
PAISAGEM HUMANA
Da varanda
do meu poema abraço
a humanidade inteira.
Dentro do meu poema
reconstruo o mundo e
a poesia da vida.
Minha alma
viaja e repousa
no eterno e terno
leito da poesia.
O MENINO QUE NASCEU GRANDE
Uma ave
veste o meu ser.
Minha arte maior
é o meu jeito de ser.
Meu jeito de ser
garça entre o pôr-do-sol e a lua.
Meu corpo
é a metade do sol.
Eu caminho
com todos os tempos e todas as eras.
Sou todas as pessoas
do mundo de todas as raças.
Meu poema
é uma morada
que construo para Deus.
E o lugar onde construo
minha felicidade.
Quero a palavra sagrada
grávida de Deus.
África é chão sagrado
onde escrevo os meus sonhos.
MARGENS DO ÍNDICO
Meu poema
é banhado pelas águas
quentes de todos
os rios de Moçambique.
Meus versos
têm a poesia
e o aroma das águas
sagradas do Índico.
O HOMEM DO MAR
A voz do mar
invoca meu nome
para que se torne
presença no mundo.
Faço poemas
com o gosto
da africanidade e moçambicanidade
do chão onde o Índico pisa.
O mar é o paraíso
que me deixa mais
perto de Deus.
Eu sou água
escuto peixes.
O FAZEDOR DE SONHOS
Nasce
um novo dia
no meu peito
e no peito de toda
a humanidade.
Já não caminho
errante e perdido
pelo mundo.
Quero que os anjos do sol
entrem na pele
da minha casa.
Quero que as portas
e as janelas da minha casa
se enfeitem de mar
e do azul do horizonte.
Estou preso
nos novos sonhos
da humanidade.
O REINO DA INFÂNCIA
Nascido e criado
na palma da mão
da minha terra.
Moro na intimidade
dos ventos e nos rugidos
dos rios da minha terra.
África me acolheu
com as cores da alegria
do seu amanhecer.
Minha infância
me banhou com
os mais puros pores-do-sol.
Minha alma
é curada pelos eternos sonhos
e devaneios da infância
das crianças da minha terra.
Morgado Henrique Mbalate, mais conhecido por Morgado Mbalate ou o Anjo das Palavras, é Escritor e Poeta moçambicano. Nasceu em Maputo, a 6 de Setembro de 1993. Licenciado em Filosofia (USTM). É membro da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO); Cofundador do Círculo Académico de Letras e Artes de Moçambique (CALAM). Autor dos livros Odisseia da Alma (2016); A Arte Suave da Palavra (2020); Co-autor do CD de Literatura Negra O que nos a Bala (2018). De entre prémios e distinções, destaque para o Prémio Bicentenário de Dostoiévski (2021); Prémio Mundial de Poesia Nósside (2014), e Prémio Fernanda de Castro do IV Concurso Internacional de Poesia e Prosa (2017). Participou da 4ª edição do Festival Internacional Earthquake Terramoto (2021). Seu poema “Africanizando” foi reproduzido em vários livros didáticos do ensino fundamental brasileiro, e seus textos foram traduzidos para francês, inglês, espanhol, italiano, e são estudados em escolas e Universidades em Moçambique e no Brasil.










