
Na “cabala hebraica”, temos as referências do arquétipo do filho e da filha e a necessidade do equilíbrio na tríade: Geburah – Marte – Rigor / Chessed – Júpiter – Amor / Tiphareth – Sol Crístico – Búddico – Sol de Lugh, Quetzalcoalth, Horus… – Esfera Avatárica do Equilíbrio.
Em Tiphareth, realizamos a crucifixão ritual: morte para o profano material, renascimento no sagrado espiritual, que permite após a Revelação, a Redenção e Reintegração na Origem.
Ao realizar a mesma, se quebra o véu de Paroqueth (que impede a passagem do mundo psico-emocional e mental da ilusão ao plano da espiritual realidade).
Quebrado o véu que encobre o Abismo de Daath, com o poder do renascimento pode ser ultrapassado, permitindo a energia do Pai Chokmah, penetrar no peito do filho crucificado em Tiphareth, abrindo a conexão com a Ponte Kether, para chegar ao Todo-Uno-Imanifesto AIN-SOPH, cuja Luz Ain-Soph-Aur (através da árvore da vida) vitaliza o mundo.
Os movimentos religiosos sucedem-se, seguindo as diversas latitudes e as diversas etapas históricas, sendo o “Arquétipo” que prevalece. Mas temos de ser cuidadosos e evoluir ajeitadamente (conhecendo a cósmica Lei e o seu caminho do Dharma) para saber ativar os aspetos duais dos arquétipos em equilíbrio, o que permite fortalecer a harmonia do planeta.
Saber utilizar nosso poder mental, tendo antes dominado nossas energias mais obscuras e densas. O domínio do campo emocional facilita o pensamento libertado de carga: ódio, ira, ressentimento, rancor, medo, desejo de dominação, permissão, por medo, para ser dominado…
Evitar instintos auto-destrutivos, construir a calma que permite o auto-aperfeiçoamento é uma das múltiplas chaves. Como bem nos adverte o mestre brasileiro Roberto Luciola, no seu já referido caderno Fiat Lux nº 19: “Milhões de criaturas, por falta de conhecimentos iniciáticos e conseguinte evolução, usam indiscriminada e inadequadamente o seu poder mental, indo assim a povoar a Aura da Terra com verdadeiras egregóras ou conglomerados de matéria psicomental das mais baixas vibrações que ficam pairando no espaço astro-etérico como sombrias nuvens sinistras, que a qualquer momento, por condensação, podem materializar-se como catástrofes demolidoras (…) Sabemos que as forças elementares apresentam-se de forma livre, como energia liberada na natureza que constitui a matéria-prima dos Planos Cósmicos, e como forças encadeadas no Homem formando os diversos veículos (Físico, Astral e Mental). O objetivo da vida encadeada consiste em aprendermos esses elementos encadeados em nossos corpos. Este é o grande desafio que se lhe apresenta à Mónada em sua jornada, quando mergulhada nos Planos Físicos. A sabedoria dos Deuses ensina que aquele que conseguiu dominar os elementais encadeados em seu ser é considerado Vencedor do Ciclo, portanto, está em condições de dominar os elementais livres da Natureza, fazendo com que a mesma, em todos os aspetos subtis e densos, lhe seja dócil e obediente. É este facto que explica os chamados “milagres” operados pelos Grandes Profetas e Adeptos de todos os tempos”.
Apolo era o grande arquétipo grego do Filho Perfeito, Zeus era o seu pai e a Titanesa Leto a sua mãe. Com ele, também temos o arquétipo menos ativado (no nosso período patriarcal) dos gémeos espirituais (em trabalhos de espiritualização, transformação dentro da matéria) junto com sua irmã Artemis.
No mundo celto–galaico, este arquétipo dos gémeos espirituais se corresponde com Lugh e Briga, sendo muito utilizado, na sua época histórica.
O arquétipo dos Gémeos Espirituais, segundo o conhecimento teosófico e eubiótico estava plenamente ativado no período de esplendor da “Mitológica Atlântica”. Nesta narrativa teosófica e eubiótica, podemos navegar pelo ideal sonhado que sugerem todas as mitologias da Era de Ouro, quando a Divindade estava presente e instruindo aos seres humanos na face da Terra. Sendo os míticos Mu-Isis e Mu-Iska os representantes da mesma naquele anelado e sonhado período atlante.
Depois do terrível acontecimento do deicídio da parelha espiritual, narrado pelas crónicas teosóficas e eubióticas, a essência divina teve de ser recolhida e retida da face da Terra. O mito celta–cristão da Taça do Graal encerra este mistério.
Desde então, o período matricial tem-se revezado com o período patriarcal – a Era de Ouro perdida – descendendo a Era de Prata-Bronze até chegar à atual Era de Ferro, ou Khali-Yuga, Era esta última do excesso de polaridade e guerra, destruição e aprendizagem de terrível rigor pelo atrito e a morte.
Aguardando o tempo da mudança e trabalhando os humanos mais conscientes por acelerar o trânsito para chegar de novo à Era de Ouro, do Amor Incondicional e da Fraternidade Humana. Tudo será possível. Tudo será feito!
Para isto acontecer, é preciso ativar de novo o Arquétipo dos Gémeos Espirituais, que simbolizam na psique humana a parelha inicial do Pai Cósmico e da Cósmica Mãe, que unidos criam os mundos e que se unem pelo amor e pela devoção à criatura humana, fruto da sua união. Ativar este Árquétipo dos Gémeos Espirituais será um primeiro grande passo para, finalmente, unir e fazer cooperar e se complementar, ao invés de concorrer e guerrear o resto de todas as outras, menores, polaridades…
A mente humana tem esse privilégio de criar e de novo este Arquétipo harmonioso implementar na Nova Egregóra, a formar-se já neste tampo de travessia – transição para a Nova Era.
Mas antes teremos de nosso corpo emocional dominar, pois os pensamentos surgem daquelas nossas iniciais emoções, mais alteradas ou mais equilibradas, gerando harmonia ou caos, afetando para bem ou para mal a sanidade do conjunto de habitantes deste nosso formoso planeta.
E se a Divindade nos fez “irmãos maiores”, gestores deste belo local de aprendizagem – Mãe Gaia – é por que temos o potencial de, com amor e rigor, essa missão fazer.
Assim que vamos todos trabalhar com esmero nesta nobre senda. Começar pelo óctuplo caminho do Budha, pelo Amor Incondicional do Cristo, pela nobreza de Lugh, o “perfeito em todas as artes”… Trabalhando, cada um, a nossa pisque, este será o inicial passo do novo recomeço, do novo príncipio.
A Paz seja com todos o filhos da luz – os Bons e Generosos deste planeta azul e verde.
Os Gémeos Espirituais ou o Caminho da Transformação aberto para todos
No Mito de transformação da crucifixão do filho temos o caminho da transformação, reservado somente aqueles “vencedores de ciclo”, por meio da morte para o material e renascimento na libertação do espírito. Mas o “arquétipo transformador” somente estava ativado no masculino. Observamos aqui a marca indelével do “ciclo patriarcal”, ocultando o lado transcendente do feminino sagrado.
No mito mesopotâmico da Deusa Ishtar, temos a descida ao inframundo da divindade na procura de recuperar a alma do seu amante – ou gémeo espiritual Tammuz (após dar instruções a seu servente Papsukal de ir no seu resgate, se ela não regressar). No caminho, Ishtar é despojada de todas as prendas que simbolizavam sua glória e poder. Desafiada pela sua irmã Ereshkigal – a Deusa – deverá desfazer-se, uma a uma, das suas sete vestes, segundo vai atravessando cada um dos sete portões do inframundo (a famosa “dança dos sete véus” tem a ver com esta nudez espiritual da Deusa Ishtar, na sua descida aquele submundo do inconsciente e sub-consciente, onde se encontra aquilo que ocultamos de nós e dos outros). Ao abandonar aqueles véu, Ishtar mostra a sua verdade – seu poder interno – sem enfeites de poder exterior o que lhe permite reunir-se com o Amor, simbolizado por Tammuz, mas desta vez, sem condições Ishtar vai conhecer o Amor Incondicional. Ishtar – Innana – correspondência com o planeta Vénus – a estrela da manhã.
Quando Ishtar chega diante da Rainha dos Mortos, aparece pendurada de um gancho (“crucificada” – crucifixão ritual). Resgatada finalmente, com a ajuda de Ninshubur e pela astúcia do Deus da sabedoria Ea (aquele sumério Enki), regressa à glória imortal, agora como “Rainha dos Céus”. Temos aqui na descida ao “inferno” psicológico interior, no pendurar do corpo na vertical do “gancho”e na ascensão final ao céu, o caminho de transformação próprio de todo o herói mitológico (no ciclo patriarcal reservado somente para o Filho – ou o herói masculino).
Neste caminho, temos a tripla libertação: do corpo, da alma e do espírito, que acontece ao obter/ conquistar a tripla sequência sagrada da Revelação – Redenção e Reintegração.
A Revelação, que somente pode obter-se ao aprofundar no interior da alma, no mais profundo, onde se ocultam os nosso piores temores e vencer os mesmos equivale a vencer o medo da morte, a Redenção obtida na crucifixão: provação sublime de afrontar o medo da morte, vencer o mesmo e ultrapassar a dor física para finalmente obter a Reintegração na Fonte Primordial, o celestial Palácio, Morada original do Espírito.
Este mito também está simbolicamente refletido no céu, no ciclo do mesmo planeta Vênus (associado às deusas lunares, que contêm em seu interior o poder solar do conhecimento e da ressurreição (lembrar que a lua reflete a luz solar pela noite) – Innana-Ishtar, Isis, Afrodite, Danu, Tonantzin (nossa mãe)… entre outras – são deusas associadas aos ciclos também da lua).
O planeta Vênus aparece no céu como estrela brilhante da manhã, quando está marchando diante do sol. Ao aproximar-se com o sol, fica por um tempo invisível. Finalmente, o planeta aparece como estrela da Noite.
Esta tripla sequência lembra também as Deusas Triplas do feminino primordial como a Deusa Celta Galaica ou a mesma deusa nahualt (mexicana) Tonantzin (a mãe de todos os Deuses).
A Revelação tem a ver com a brilhante estrela da manhã (correspondente à Deusa nova, a jovem mulher que dá os frutos do campo da abundância). A Redenção tem a ver com aquele Vénus oculto, trabalhando no profundo do inconsciente e subconsciente para liberar-se do medo da morte (a Deusa Madura do conhecimento no plano material, o outono. No plano psicológico, o caminho da matriarca). A Reintegração tem a ver, finalmente, com a estrela de Vénus noturna, a Rainha Brilhante do Céu (representando a Deusa Velha. No plano material, o inverno, dos campos ermos. No plano psicológico, a elevação daquela que obteve a transcendência: esvaziar-se das sombras, o vazio espiritual: a volta à Vacuidade Mística, a vacuidade da Libertação Final do Samadhi, a verdadeira cristã Santidade ou União com todo o Universo).
Ativar de novo o “Arquétipo dos Gémeos Espirituais” permite ultrapassar o período cíclico matriarcal e patriarcal, onde em cada ciclo uma das polaridades se impõe (ocultando a outra), permite ativar na Egregóra do imaginário coletivo o equilíbrio entre as polaridades, harmonização e fim da luta entre os supostos contrários, agora reconhecidos como complementares.
O tempo dos Gémeos Espirituais é o tempo da complementaridade entre as polaridades, do reconhecimento da unidade da qual nascem as dualidades.
Imprescindível regatar o Arquétipo dos Gémeos Espirituais para, no seu tempo, poder chegar à sonhada Idade ou Era de Ouro, anunciada em todas as mitologias – a Satya–Yuga, onde a paz fraterna, a ajuda mútua e complementaridade governam.
Na Mitologia Indiana, temos os diversos períodos bem especificados. Para ela são muito longos. No entanto, muitas mitologias falam de períodos curtos, milenares, entrelaçados entre estes outros mais longos, como a ideia milenarista de Joaquim de Fiori, anunciando a Idade do Espírito Santo, tempo intermédio de uma Satya-Yuga milenar (Idade de Ouro menor) em meio de Yugas mais amplas…
Tudo dentro do emanar divino, que visa espiritualizar a matéria profana, condensando a sua luz na densidade da pedra.
Assim afirma a tradição indiana que a manifestação por emanação se produz, tal como afirma a mesma Kaballah hebraica e outras tradições indicam: “Quando a dissolução do Pralaya (Período de Descanso) chegou ao seu fim, o grande Ser – Paramatman ou Para-Purusha, o Senhor que existe por si mesmo, do qual e pelo qual todas as coisas foram, são e serão resolveu emanar as diversas criaturas da sua própria substância (Período da Manifestação)”. As criaturas nascem da mesma substância espiritual, emanando – plano a plano cósmico densificando – até atingir o último plano material mais denso, na Kaballah chamado de esfera ou Sefirah de Malkuth.
A partir daí, no “Mânava-Dharma-Sâstra”, – no livro I, Slokas 7-8, fala-se das Kalpas, com os seus Tempos de Manus ou Manvataras, as suas Divya-Yugas e suas Yugas.
Cada Kalpa correspondendo a um dia de Brahma ou período de manifestação (Manvantara) ao que segue uma noite de Brahma ou Pralaya, período de descanso.
Ativar, então, o arquétipo dos Gémeos Espirituais nos permite aproximar-nos desse período de Amor Universal, para o qual sem saber, com suas quedas e ascensão trabalha toda a humanidade.
NOTA – PERÍODOS DA TRADIÇAO INDIANA
– segundo o Mânava-Dharma-Sâstra, livro I, slokas 7-8.
Um Kalpa corresponde a 4 320 000 000 anos terrestres (14 Manus com o total de 4 294 080 000 anos + 25 920 000 anos de alvoreceres entre cada Manu) que corresponde a um dia completo na vida de Brahma.
Sendo o ano de Brahma de 36 mil Kalpas, cada Kalpa equivale ao dia em que se dá a expansão do Universo e à noite na qual se dá a sua regressão, Descanso, Pralaya.
Logo, multiplicando 36 mil Kalpas por 8,64 bilhões de anos (2 x 4,32, um dia mais uma noite de Brahma), dá o resultado 3.110 400 000 000 (3 Trilhões e Cento e Dez bilhões e 400 milhões de anos terrestres) correspondendo a um ano de Brahma.
Por sua vez, cada Kalpa é dividido em Manvantaras (“Tempo de Manu”), com a duração de 306 720 000 anos terrestres.
Manus são “os Progenitores” da humanidade, as criaturas” criadas por Brahma e que, por sua vez, criam mundos e vida como a que conhecemos.
Cada Manvantara é dividido em Divya-Yugas (4 320000 anos), por sua vez divididas em 4 Yugas (Eras).
As Yugas, Eras são separadas por períodos chamados de Sandhis, “que são períodos de descanso dos Manus” e que correspondem a 10% de cada período.
A descida ao Sub-mundo – para nossas sombras limpar e integrar – Revelação – Redenção – Reintegração
Temos na mitologia suméria um episódio de transformação, obtida a revelação que impulsa a procurar a redenção, por meio de limpar as sombras e integrar no nosso todo sua luz, para finalmente reintegrar-nos do mundo espiritual do Todo-Uno, após o renascimento.
A descida da deusa Inanna ao submundo, para enfrentar a “Senhora dos Vastos Caminhos” Ereshkigal, Rainha do Cur-Na-Gi ou “Terra do não retorno” marca a viagem da descida da consciência individual ao sub-consciente psicológico para remover as sombras, transformá-las em luz e obter (após a crucifixão ritual) o Amor Incondicional, daqueles vencedores de ciclo, que triunfaram ou derrotaram o medo atávico à morte.
Nos fala, aqui, do encontro com o próprio “Guardião do Umbral” para dissolver os laços negativos cármicos (criados em várias vidas -várias caminhadas) e transcender a procura da luz interna, o nosso Eu Superior, o Divino em nós.
Inanna (Ishtar para os acádios, babilónicos e assírios) encarna o caminho da transformação feminina, o trabalho fundamental da Filha Divina. Sendo seu gémeo espiritual Dumuzid (Tammuz), aquele que marca o caminho do transcender masculino do Filho Divino.
Ao igual que por meio do Filho Divino se ascende à comunhão com o Pai Cósmico, por meio da Filha Divina se eleva a uma conexão com a Mãe Cósmica.
Associada ao planeta Vénus e à quinta hierarquia, a sua estrela de oito pontas (como a estrela de Lugh ou Briga) representa a estrela dos transformadores da humanidade no coletivo e dos indivíduos no particular. O caminho da Redenção, após obtida a Revelação, que superado conduz à Reintegração na Unidade, na Origem.
Nabucodonosor II mandou construir a 8ª porta interior, o Portão de Ishtar (Inanna) na Babilónia. Referenciado o 8, o símbolo do infinito e da oitava acima: a elevação.
Por seu lado, Ereshkigal (Senhora das Grandes Profundidades) representa o aspeto inferior feminino (a transformar). A alma selvagem (a transmutar), o instinto mais animalesco, relegado e às vezes reprimido em nosso sub-consciente, mas também simboliza o amor mais natural, apaixonado, entregue aos instintos e livre da culpa.
A descida de Inanna–Ishtar ao submundo obscuro de Ereshkigal, para resgatar a sua contraparte masculina, seu gémeo Dumuzid–Tammuz, marca um percurso-guia para a libertação da alma das pesadas cadeias da morte. Descreve o trabalho interior de cura das feridas psicológicas e a integração das sombras, em nossa psique, através da aceitação, transformação e transmutação das mesmas, convertendo-as e diluindo-as com a luz da esperança.
O resgate de Dumuzid–Tammuz por Inanna–Ishtar simboliza a harmonização do nosso masculino e feminino interior e a superação do medo à morte (por meio da crucifixão ritual, o pendurar na vertical da guerreira-guerreiro espiritual entregado ao sacrifício, por si e pela humanidade). Obtendo a libertação final do apego material e a elevação espiritual que unifica com a Fonte.
Trabalho de mudança da radiação dialética (própria do ser inferior submetido ao medo e à precaução racional), através do emanar da radiação gnóstica (própria do ser superior–imortal, livre de todo o desejo, anelo, apego instintivo). Transmutação da vida energia instintiva em Vida Consciência reflexiva. O reflexivo conhecimento que se volta sobre si mesmo. Observação atenta e profunda do caminho do espírito. O ser que obtendo a revelação toma consciência da sua realidade que transcende.
Libertação, obtenção da irradiação da gnose, na altura correspondente, quando o ser humano atingir a tónica evolutiva precisa para enfrentar esse desafio, tão poderoso, reservado para os vencedores de ciclo.
Quando estivermos nesse patamar evolutivo, a nossa própria vontade espiritual, dirigida pela intenção elevada intuitiva, nos impulsionará nessa direção. E aquele Arquétipo, do Filho ou da Filha (segundo sejamos homem ou mulher) dar-nos-há a força para assumir e vencer a mais difícil de todas as provações e, por sua vez, iluminar-nos-há o caminho…
O equilíbrio dos gémeos espirituais, com a recuperação dos respetivos “arquétipos” (masculino e feminino) permitirão à humanidade avançar nesse transformador caminho de libertação das sombras guerreiras, causadas pela ignorância da dádiva do amor que está presente em nós… E nos encaminharão, mais adequadamente, pela senda da superação individual e da coletiva e sonhada fraternidade humana.
Para este objetivo conquistar, a Vontade do “Amor Incondicional” inscrito na semente do Pai Cósmico (que é a criadora da multiplicidade dos mundos), deverá ser bem direcionada pela “nobre intenção”, para a “Redenção”, após a boa Revelação, atingir o seu sucesso. Permitindo-nos avançar na via ascensional. Encaminhar-nos à Fonte Original e ter a possibilidade da libertação final na Reintegração no Todo-Uno-Indivisível.
Doutro jeito, se essa “vontade amorosa” for mal direcionada pela inobre intenção, conduzida esta intenção pela gula, luxúria, avareza, dirigida pelo ódio, ira, fúria crescente, ao invés de penetrar na senda da Redenção optaremos pelo caminho da Perdição.
Abandonaremos, guiados pelo poder medroso, a luz da vida, afastando-nos do amor-sabedoria da Mãe Cósmica (a senda que tão bem descreveu Sri Aurobindo), deixando o medo–temor ocupar o nosso espaço psicológico. Focando a nossa atenção na via que conduz à “morte”, a morte para o espírito libertador permitindo cadeias negras asfixiar a nossa “ânsia” por libertar de sombras a nossa alma.
A “Vigilância dos Sentidos” é vital para, pela necessidade, iniciar com decisão o combate contra os nossos medos.
O “címbalo tilintante do coração” deve ser aprimorado para acompassar o caminho do despertar e da espiritual descoberta. O esforço do coração por achar a luz do Amor Incondicional é o verdadeiro esforço do ser por transformar-se.
Daí que em libertar-nos dos nosso medos não será possível, apesar de obter centelhas de Revelação, encontrar a senda da Redenção (chave da libertação) e encaminhar-nos à Reintegração no Todo.
Ativar o “Arquétipo dos Gémeos Espirituais” facilita essa dura, mas esperançada, tarefa para acordar, em algum momento, dentro dos braços abertos da Cósmica Mãe, onde a semente do Amo Incondicional do Cósmico Pai, em seu útero se resguarda. Acordar protegidos e cheios de coragem para realizar os trabalhos que para a nossa evolução sejam precisos.
A Inanna–Ishtar que morre, pendurada na vertical, recuperando a sua contraparte espiritual masculina e renascendo no céu noturno, como Rainha Celestial marca precisamente esse caminho da Revelação na escola da vida; a Redenção dentro do teatro da vida (descida aos abismos psicológicos e trunfo sobre nosso guardião da sombra) e a Reintegração (dentro do nosso Templo) uma vez a alma aprimorada…
Sendo esta “senda de Inanna” aquele caminho que marca na cabala a transformação da alma instintiva de Nefash com a racional alma psicológica de Ruach, por sua vez transmutada pela espiritual Alma de Neshamad, abrindo a porta de Reconexão com o homem universal Adam Kadmon e com o seio da Cósmica Mãe permitindo-nos alcançar (como vitoriosos de ciclo) a paz interior. Obter o Samadhi.
Samadhi ou “correta contemplação”, o fim da luta combate, atrito na dualidade já obtida a integração da polaridade inicial, o nosso masculino fundir-se no nosso feminino (Bodas Alquímicas). Atingindo a nossa Consciência a mais elevada compreensão da existência do todo estar no todo e o todo no uno: permitindo-nos a comunhão total com o universo.
A descida de Inanna–Ishtar marca esta rota. Ativar o “Arquétipo dos Gémeos Espirituais” abre a possibilidade de ir, devagar, entendendo este processo para finalmente a fraternidade universal deixar, em algum momento da historia, de ser um bonito sonho…
OS TEMPOS SÃO CHEGADOS
Artur Alonso: escritor com vários livros editados de teatro, poesia, ensaio e romance… Ex diretor do Instituto Galego de Estudos Internacionais e da Paz. Ex-secretário do Instituto Galego de Estudos Celtas. Membro do Conselho Consultivo do Movimento Internacional Lusófono. Membro de Honra da Associação de Escritores Moçambicanos na diáspora. Membro do Conselho de Redação da Revista Identidades, etc.










