Política

EDITORIAL: O Estado da nação | Henrique Dória

imagem: expresso.pt/

No início de um novo ano, é de toda a pertinência fazer-se uma avaliação do estado da nação portuguesa no ano que acaba de terminar.

A revista THE ECONOMIST colocou Portugal no topo da economias mundiais em 2025, e o Primeiro Ministro Luís Montenegro transmitiu ao país uma mensagem de Natal em tons cor de rosa.

Terá isso qualquer correspondência com a realidade?

Vamos aos factos.

Na área da saúde, precisamente aquela cujo desempenho o atual primeiro ministro mais criticou durante os governos de António Costa, vamos assistindo à degradação progressiva do Serviço Nacional de Saúde, SNS, com urgências encerradas, não contratação de médicos disponíveis para entrarem no SNS, aumento dos tempos de espera para atendimento nas urgências, consultas e cirurgias, em simultâneo com o aumento do número de seguros de saúde e com o aumento exponencial dos seus custos.

O desempenho da Ministra da Saúde tem-se resumido a isto: aprofundar a degradação do SNS para engordar os negócios privados.

Se a saúde se encontra em progressiva degradação, a habitação segue o mesmo rumo. Em 2025, o preço da habitação cresceu 20%.  O valor das rendas seguiu o mesmo caminho. O número de pessoas a viver nas ruas está a multiplicar-se. Mesmo quem tem trabalho não está a conseguir pagar a renda de uma casa, e passou a viver na rua em virtude da infame lei Cristas que, com a diminuição das garantias dos inquilinos, nomeadamente quanto ao prazo mínimo dos contratos de arrendamento para habitação, deu impulso à especulação. Os jovens não conseguem comprar ou arrendar casa, pelo são forçados a permanecer em casa dos pais até aos trinta ou mais anos.

No campo do ensino, pelo menos 270 mil alunos terão ficado sem um professor neste ano letivo.

As desigualdades agravaram-se. A economia que, em 2023, teve um crescimento de 2,6 %, e em 2024 um crescimento de 1,9%, 0,8% acima da media europeia, terá, este ano, um crescimento de apenas 2%, 0,8% acima da media europeia, apesar da aceleração do Programa de Recuperação e Resiliência que terá o seu término em 2026.

E, mesmo este valor só foi possível graças ao crescimento das receitas do turismo, já que a industrial tem vindo a desacelerar, tendo tido caído 0,9 %, em termos homólogos, em Outubro.

A nossa vizinha Espanha crescerá, este ano, 2,9%, isto é, 0,9% acima da economia portuguesa.

Finalmente, as trocas comerciais com o estrangeiro têm vindo a agravar-se em sentido negativo para Portugal.

Perante este cenário, o que se pode dizer é que a imagem dada pelo THE ECONOMIST e pelo Primeiro Ministro Luis Montenegro na sua comunicação de Natal ao país, falando de Portugal como o país das maravilhas é, no mínimo, falaciosa.

HENRIQUE DÓRIA

Foto: Henrique Dória

Henrique Dória é advogado e colaborou no Diário de Lisboa Juvenil e nas revista Vértice e Foro das Letras. Tem quatro livros de poesia e três de prosa publicados. É diretor da revista online incomunidade.com, e da Rádio Transforma.

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