Cultura

Mulheres e predadores | Hermínio Prates

Foto de D A V I D S O N L U N A na Unsplash

 

Uma mocinha interiorana, filha única, convence os pais a venderem o que têm e se mudam para a capital, em busca, segundo ela, de ambiente propício aos estudos e, na sequência, um futuro profissional. Logo a mocinha, egoísta ao extremo, faz o mundo girar em torno das suas ambições e se mantém à distância do movimento estudantil contra a ditadura, se aproxima de empresários e políticos poderosos, não se sabe como se torna assessora de uma secretaria e vive amores em troca de favores em sua escalada social.

 

O país pena sob o jugo da ditadura militar, as multinacionais dominam a economia, focos guerrilheiros surgem nas cidades e no campo, a repressão violenta tinge de vermelho as tentativas de redemocratização do país, que sobrevive sob a ilusão de um milagre econômico benéfico apenas para uns poucos enquistados no poder.

 

              Na visão de Francisco Dantas de Freitas, advogado e cronista, “faz bem à memória coletiva, principalmente no momento político atual, relembrar o mal que o execrável regime de exceção causou ao Brasil. O livro “Mulheres e Predadores” expõe as feridas pestilentas dos porões da ditadura da época em que uma das personagens politicamente alienada e fútil, só pensava em se dar bem na vida por meio de relacionamentos com políticos e empresários corruptos, numa desenfreada carreira de “alpinista social”. O atento leitor terá a oportunidade de se informar como é o mundo televisivo, jornalístico e cultural… o autor abre os bastidores da televisão, os sets de gravações e filmagens e as coxias do teatro para nos brindar com esclarecimentos do mundo de fantasia da indústria do entretenimento e nos revela ainda importantes fatos históricos nos remetendo, por exemplo, a figuras como o sertanista Pedro Teixeira, personagem que a história oficial omite e que foi um dos responsáveis pela conquista da Amazônia e consequente alargamento do território brasileiro, com o deslocamento do Tratado de Tordesilhas e posterior assinatura do Tratado de Madri (1750), entre Espanha e Portugal e que praticamente consolidou as atuais fronteiras do Brasil .”

 

              “Ler “Mulheres e Predadores” é um presente. A astúcia argumentativa do escritor demonstra o cuidado com a literatura que se assemelha a Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Darcy Ribeiro, dentre outros. O autor, filho de nordestinos, traz consigo a resistência e a criatividade do Lógos da Grécia e o Heket da África na sua forma de escrever com reverência, demonstrando o fenômeno da vida em todas as suas nuances. A História das nações sempre é contada por mentes brilhantes que se propuseram em manter as raízes, identidade e modo de ser de cada povo que assegura as bases para as próximas gerações. Foi assim com “Gilgamesh” (século 2000 a. C., aproximadamente), de autor anônimo. “Ilíada” (século VIII a.C., aproximadamente), Odisseia de Homero (século VIII a.C.), “Eneida” (19 a.C.), de Virgílio, “Os Lusíadas” (1572), de Luiz Vaz de Camões.

 

            Se Jostein Gaarder em “O mundo de Sofia” nos apresenta o mundo da Filosofia, Hermínio Prates nos mostra o Brasil em consonância com o mundo por meio de Suzana. Ela é os olhos do autor, que nos possibilita passear pela epopeia brasileira em pleno século XXI”.

 

        Opinião de Uiley dos Reis, professor, mestre em Filosofia, escritor e poeta, presidente da ALBA – Academia Janaubense de Letras e Artes.

 

             Ele acrescenta que “a saga de Suzana acontece em um país em formação, situado na América Latina, que Sérgio Buarque de Holanda chama de um povo cordial. Logo ela começa a vivenciar as aventuras e as complexidades da vida. Os amores vividos se misturam na convivência com predadores na política e nas relações em geral. O livro “Mulheres e Predadores”, de forma irreverente, aborda, com muita fidelidade, os fatos históricos.”

 

fotografia de Hermínio Prates

Hermínio Prates é jornalista, escritor, ex-professor universitário de Jornalismo, Rádio e Teoria da Comunicação na UFMG, UNI-BH, PUC e Newton de Paiva. Foi repórter e redator do Diário de Minas, Jornal de Minas, Minas Gerais, Rádio Itatiaia, diretor de Jornalismo da Rádio Inconfidência, chefe das Assessorias de Comunicação das Câmaras Municipais de Sabará e de Belo Horizonte e da UEMG – Universidade do Estado de Minas Gerais. Publica regularmente contos, crônicas e artigos em vários jornais mineiros. Autor dos livros Família Miranda – Vidas e Histórias ( ensaio historiográfico), A Amante de Drummond (contos), Mulheres e predadores (romance) e A noite do tatu (crônicas).

 

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