado.
E no meio disso tudo
a festa morreu.
Tempo de celebrar?
O riso desapareceu.
Vivemos no tempo do espetáculo,
mas ninguém dança.
Vivemos no tempo da abundância,
mas ninguém descansa.
O corpo pede pausa,
a alma pede chão,
mas seguimos como máquinas,
sem rito, sem celebração.
Slam é grito,
contra o esgotamento que nos consome.
Slam é fogo,
na frieza de quem já não tem nome.
E eu te pergunto:
que festa é essa,
num mundo sem celebração?
Que vida é essa,
se tudo é só exaustão?
Fernando Ferro Brandão é professor de História, começou sua militância no movimento estudantil. Criador do núcleo do PT Vila Medeiros, assim como das ONGs Acesso e do IEPA para educação de jovens e adultos. Foi diretor da CUT-SP por dois mandatos e coordenador da CUT-Guarulhos, trabalhou também no SDU – Secretaria do Desenvolvimento Urbano, também foi Secretário Adjunto de Educação de Guarulhos. Atualmente trabalha como professor na escola e com a formação de professores no programa PIBID-UNIFESP.










