Poesia & Conto

Íntimo | Morgado Mbalate

Foto de Ranjini Hemanth na Unsplash

Quero pertencer ao mundo da poesia dos afectos. Da poesia da fé. Da poesia da alma. Sinto a poesia de todos os poetas moçambicanos e africanos de outras gerações. Sinto-a com muita intensidade. Sinto-a sozinho e guardo-a no meu peito. Guardo-a na estrutura do meu viver. Escrevo o Índico nos sonhos de todos os homens e mulheres que amam a minha terra e o meu povo. Agarro os raios do sol. Escrevo o baile, a dança, toda a coreografia solar. Busco conhecer também a essência das cores e das asas das borboletas. Sou famoso pela maestria de escrever o rio moçambicano e o mar africano no leito da memória e do mapa do mundo. Escrevo as águas onde nascem as sereias da minha terra. Na correnteza dos dias, ensaio um sorriso para as árvores, arbustos e plantas que me olham no fundo dos olhos. Caminho sobre a pele nua da ilha de Moçambique. Falo com todos os turistas sobre o sol da minha terra, seu brilho monumental, sua força incomparável, seu calor impiedoso. Na ilha de Moçambique, os olhos das pedras e das areias da praia têm vegetação. O sol moçambicano é tão belo, e ilumina o corpo da praia, das águas, do mar, dos pescadores e de todos telhados da cidade. Será que o meu povo está ciente do amor que sinto por ele? Este belo sol de Moçambique vive despertando poesias, e africanidades em minha alma. O que me alimenta a alma é a minha matriz moçambicana e as minhas raízes africanas.

fotografia de Morgado Mbalate

Morgado Henrique Mbalate, mais conhecido por Morgado Mbalate, o Anjo das Palavras, nasceu em Maputo, no dia 6 de Setembro de 1993. É um premiado escritor moçambicano, activista cultural, filósofo, e poeta. Um dos maiores expoentes da Literatura jovem Africana e moçambicana de expressão portuguesa. É membro da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), graduado em Filosofia pela Universidade São Tomás de Moçambique (USTM, 2018). Estudou Electrónica e Telecomunicações na Escola Nacional de Aeronáutica (ENA, 2012). Especialista em Comunicação e Marketing, em Relações Públicas e Linguística. É autor dos livros: Odisseia da Alma (Edições Esgotadas, 2016), A Arte Suave da Palavra (Chiado Books, 2020), Co-autor do CD de Literatura Negra O que nos a Bala (Comunidade do Tambor, 2018). De entre Prémios e Distinções: destaque para o Prémio Bicentenário de Dostoiévski (2021), menção honrosa no Premio Mondiale di Poesia Nosside (2014), menção honrosa no Prémio Fernanda de Castro do IV Concurso Internacional de Poesia e Prosa (2017). Colabora com diversas revistas a nível nacional e internacional. Seu poema “Africanizando” foi reproduzido em diversos livros didáticos do ensino fundamental brasileiro, e seus textos foram traduzidos para francês, inglês, espanhol, italiano, e são estudados em escolas e Universidades em Moçambique e no Brasil.

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