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Slam do cansaço | Fernando Ferro Brandão

Foto de Rapha Wilde na Unsplash

Me vendem liberdade,

mas me entregam exaustão.

Chamam de escolha,

mas é só pressão.

Sociedade disciplinada,

não com chicote, não com prisão,

mas com tela brilhante,

metas, prazos, produção.

A violência é neurológica,

se infiltra na mente,

grita: “Você pode mais!”

e mata a gente lentamente.

O tédio profundo já não existe,

foi enterrado pelo feed infinito,

não há silêncio, não há vazio,

só dopamina barata, clique por clique.

Vivemos a sociedade do cansaço,

uma corrida sem linha de chegada,

a culpa é privatizada,

o fracasso, terceirizado.

E no meio disso tudo

a festa morreu.

Tempo de celebrar?

O riso desapareceu.

Vivemos no tempo do espetáculo,

mas ninguém dança.

Vivemos no tempo da abundância,

mas ninguém descansa.

O corpo pede pausa,

a alma pede chão,

mas seguimos como máquinas,

sem rito, sem celebração.

Slam é grito,

contra o esgotamento que nos consome.

Slam é fogo,

na frieza de quem já não tem nome.

E eu te pergunto:

que festa é essa,

num mundo sem celebração?

Que vida é essa,

se tudo é só exaustão?

 

Foto: Fernando Ferro Brandão

Fernando Ferro Brandão é professor de História, começou sua militância no movimento estudantil. Criador do núcleo do PT Vila Medeiros, assim como das ONGs Acesso e do IEPA para educação de jovens e adultos. Foi diretor da CUT-SP por dois mandatos e coordenador da CUT-Guarulhos, trabalhou também no SDU – Secretaria do Desenvolvimento Urbano, também foi Secretário Adjunto de Educação de Guarulhos. Atualmente trabalha como professor na escola e com a formação de professores no programa PIBID-UNIFESP.

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