
O LUGAR DE IDA
A queda silencia o grito da sombra,
recobre-a com a certeza
(Finalmente a unicidade)
Nada de prudência
sob o fustigante Sol.
Vitória, 15 de janeiro de 2024
SOUL
Só posso afirmar que sou o vento,
o conforto, a ilusão
Mas cesso com o suspiro
da primeira face que atinjo
Não sei retornar à boca de Deus,
me derramo antes
Dissolvo brumas,
sussurro silêncios
Converso com os atentos,
deixo um mimo, um novo conceito de tempo
Permito-me o desperdício
lambendo as chamas
Beiro muros infinitos
buscando sobreviventes
Deixo rastilhos na areia,
brinco de transitoriedade
E percorro os céus
em busca da fantasia das asas.
Vitória, 20 de janeiro de 2024
MONÓLOGO A DOIS
Falo a história dos dias,
assim, despercebido,
entoando versos
que não ecoam mais o assombro da beleza
Perto de mim há um anjo que me entende,
e chutamos pedras
As luzes polvilham a cegueira,
e eles já não veem o bordado das asas,
as tranças do anjo,
a textura desalinhada de seus passos
e me condenam à loucura
(A praticância desassistida de sonhos
é o testemunho da morte que abomino)
Beijo a boca do anjo
e tento adivinhar o seu nome
antes que desista deste Mundo
e me abandone
perdido em alguma esquina,
repleta de olhares ausentes.
Lisboa, 17 de fevereiro de 2024
PARTES E CRUZES
E, se entrecortássemos o destino,
ele flutuaria mais fácil
no caudal de angústias?
Assim, picotado,
ele se desdobraria em infinito?
E seria ele a nos cerrar os olhos?
Vitória, 18 de maio de 2024
DIUTURNAMENTE
Eu me encontro
no desperdício do entretanto,
mesmo que me custe a sanidade.
Entretanto a tormenta
e o rugido da fome
me recebem na porta dos dias,
recostadas em sua rotina despercebida.
E não acelero os passos,
e isto é muito.
Domingos Martins, 29 de março de
2024










