Ciência

Padre Himalaia – da invenção ao Teatro | Maria de Lurdes Fonseca Marques

Manuel António Gomes, conhecido como Padre Himalaya, foi um dos grandes pioneiros da energia solar. Inventor de três dezenas de engenhos. Tornou-se famoso por inventar o “Pirélióforo” um mecanismo concebido para concentrar a energia do sol e utilizá-la para gerar calor.

Nasceu em Cendulhe – Arcos de Valdevez em 1868. Foi um sacerdote fitoterapêutico e naturopata e um eminente cientista/inventor, de engenhos técnicos, altamente sofisticados e inovadores, no domínio das energias renováveis, com eles pretendia solucionar problemas ecológicos, energéticos e agrícolas. Contam-se entre os seus engenhos mais de 30 invenções “naáreas do aproveitamento da luz solar e de técnicas de explosivos; nesta última desenvolveu” o químico – a himalaite, que foi produzida e comercializada por uma empresa. Já na energia solar a sua criatividade conduziu-o à construção de um sofisticado engenho – o Pireliófero, um mecanismo com 10 m de altura e espelhos que, concentrando os raios solares, tinham como finalidade a fundição de materiais.

 

O Pirelióforo, a inusitada máquina solar, constitui-se como uma das invenções do percurso excepcional deste eminente cientista, com reconhecimento internacional, tendo-lhe garantido, em 1904, o Grande Prémio da Exposição Internacional de St. Louis, nos EUA. Este engenho “tinha como objetivo o aproveitamento industrial e agrícola do calor do Sol, uma visão revolucionária das energias renováveis no início do século XX”. A revista National Geographic, em outubro de 2020, colocou em destaque a excelência do trabalho desenvolvido pelo padre Himalaia, considerando que é um dos maiores cientistas e visionários portugueses dos finais do século XIX.

 

Já no domínio das artes, a conceituada companhia de Teatro Seiva Trupe levou recentemente à cena, a peça Himalaia: a Invenção do Sol, a partir de uma ideia original e encenação de Sandra Salomé com texto de Pedro Leitão, e uma  interpretação exímia dos actores Rui Noronha e Mafalda Covas. A peça de teatro combina de forma magistral a realidade e a imaginação, protagonizada a partir do fantasma do Padre Himalaia colocando em destaque a questão primordial: E se o Sol se partisse? A partir daí desenrola-se perante o público uma sucessão de desafios enquadrados numa mundividência colorida, repleta de desafios prático/teóricos e de soluções engenhosamente criativas, de forma a encontrar a solução final para um problema de cariz eminentemente técnico e cientifico, que hoje se nos coloca com particular acuidade.

 

 

Fotografia de Maria de Lurdes Fonseca Marques.

Maria de Lurdes Santos Fonseca Marques é licenciada em Filosofia pela FLUP e Mestre em Filosofia e Cultura Portuguesa pela Universidade do Minho. Professora e autora de livros e artigos de revistas e jornais, sobre filosofia, pedagogia, literatura, critica de cinema e arte em geral, bem como artigos de opinião. Foi docente do Ensino Secundário onde lecionou as disciplinas de Filosofia, Comunicação e Difusão, Língua Comunicação e Cultura,  Psicologia e Sociologia. Participou em colóquios e conferência como oradora sobre filosofia, pedagogia, arte e psicanálise. Os seus pólos de interesse referenciais situam-se ao nível da filosofia, da literatura e da arte em geral.

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