A vida é um rio
A vida é rio que nasce pequeno,
Corre incerto, dança ao vento,
Salta pedras, beija a terra,
Sussurra segredos ao tempo.
Às vezes, manso e cristalino,
Reflecte o céu em seu abraço.
Outras, turvo, forte e feroz,
Carrega o mundo em seus braços.
Há curvas que assustam, caminhos sem ponte,
Há trechos tão calmos que parecem dormir,
Mas cada gota segue adiante,
Pois viver é sempre seguir.
E ao encontrar o mar imenso,
Não se perde, não se apaga,
Mistura-se ao infinito azul,
Descobre que sempre foi água.
Despedida
Não te vás assim, sem despedida,
não me deixes na sombra, perdido.
Teu silêncio é uma faca escondida,
um adeus sem voz, sem sentido.
Se tens de partir, parte devagar,
deixa ao menos um último olhar.
Que eu guarde em mim tua lembrança,
e não só a dor que me sufoca.
O vento leva, mas deixa o perfume,
O mar se afasta, mas volta a brilhar.
Não me faças viver no escuro,
Com essa dor a me queimar.
Lorna Zita é produtora cultural, roteirista, escritora e slammer.
Foi revisora e editora do Best New African Poets, uma antologia destinada a poetas e escritores do continente africano e é autora do livro Raízes e gritos (Kulera.2023).
Recentemente conquistou o segundo lugar do prêmio Tio Caderno categoria Contos, concurso promovido pela Kulungwana.
Em 2020 foi considerada a voz mais influente do projecto Voices of African Women pela I, África. É vencedora de diversos campeonatos internacionais de Spoken Word. É membro da Mwasa (National Writer Association of South Africa) e membro fundador do Círculo Académico de Letras e Artes de Moçambique.
Representou Moçambique no festival BBC Contains Strong Language realizado no Reino Unido.










