
Xico Simonini
Tá lá a Ruth! Pregando o tcham da Educação, vestida da vovó que todos queriam ter, encarnada na mamãe que todos pagariam para ganhar, maquiada da titia que todos gostariam de embalar. Mas, em verdade, portando a alma da madrasta que ninguém adoraria ter.
Os meios de comunicação publicaram, às escâncaras, mais pelo inusitado do fato do que pelo zelo à informação. Pouco ou nada interessa à grande mídia zero-oitocentos, hipócrita, interesseira e beneficiária estampar mazelas, desmandos, inoperâncias e intenções da farsa Real, de um falso Sistema, comandado por um falso Imperador.
Realidade traiçoeira e impregnada de ridículos tronos, puídos mantos, carcomidas coroas e enferrujados cetros.
Sim! O Imperador está nu! Nada há mais a esconder!
Até Ruth, a Imperatriz!
Sim! Até a Soberana já não tem como ocultar as In-Justiças capitaneadas pelo poderoso e dileto Senhor.
Nem mais uma única criança deixa de enxergar a sinistra figura, como a sinistra figura veio ao Mundus Horrendus.
Quem diria! Até tu, Ruth, esposa dele?
Um Rei, Imperador, ou seja, lá o diabo majestático que for exposto à execração do Reino, inteiramente nu, com seus pelames e suas couramas flácidas, moles, frouxas, lânguidas e balofas.
Pelames e couramas. Totais e irreversíveis.
Pela idade. Pela maldade. Pela mordacidade. Pela crueldade. Pela perversidade.
Pelancas geradas na mentira deslavada de um exilado da carochinha. De um cassado de lorota. De um perseguido de ficção. De um preso de fábula. De um passageiro turista, de passagem pelo Reino dos Andes, com passagem pelo Caixa das Verdinhas da Ford Foundation. Pelames e couramas de um perseguido político que jamais aconteceu nos Anos de Chumbo.
Pelancas nascidas de embustes, de conchavos e de ignomínias praticadas contra os sublimes interesses do Reino, plenos da ausência dos pilares básicos da Dignidade Humana: saúde, educação, emprego, habitação e lazer. Para Honra e Glória dos interesses confessáveis e inconfessáveis de grupos insaciáveis e encastelados no Poder.
Pelancas paridas de um programa político perverso, pleno de realizações e obras de necessidade duvidosa, sem auditorias contábeis nem apurações jurídicas rigorosas.
Até tu, Ruth, que, muito antes da criança da fábula, já viste o Imperador sem veste?
Até tu, Ruth, buscando a Verdade como a Míriam de Nazaré buscou refúgio no Reino dos Faraós, salvando o Jesus Menino da afiada lâmina do Imperador Herodes?
Até tu, Ruth, buscando a Verdade como a Míriam da Globo buscou refúgio no Reino de Barcelona, salvando o Júnior Menino da afiada língua dos Súditos do Imperador?
Em sendo assim, Ruth… E por assim ser, Ruth, refugias nas verdades, vencendo as normas e quebrando as guampas contra o ardente Imperador.
Pouco importa, se importa… Seriam a forra e a desforra para a refugiada aleivosia imperial, num enredo mais de Polichinelo que bíblico.
Se tu, Ruth, expões verdades e renegas a política social deste Reinado, imagina, então, o que os Ignaros e Cuvilheiros Súditos imaginam do teu Imperador? Vassalos do Reino de Fundanga, sem lenço e sem documento, sem o doce sabor e o suave calor das macias alcovas imperiais. Sem a rotineira Ruth, sem a caliente Míriam.
A grande imprensa publicou às escâncaras:
Ruth, a Imperatriz, critica a política social do Imperador. Declarou ela:
— As políticas sociais (do Reino) são burocráticas e ineficientes, os recursos não chegam às camadas menos favorecidas da população e há necessidade de se aumentar o volume das verbas.
Imperatriz Ruth, parabéns por tuas declarações! A família, sensibilizada, agradece por este ato de fé e solidariedade bíblicas. Pois que, em verdade, em verdade… A verdade seja dita… E te digo, Ruth: os recursos não chegam porque se encontram aquém das necessidades e desaparecem no percurso, conduzidos nas cartolas dos Lalaus da Corte Fundanguense.
Quem diria! Até tu, Ruth, esposa dele?
Nesta toada, estrofe e refrão, a Ruth do Imperador, mesmo tomando conhecimento de que ele tivesse respigado nos campos da Míriam, a Global, permaneceu ao seu lado, tal-qualmente sua xará Ruth, a Moabita, o fez com a sogra Noêmi, segundo as Escrituras.
Permitiu-se, porém e também, respigar no campo do Imperador, através de maquiavelentas declarações subversivas. De megafone em punho, vestindo camisinha vermelha e estrelada, usando bonezinho dos sem-terra, trazendo nas mãos a foice e o martelo e distribuindo rosas e pombas socialistas. A Imperatriz estará, em breve, liderando Camaradas e Companheiros, em monumental marcha sobre o Planalto do Alvoroço ou invadindo a fazenda da Família Imperial no Burgo dos Buritis, no Condado das Roças Gerais. Para orgasmos múltiplos e sequenciais do topetudo Conde Itabirras.
Francisco Simonini da Silva (Xico Simonini) nasceu em Viçosa, MG, no dia 18 de novembro de 1941. Em sua cidade natal, em Belo Horizonte (MG), Florestal (MG), Pará de Minas (MG), Divinópolis (MG), Piracicaba (SP), Assis (SP), Primeiro de Maio (PR), Juiz de Fora (MG), Cataguases (MG), Ponte Nova (MG) e, recentemente em Santo Antônio de Pádua (RJ) construiu sua trajetória de professor e administrador do sistema educacional, além de marcante atuação na imprensa e na militância político-partidária. Aposentou-se como professor-adjunto na Universidade Federal de Viçosa (UFV), onde exercia suas funções no Departamento de Educação, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Vem atuando, há mais de cinquenta anos, no sistema educacional público e privado (da educação infantil à pós-graduação), no ensino, pesquisa, extensão e administração. Por iniciativa individual ou coletiva participou da fundação de uma dezena e meia de escolas e cursos em todos os níveis. Sua trajetória é marcada por vigorosa atuação política, partidária e sindical e em campos diversos, como músico, desportista, comentarista esportivo, escritor, poeta, chargista e responsável pela publicação do semanário viçosense “Muzungu”.










